<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141</id><updated>2012-01-25T07:06:37.005-08:00</updated><title type='text'>exataspalavras</title><subtitle type='html'>A palavra exata existe
Única,
perfeita, ao expressar a idéia, a emoção
Insubstituível
- devem-se observar nuances,
sonoridade e ritmo.
Às vezes fluindo fácil,
outras de difícil alcance,
exercício para a memória e obstinação.
Verdadeira jóia escondida,
um desafio que, quando vencido,
dá uma sensação indefinida
de alegria, domínio,
fascínio pela língua,
amada língua portuguesa...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>300</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-7427084976547708377</id><published>2012-01-18T06:57:00.000-08:00</published><updated>2012-01-18T07:02:32.722-08:00</updated><title type='text'>O que eles e elas querem</title><content type='html'>Mirian Goldemberg&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falta de compreensão e de escuta carinhosa parecem explicar boa parte da infelicidade nas relações amorosas &lt;br /&gt;Homens querem compreensão, carinho, cuidado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um engenheiro, de 59 anos, diz: "Minha mulher vive dizendo que sou imaturo, que quero uma mãe, não uma mulher. As amigas dela dizem a mesma coisa de todos os homens. O engraçado é que nunca ouvi um só homem dizer que quer uma mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E elas nunca perguntaram para mim o que eu quero. Elas mesmas decidiram: homens querem mãe. Ponto final!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele continua: "Elas dizem que não gostamos de discutir a relação. Mas como dá para discutir se elas já nos rotularam como bebês carentes? Elas se sentem superiores e acham que podem dizer o que é certo e errado em termos de de maturidade, de afeto".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles dizem que querem uma mulher que os amem exatamente como são. Não alguém que critique o tempo todo e queira mudar tudo neles: da roupa que usam até as brincadeiras e piadas que gostam de fazer com os amigos. Perguntam: por que elas não aceitam que os homens são diferentes? Por que se acham melhores do que nós?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mulheres querem reconhecimento, escuta, intimidade, visibilidade, sentirem-se únicas, inesquecíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma professora, de 55 anos, diz: "Eu quero me sentir especial, ser escutada com atenção, ser amada mesmo gordinha, com rugas e celulite. Quero sentir que sou a mulher mais gostosa do mundo para o meu marido".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E acrescenta: "Quero que, para ele, e só para ele, eu seja a única mulher do mundo, que ele não se interesse por mais ninguém. Morro de inveja de mulheres que não trabalham e às quais o marido dá um cartão de crédito sem limite. Quer maior prova de amor? Mulheres que não são jovens ou bonitas, mas são tratadas como princesas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elas dizem que sentem falta de que eles as admirem, desejem, respeitem e valorizem. Sentem-se invisíveis ou ignoradas no meio de mulheres que eles consideram mais interessantes, desejáveis ou "leves". Querem ser a mulher mais importante na vida deles. E ainda perguntam: "É querer muito?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homens e mulheres estão extremamente infelizes em suas relações amorosas. Mas não querem ficar sozinhos. São reincidentes: casam, separam, casam de novo, separam de novo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A falta de compreensão e de escuta parece explicar grande parte das insatisfações masculinas e femininas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece tão simples, mas que tal perguntar para o outro o que ele realmente quer? E ouvir com atenção e carinho a resposta, sem julgar, rotular e condenar?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-7427084976547708377?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/7427084976547708377/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=7427084976547708377' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/7427084976547708377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/7427084976547708377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2012/01/o-que-eles-e-elas-querem.html' title='O que eles e elas querem'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-381867176715640679</id><published>2012-01-06T07:36:00.000-08:00</published><updated>2012-01-18T06:56:57.941-08:00</updated><title type='text'>Retrato de Ana</title><content type='html'>Ana mãe&lt;br /&gt;Ana filha&lt;br /&gt;Ana só&lt;br /&gt;Ana que se destaca sozinha&lt;br /&gt;Ana de cabelos escuros e olhos expressivos&lt;br /&gt;Ana bonita: rosto em pedra e nuvem esculpido&lt;br /&gt;Ana forte, Ana frágil, Ana perdida&lt;br /&gt;... também contida&lt;br /&gt;Um enigma&lt;br /&gt;Ana que ama...mas que é triste...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;br /&gt;05/01/2012&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-381867176715640679?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/381867176715640679/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=381867176715640679' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/381867176715640679'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/381867176715640679'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2012/01/ana-mae-ana-filha-ana-so-ana-que-se.html' title='Retrato de Ana'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-2027540892542594595</id><published>2011-12-08T09:06:00.000-08:00</published><updated>2011-12-08T09:08:51.193-08:00</updated><title type='text'>Pentimentos</title><content type='html'>Contardo Calligaris &lt;br /&gt;Sonhamos com escolhas passadas alternativas, que teriam nos levado a um presente diferente &lt;br /&gt;"Pentimento" é a palavra italiana para arrependimento, mas designa (em muitas línguas) uma pintura, um desenho ou um esboço encoberto pela versão final de um quadro. &lt;br /&gt;Às vezes, com o passar do tempo, a tinta deixa transparecer uma composição em cima da qual o artista pintou uma nova versão. &lt;br /&gt;Outras vezes, os raios-x dos restauradores desvendam opções anteriores, que permaneceram debaixo da obra final. Esses esboços ou pinturas, que o artista rejeitou e encobriu, são os pentimentos, que foram descartados sem ser propriamente apagados. &lt;br /&gt;Visível ou não, o pentimento faz parte do quadro, assim como fazem parte da nossa vida muitas tentações e muitos projetos dos quais desistimos. São restos do passado que, escondidos e não apagados, transparecem no presente, como potencialidades que não foram realizadas, mas que, mesmo assim, integram a nossa história. &lt;br /&gt;Pensei nisso assistindo a "Um Dia", de Lone Scherfig, que estreou na sexta passada. O filme é a adaptação do romance homônimo de David Nicholls (Intrínseca), que foi uma das leituras que mais me tocaram neste ano e que já comentei brevemente na coluna de 21 de julho. &lt;br /&gt;O livro e o filme (cujo roteiro é do próprio Nicholls) contam a história de Emma e Dexter, que são unidos pelo pentimento: cada um deles é o grande pentimento do outro -ou seja, ao longo dos anos, cada um é, para o outro, a lembrança de que um outro destino teria sido possível. &lt;br /&gt;Reflexões, saindo do cinema: &lt;br /&gt;1) Nossas vidas são abarrotadas de caminhos que deixamos de pegar; são todos pentimentos, mais ou menos encobertos: histórias que não se realizaram. Por que não se realizaram? Em geral, pensamos que nos faltou a coragem: não soubemos renunciar às coisas das quais era necessário abdicar para que outras escolhas tivessem uma chance. E é verdade que, quase sempre, desistimos de desejos, paixões e sonhos porque custamos a aceitar que nada se realiza sem perdas: por não querermos perder nada, acabamos perdendo tudo. &lt;br /&gt;Emma e Dexter, por exemplo, ficam cada um como pentimento do outro porque nenhum dos dois consegue renunciar à sua insegurança (que é, aliás, o que os torna tão tocantes e parecidos com a gente): ela morrendo de medo de ser rejeitada, e ele, sedento de aprovação, fama e sucesso. &lt;br /&gt;2) O problema dos pentimentos é que eles esvaziam a vida que temos. O passado que não se realizou funciona como a miragem da felicidade que teria sido possível se tivéssemos feito a escolha "certa". Diante disso, de que adianta qualquer experiência presente? Emma e Dexter, por exemplo, são condenados a fracassos amorosos pela própria importância de seu pentimento. &lt;br /&gt;3) Nem sempre os pentimentos são bons conselheiros -até porque, às vezes, eles são falsos (esse, obviamente, não é o caso de Emma e Dexter). Hoje, é fácil esbarrar em espectros do passado: as redes sociais proporcionam reencontros improváveis e, com isso, criam pentimentos artificiais. Graças às redes, uma história que foi realmente apagada da memória (não apenas encoberta) pode renascer como se representasse uma grande potencialidade à qual teríamos renunciado. &lt;br /&gt;No reencontro, um namorico da adolescência, insignificante e esquecido, transforma-se em (falso) pentimento, ou seja, numa aventura que poderia ter aberto para nós as portas do paraíso (onde ainda estaríamos agora, se tivéssemos ousado trilhar esse caminho). &lt;br /&gt;Quando examino as fotos de minhas turmas do colégio, sempre fico com a impressão de que deixei amizades e amores inacabados ou nem começados, mas que teriam revolucionado meu futuro. É como se me perguntasse "Quem era minha Emma? Para quem eu era o Dexter?", fantasiando pentimentos de relações que nunca existiram. &lt;br /&gt;Somos perigosamente nostálgicos de escolhas passadas alternativas, que teriam nos levado a um presente diferente. Se essas escolhas não existiram, somos capazes de inventá-las -e de vivê-las como pentimentos. &lt;br /&gt;Avisos: os pentimentos não são necessariamente recíprocos, e os falsos pentimentos, revisitados, são pequenas receitas para o desastre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-2027540892542594595?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/2027540892542594595/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=2027540892542594595' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/2027540892542594595'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/2027540892542594595'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2011/12/pentimentos.html' title='Pentimentos'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-946411094682202365</id><published>2011-12-05T16:03:00.000-08:00</published><updated>2011-12-05T16:09:49.859-08:00</updated><title type='text'>Melhor idade?</title><content type='html'>Talvez seja isso envelhecer&lt;br /&gt;Não ter sonhos e não dar a mínima por não tê-los&lt;br /&gt;Sentir um peso que doença nenhuma justifica&lt;br /&gt;Ter pensamentos tristes&lt;br /&gt;Esperar que alguém chegue, trazendo luz e alegria&lt;br /&gt;Por que alguém? Não se pode sair sozinho da letargia?&lt;br /&gt;Talvez sim, mas a felicidade tornou-se fugidia... distante.&lt;br /&gt;Luta insana, desigual, a exigir  empenho, pouco descanso,&lt;br /&gt;que a tristeza pega,ou lembranças(tristes lembranças).&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Preencher o tempo numa Felicidade sem sonhos:&lt;br /&gt;É este o desafio, coisa para gente grande:&lt;br /&gt;Sem o olhar pra frente, um esforço que não tem tamanho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-946411094682202365?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/946411094682202365/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=946411094682202365' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/946411094682202365'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/946411094682202365'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2011/12/melhor-idade.html' title='Melhor idade?'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-3099794579502103972</id><published>2011-10-07T12:22:00.000-07:00</published><updated>2011-10-07T12:26:04.990-07:00</updated><title type='text'>O sentido faz falta?</title><content type='html'>CONTARDO CALLIGARIS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;A gente procura um sentido para a vida somente quando o cotidiano perde sua graça e seu encanto&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma queixa frequente: o mundo e a vida fazem pouco sentido -muito menos sentido do que antigamente, completam os saudosistas. Nas famílias, às vezes, essa queixa produz uma espécie de pingue-pongue. Os pais acham que os filhos adolescentes vivem por inércia, sem rumo e projeto: "Eles não estão a fim de nada que preste, não têm uma causa, uma visão de futuro".&lt;br /&gt;Os filhos, confrontados com essa preocupação dos pais, declaram que, se precisassem mesmo de um sentido para viver, certamente não é com os pais que eles o aprenderiam: "Mas qual sentido gostariam que eu escolhesse para minha vida, se a vida deles não tem nenhum?". Nesse diálogo, o sentido parece ser sempre o que falta na vida dos outros que criticamos.&lt;br /&gt;Também existem indivíduos (adolescentes e adultos) que se queixam da falta de sentido em sua própria vida: "Viver para quê? Todo o mundo vai morrer de qualquer jeito; que sentido tem?". &lt;br /&gt;Geralmente, ao procurar responder a essas constatações desconsoladas, amigos, parentes e terapeutas agem como os pais que mencionei antes: querem injetar uma causa, uma visão de futuro na vida de quem lhes parece ter perdido o rumo "necessário" para viver.&lt;br /&gt;Agora, eu não estou convencido de que, para viver, seja necessário que a vida tenha um sentido. Quando alguém se queixa de que sua vida é sem sentido, não tento interessá-lo em grandes razões para viver. Prefiro perguntar (para ele e para mim mesmo) de onde surge tamanha necessidade de um sentido. É curioso que, para alguns, a existência precise de uma justificação, de uma razão, de uma causa, de uma visão de futuro.&lt;br /&gt;Em regra, essa necessidade de justificar a vida se impõe quando a própria vida não se basta mais. Ou seja, é quando os gestos cotidianos perdem sua graça que surge a obrigação de fundamentar a vida por outra coisa do que ela mesma.&lt;br /&gt;Nota clínica: a depressão não é o mal de quem teria perdido (ou nunca achado) uma grande razão para viver. Depressão é ter perdido (ou nunca encontrado) o encanto do cotidiano. Por consequência, tentar "curar" a depressão de um adolescente propondo-lhe militância política ou fé religiosa é nocivo: se a gente conseguir capturá-lo num grande projeto, esse mesmo projeto o afastará ainda mais da trivialidade do dia a dia, cujo encanto ele perdeu.&lt;br /&gt;Resumindo, quando alguém se queixa de que a vida não tem sentido, o problema não é ajudá-lo a encontrar o tal sentido da vida, mas ajudá-lo a descobrir que a vida se justifica por si só, que ela pode ser seu próprio sentido. &lt;br /&gt;A cultura moderna poderia ser dividida em dois grandes blocos (que não coincidem com as tradicionais divisões de esquerda vs. direita etc.): os que pensam que o sentido da vida não está na própria experiência de viver (mas na espera de um além, num projeto histórico etc.), e os que pensam que a experiência de viver, por mais transitória que seja, é todo o sentido do qual precisamos (nota: a psicanálise, inesperadamente, está nesse segundo grupo, por constatar que a gente sofre mais frequente e gravemente pelo excesso do que pela falta de um sentido).&lt;br /&gt;Alguém dirá que, com o declínio das utopias políticas e algum avanço (talvez) do pensamento laico, o sentido da vida está em baixa. Em suma, eu estaria chutando um cachorro morto. &lt;br /&gt;Não concordo: talvez a própria crise das utopias e de algumas religiões instituídas esteja reavivando uma espiritualidade que tenta sacralizar o mundo, prometendo, no mínimo, sentidos ocultos. &lt;br /&gt;O esoterismo "new age" nos garante que a vida tem um sentido misterioso, que a gente nem precisa saber qual é. Melhor assim, não é? Acabo de ler um breve (e delicioso) ensaio do filósofo italiano Giorgio Agamben, "La Ragazza Indicibile" (a moça indizível, Electa, 2010). Agambem (retomando um ensaio de Jung e Kerényi, de 1941, sobre Koré, a moça sagrada -Perséfone na mitologia clássica) mostra que os mistérios de Eleusis (que são os grandes ascendentes do esoterismo ocidental) de fato não revelavam nenhum grande sentido escondido das coisas e da vida -a não ser talvez o sentido de uma risada diante do pouco sentido do mundo. &lt;br /&gt;Ele conclui com a ideia de que podemos e talvez devamos "viver a vida como uma iniciação. Mas uma iniciação ao quê? Não a uma doutrina, mas à própria vida e à sua ausência de mistério".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-3099794579502103972?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/3099794579502103972/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=3099794579502103972' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/3099794579502103972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/3099794579502103972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2011/10/o-sentido-faz-falta.html' title='O sentido faz falta?'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-783689752614298792</id><published>2011-10-05T16:31:00.000-07:00</published><updated>2011-10-05T16:35:37.057-07:00</updated><title type='text'>Blue Valentine</title><content type='html'>Crítica: Namorados para Sempre&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Fred Burle &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminar um relacionamento não é fácil. Às vezes, começar também não. A verdade é que mantê-lo é que é o mais difícil. Ora com poesia ora sem poesia alguma, é com esta visão realista que o diretor Derek Ciafrance transpõe para a tela um dos amores mais comuns: aquele que é baseado na ocasião, quando nunca realmente existiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dean (Ryan Gosling) e Cindy (Michelle Williams) não vivem o melhor dos momentos no casamento, mas fazem de tudo para esconder isso da filha. Ele faz de tudo para melhor a situação, mas ela, por algum motivo, não parece mais disposta a trilhar aquele caminho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais que o personagem de Ryan Gosling seja extremamente bonzinho e simpático, fica claro que existem motivos reais para a frustração da mulher. É com uma montagem sutil e de difícil leitura – para o espectador acostumado a linearidades – que o filme explicará, bem aos poucos, indo e vindo através dos anos, porquê o casamento não deu certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro quarto do longa é dedicado a construir a mise-en-scène de crise, deixando fértil o terreno para o que se segue. “Como confiar nos seus sentimentos, quando eles desaparecem?”, pergunta a filha. “Acho que você só poderá descobrir, se tiver o sentimento”, responde a avó. Naquele diálogo aparentemente solto no meio do filme reside a chave para a sua total compreensão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salvo raros momentos românticos encantadores – vide Cindy dançando na rua ao som do banjo de Dean – é no clima depressivo que o filme se baseia. É num quarto de motel, de decoração futurista, capenga e azulada que o diretor encontra o cenário perfeito para desenvolver o seu blue valentine.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ryan Gosling ficou fora do Oscar, infelizmente, mas a justiça se fez pela indicação de Michelle. Sua Cindy soa misteriosa, é menina, vadia, mãe, enfermeira, frígida e fogosa. Tudo ao mesmo tempo. Defeituosa e qualitativa, é afinal, absolutamente humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fervura ou frieza do casal não é fruto do acaso. É influenciado por circunstâncias, pessoas e desejos oprimidos. O que se passa hoje é resultado do que foi construído desde o passado. O longa nos joga na cara que, por estas e por outras, não podemos julgar as atitudes de cada um (por mais estranhas que pareçam no momento), sem sabermos exatamente o quê as levou a cometê-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filme de baixíssimo orçamento (apenas 1 milhão de dólares), “Blue Valentine” é mais um indie que mostra que a força de uma obra está no seu roteiro e na paixão com que seus envolvidos a realizam. Com depressão e realismo, mostra que a música que embala o amor pode ser a mesma que embala o ódio e a mágoa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-783689752614298792?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/783689752614298792/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=783689752614298792' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/783689752614298792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/783689752614298792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2011/10/blue-valentine_05.html' title='Blue Valentine'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-917863691399572971</id><published>2011-10-05T16:17:00.000-07:00</published><updated>2011-10-05T16:37:45.250-07:00</updated><title type='text'>Blue Valentine</title><content type='html'>Um belo filme&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;" Anti-Romance"  para incomodar quem ama&lt;br /&gt;Direção delicada, roteiro cruelmente realista e performances inspiradas unem-se para “desmascarar” o mais tradicional dos vínculos afetivos em uma história sobre o amor e como ele se dilui. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Darlano Didimo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;História de amor é o tema preferido do cinema mundial, dando origem a inúmeras produções recentes que, em sua maioria, optam por satisfazer o espectador com um final feliz. E quem não gostaria de viver um romance como os de Hollywood? Encontrar a pessoa certa, ser correspondido, iniciar o relacionamento e sustentá-lo até o fim da vida de ambos (ou pelo menos durante um período que torne a experiência inesquecível) é o sonho de nove em cada dez pessoas. “Namorados Para Sempre” também tem essa fatia fantasiosa, mas faz questão de fazê-la desmoronar com uma segunda linha de tempo que coloca a dura realidade da vida a dois em evidência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estreia de Derek Cianfrance nos cinemas, o filme exibe a vida de Cindy (Michelle Williams) e Dean (Ryan Gosling), primeiramente um jovem casal que se conhece pelas artimanhas do destino. Ele é um ajudante de mudanças, enquanto ela estuda para cursar medicina. A paixão brota e os dois iniciam um bonito relacionamento, nem mesmo atrapalhado por um marcante descuido. Os anos passam e depois já os acompanhamos como marido e mulher. A chama do amor, porém, desapareceu e a separação do antes casal unido parece inevitável. O que teria acontecido nesse intervalo de tempo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cianfrance prefere não dá respostas. Cabe ao público, especialmente a quem já viveu esse tipo de experiência, preencher a lacuna e se identificar ou não com a história de vida de Cindy e Dean. Mas mesmo que ela não se encaixe no seu perfil, o diretor e roteirista (que nessa função reparte o trabalho com Cami Delavigne e Joey Curtis) faz ser doloroso acompanhar algo que se não tinha tudo para se tornar eterno, pelo menos jamais poderia ter um ponto  final tão amargo. Desconstruindo a cultuada instituição casamento e indo contra a corrente do cinema norte-americano o qual representa, o cineasta nos presenteia com um filme que é uma mistura de sentimentos, mas que, acima de tudo, incomoda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incomoda por ser visceral, propositalmente destituído de idealizações e comprometido com a verdade que defende. A câmera sempre próxima ao rosto dos personagens revela o desgaste causado pela convivência diária, a dificuldade de criar uma filha e sustentar o lar ou de simplesmente concordarem sobre um assunto banal. Uma inexplicável competividade tomou o lugar do amor e ambos parecem mais felizes sozinhos. Nem mesmo o sexo os faz se entenderem. A passividade provoca o domínio do outro, como tem sido aparentemente com a quieta Cindy, enquanto a argumentação leva a confrontos físicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imaturidade do rapaz continua. Se antes ela causava surpresas agradáveis ou apenas demonstrava a vontade dele de permanecer ao lado da garota, agora ela se tornou um empecilho para que continuem juntos. As bebedeiras revelam um Dean agressivo, sem tolerâncias, sem capacidade de encontrar um emprego. Cianfrance, enfim, o culpa pelo fim do casamento, justificando muito bem a opção ao construir personagens que sem mantém distante de vilões e mocinhos. Eles são complexos e dramáticos, vivem em casa simples e não têm luxos. Podem até ser bonitos, mas o charme ficou pra trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou na época em que se conheceram. E o charme nessa linha de tempo do longa não está apenas no casal, mas também na direção de Derek Cianfrance. Delicado como poucos, ele sabe como desenvolver o nascimento de uma paixão, orquestrando cenas que, mesmo com um alto grau de naturalismo, exalam magia, utilizando-se com sabedoria da tocante trilha sonora de Grizzly Bear ou dispensando-a quando o som é feito pelos próprios protagonistas, como na sequência em que Cindy dança enquanto Dean toca ou, na melhor de todas elas, quando os dois escutam música na cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resultado final de “Namorados Para Sempre”, no entanto, não seria o mesmo se não fosse Michelle Williams e Ryan Gosling. A química é visível entre os dois, assim como cessa quando necessário. O desempenho individual merece ainda mais destaque. Gosling surge autêntico e carismático, para depois interpretar um Dean trágico e irresponsável, que não mais leva rosas e sim a um motel de extremo mau gosto. Já Williams mostra porque é uma das melhores atrizes em atividade, justificando sua indicação ao Oscar por meio de uma personagem que encanta sem fazer esforço e que dá dó apenas de olharmos para o seu rosto expressivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo com a lembrança de Williams na temporada de premiações, o filme merecia mais reconhecimento. Mas nem todo mundo sabe lidar com a dor da realidade, com o fato de que o casamento pode não ser a etapa mais bonita de uma vida. Derek Cianfrance defende sua polêmica visão de mundo da forma mais doída possível, felizmente, revelando-se um cineasta que merece ser acompanhado de perto pelos cinéfilos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: Não se deixe enganar pelo título brasileiro do filme. “Namorados Para Sempre” é o medíocre nome encontrado pela Paris Filmes para enganar o espectador que busca um romance comum. O título original, “Blue Valentine”, que significa algo como “namorado triste”, é bem mais apropriado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;____&lt;br /&gt;Darlano Dídimo é crítico do CCR desde 2009. Graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC), é adorador da arte cinematográfica desde a infância, mas só mais tarde veio a entender a grandiosidade que é o cinema.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-917863691399572971?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/917863691399572971/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=917863691399572971' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/917863691399572971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/917863691399572971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2011/10/blue-valentine.html' title='Blue Valentine'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-7821950267443750960</id><published>2011-10-02T14:42:00.000-07:00</published><updated>2011-10-02T14:46:16.864-07:00</updated><title type='text'>O mercado está condenado</title><content type='html'>Barbara Gancia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;'Em 12 meses, milhões vão sumir. Isso é só o começo. O pior risco é não fazer nada. Proteja seus ativos' &lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;REPERCUTIU ATÉ no dogão da dona Maria o show que um operador de mercado deu na BBC nesta semana. Chamado a opinar sobre a crise, ele foi tão contundente que fez a entrevistadora admitir: "O senhor acaba de derrubar o queixo de todos no estúdio".&lt;br /&gt;De fato, o quadro pintado pelo zé-mané foi aterrorizante, um desalento para quem tem ainda alguma ilusão quanto a democracia e o capitalismo. O seu emprego, meu dileto leitor, sua poupança, sua reles existência, aparentemente, nada disso interessa ao sistema financeiro globalizado. Ninguém quer saber, inclusive, do seu voto ou impostos.&lt;br /&gt;Estamos cansados de ouvir essa verdade ser contada pela boca de filósofos como Slavoj Zizek, que vivem de detonar o sistema. Mas quando a crítica vem de dentro apavora um tico a mais.&lt;br /&gt;O operador independente Alessio Rastani (apelido "Ratfuck") foi tão rústico em sua análise sobre a crise na Europa que lembrou Roberto Jefferson quando o deputado apontou o dedo para o então ministro José Dirceu.&lt;br /&gt;O vídeo está aqui youtu.be/BMrHo0Alexw , mas não precisa sair correndo para assistir que eu conto tudo. Antes, porém, algumas considerações sobre a motivação do senhor Rastani.&lt;br /&gt;A mim realmente não importa se o operador é ex-funcionário de algum grande fundo, se tomou um chute no fiofó da Goldman Sachs, se agiu movido por ressentimento ou se expôs os fatos em toda a crueza porque a mulher passou a noite com dor de cabeça.&lt;br /&gt;Tem gente dizendo que se trata de mercenário ou impostor. Ora, será que é tão difícil assim aceitar que até um "trader" possa ter alma? Em vez de insultá-lo, eu lhe daria um troféu. Nunca vi usar de tamanha objetividade para descrever situação tão complexa.&lt;br /&gt;Se você também consegue pressentir que os pacotes foram insuficientes, que falta regulamentação, que nada do que estava errado foi corrigido e que poucos controlam toda a flutuação, também saberá apreciar o que ele disse.&lt;br /&gt;Ele abre sentenciando que "O mercado está condenado". A entrevistadora pergunta o que se deve fazer. "Veja, não tenho esse tipo de preocupação", diz. "Sou um operador de mercado, se enxergo uma oportunidade de ganhar dinheiro, corro atrás. Não é problema meu como vão sanear a economia. Pessoalmente, venho sonhando com esta crise há três anos. Vou confessar uma coisa: eu vou para a cama toda noite sonhando com uma nova recessão, com um momento como este".&lt;br /&gt;Não é de morder uma pessoa capaz desta candura elevada? Rastani continua: "Muita gente ganhou com a crise de 29 e isso não é só para uma pequena elite, é para todos. Quando o mercado despenca, quem planejou pode ganhar com estratégias de 'hedging' e investindo em títulos do governo. Daqui a 12 meses, a poupança de milhões de pessoas irá desaparecer. E isso é só o começo. O pior risco que você pode correr hoje é não tomar providências. Proteja seus ativos. Esta crise é como um câncer. Não se deve esperar que o governo resolva. Prepare-se. Governos não mandam no mundo, quem manda é a Goldman Sachs". E viva a volatilidade! Amigo meu, mestre do universo em pé de igualdade com Gordon Gekko e Sherman McCoy, só ficou decepcionado com essa última parte da fala. "Teria preferido vê-lo desprezar a Goldman Sachs, não é tudo isso, não", disse-me. "De resto, porém, o camarada não errou". Bora andar de montanha-russa, então!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-7821950267443750960?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/7821950267443750960/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=7821950267443750960' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/7821950267443750960'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/7821950267443750960'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2011/10/o-mercado-esta-condenado.html' title='O mercado está condenado'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-5367343048048842167</id><published>2011-09-20T19:25:00.000-07:00</published><updated>2011-09-20T19:28:46.859-07:00</updated><title type='text'>Novamente viva</title><content type='html'>E de repente sua alegria me invadiu&lt;br /&gt;e com ela um sabor diferente na vida:&lt;br /&gt;doce, gostoso,irresistível&lt;br /&gt;mesmo para alguém com dosagem alta de glicemia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente seu jeito casual e simples &lt;br /&gt;despertou em mim a vontade de vestir um jeans&lt;br /&gt;e sair por aí atrás de um picolé de coco,&lt;br /&gt;de um filme bacana no cinema do bairro,&lt;br /&gt;seguido por caminhada pelas ruas de mãos dadas&lt;br /&gt;rindo de bobagens, achando  tudo engraçado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, ante a sua presença&lt;br /&gt;renasceu em mim a vontade de ver a praia, o mar,&lt;br /&gt;e sob sol intenso conversar...conversar... até cansar&lt;br /&gt;E no silêncio a seguir&lt;br /&gt;ainda curtir &lt;br /&gt;o prazer da companhia&lt;br /&gt;o dia&lt;br /&gt;a vida...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;br /&gt;20-09-11&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-5367343048048842167?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/5367343048048842167/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=5367343048048842167' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/5367343048048842167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/5367343048048842167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2011/09/novamente-viva.html' title='Novamente viva'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-6284610842355026599</id><published>2011-09-20T06:36:00.000-07:00</published><updated>2011-09-20T06:37:12.752-07:00</updated><title type='text'>Protocolos do afeto</title><content type='html'>LUIZ FELIPE PONDÉ&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;A prática do afeto na convivência em família pode ser apenas protocolo para despistar o desespero&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Famílias podem ser máquinas de moer gente. Uma das marcas de nossa fragilidade é depender monstruosamente de laços tão determinantes e ao mesmo tempo tão acidentais. O acaso de um orgasmo nos une. &lt;br /&gt;Em meio a jantares e almoços intermináveis, o horror escorre invisível por entre os corpos à mesa. &lt;br /&gt;Talvez muitos pais não amem seus filhos e vice-versa. Quem sabe, parte do trabalho da civilização seja esconder esses demônios da dúvida sob o manto de protocolos cotidianos de afeto. &lt;br /&gt;Até o darwinismo, uma teoria ácida para muitos, estaria disposta a abençoar esses protocolos com a sacralidade da necessidade da seleção natural. Mesmo ateus, que costumeiramente se acham mais inteligentes e corajosos, tombam diante de tamanho gosto de enxofre. &lt;br /&gt;Pergunto-me se grande parte do sofrimento psíquico e moral de muita gente não advém justamente da demanda desses protocolos de afeto. Da obrigação de amar aqueles que vivem com você quando a experiência desse mesmo convívio nos remete a desconfiança, indiferença, abusos, mentiras e mesmo ódio. &lt;br /&gt;A horrorosa verdade seria que existem pessoas que não merecem amor? Pelo menos não de você. Mas você é obrigado a amar irmãos, filhos, pais, avós, e similares. E, se não os amar, você adoece. &lt;br /&gt;Um sentimento vago de desencontro consigo pode ocorrer se um dia você se perguntar, afinal, por que deve amar alguém que por acaso calhou de ter o mesmo sangue que você? Alguém que é fruto de um ato sexual entre o mesmo homem e a mesma mulher que o geraram em outro ato sexual. &lt;br /&gt;Quem sabe a força do "mesmo sangue" seja uma dessas coisas que a experiência moderna esmagou, assim como a crença, para muita gente já vazia, no sobrenatural, na providência divina ou no amor romântico. Sim, o niilismo teria aí uma de suas últimas fronteiras? &lt;br /&gt;É comum remeter esse vazio da perda dos vínculos de afeto ao mundo contemporâneo da mercadoria. Apesar de ser verdade que os laços humanos se desfazem sob o peso do mundo do capital, parece-me uma ingenuidade supor que o mal da irrealidade dos afetos seja "culpa" do capital. &lt;br /&gt;É fato que a modernidade destrói tudo em nome da liberdade do dinheiro, mas é fato também que não criou a espécie em sua miséria essencial. A melancolia tem sido a verdade do mundo muito antes da invenção do dólar. &lt;br /&gt;Por que devo amar alguém apenas porque essa pessoa me carregou em sua barriga por nove meses? Ou porque penetrou, num momento de prazer sexual, a mulher que iria me carregar em sua barriga por nove meses? &lt;br /&gt;Por alguma razão, questões como essas parecem mais sagradas do que Deus, o bem e o mal, ou a vida após a morte. Como se elas devessem ser objetos de maior fé do que as religiosas. Ou porque elas garantem a convivência miúda e tão necessária para a estabilização da sociedade. Só monstros colocariam em dúvida tal sacralidade. &lt;br /&gt;Mas quantas horas nós passamos vasculhando nossas almas em busca de afetos que, muitas vezes, podem ser o contrário do que deveríamos sentir? Ou não achamos nada além da indiferença? &lt;br /&gt;Às vezes, a pergunta pelo amor pode ser apenas um protocolo contra o desespero. &lt;br /&gt;Estamos preparados para pôr em dúvida a normalidade sexual no caso de mulheres que gostam de fazer sexo com cachorros, mas não estamos preparados para suspeitar que grande parte de nosso amor familiar não passe de protocolo social. &lt;br /&gt;Rapidamente, suspeitaríamos que estamos diante de pessoas doentes e sem vínculos afetivos. &lt;br /&gt;Por que, afinal, mulheres homossexuais correm em busca de "misturar" óvulos de uma com a barriga da outra, como se, assim, mimetizassem o coito reprodutivo heterossexual? Será que é amor por uma criança que ainda nem existe ou apenas um desejo secreto de ser "normal"? &lt;br /&gt;Ter filhos é prova desse amor ou apenas um impulso cego que se despedaça a medida que os anos passam? &lt;br /&gt;Um dos nossos maiores inimigos somos nós mesmos, mais jovens, quando tomamos decisões que somos obrigados a manter no futuro. Com o tempo, algo que nos parecia óbvio se dissolve na violência banal de um dia após o outro. Como que diante de um espelho de bruxa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-6284610842355026599?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/6284610842355026599/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=6284610842355026599' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/6284610842355026599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/6284610842355026599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2011/09/protocolos-do-afeto.html' title='Protocolos do afeto'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-7467087358641232386</id><published>2011-09-14T19:34:00.000-07:00</published><updated>2011-09-14T19:35:25.665-07:00</updated><title type='text'>Rebobine, por favor</title><content type='html'>ANTONIO PRATA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;Se eu batesse as botas agora, meu filme talvez começasse com um momento desses que a gente não se dá conta&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não acredito em Deus nem em qualquer bônus ou penalidade para além do último suspiro. Como diria meu tio Carlão, botafoguense e, portanto, homem desprovido de ilusões: "Acabou, já era". A frase pode não ser das mais líricas, mas tampouco o é a morte, caro leitor, e envolvê-la em fumos literários serve apenas, como as flores sobre a cova, para disfarçar o mau cheiro que exala do assunto. Melhor é tomar o fim pelo que é: prosaico cessar de reações químicas e impulsos elétricos; bug derradeiro, tão certo quanto irreversível. &lt;br /&gt;Mesmo não tendo a menor esperança de acréscimos ao tempo regulamentar, devo admitir que alimento uma expectativa, não diria "post-mortem", mas "in-mortem": gostaria muito que fosse verdade aquele papo de que, no instante em que se fecham as cortinas, a vida inteira passa na tela do pensamento, em marcha a ré, como uma fita sendo rebobinada. &lt;br /&gt;Tal acontecimento nada teria de metafísico, seria apenas uma reação de nosso cérebro ao apagar das luzes, como um sonho, um delírio. E, como todo sonho, este REM final não primaria pela linearidade, indo de uma ponta a outra de nossa existência aos rodopios.&lt;br /&gt;Se eu batesse as botas agora, meu filme talvez começasse com um momento de prazer corriqueiro, desses de que a gente nem se dá conta, ocupado por alguma tarefa tão urgente quanto desimportante. O calor do sol no rosto, por exemplo, ao abrir a porta pela manhã, para pegar o jornal. O sol, quem sabe, me remeteria a uma tarde da adolescência, na Bahia. O som do mar, a brisa, uma garota me fazendo um cafuné, depois de anos de batalha para que uma garota me fizesse um cafuné -y otras cositas más... Do calor da Bahia ao inverno paulistano, não faz muito tempo: estou sendo apresentado a meu amor. Eu a beijo. Surjo num bar com três amigos queridos, duas e meia da manhã: temos 25 anos e, aos brados, resolvemos todos os problemas da humanidade, anotando as soluções em guardanapos que, logo mais, esqueceremos sobre a mesa. Agora vejo a multidão de cima dos ombros do meu pai, na comemoração de uma vitória do Corinthians, na Paulista. Dou uma cambalhota na piscina de um sítio e a coisa vai ficando abstrata. Há uma sucessão de sabores e cheiros. Boio em brigadeiro, nado em vinho. Refogue alho e cebola, inconsciente! Traga-me uma picanha, exijo cheiro de jasmim! Beatles! Quero ouvir Blackbird mais uma vez! Veja só, minha avó. Três pedaladas na sequência, na bicicleta sem rodinhas. Agora um peito: quando menos espero, surge o útero -e o resto é silêncio.&lt;br /&gt;(Claro, haveria tristezas, também, neste crepúsculo boreal. Pés na bunda ou na quina do móvel, solidão e medo: mas no cômputo geral, uma aflição seria consolada por um pomar, o tédio por um Mark Twain, uma angústia pela visão de minha mulher, de manhã cedinho, passando hidratante nas pernas.) &lt;br /&gt;Talvez, durante esta última sessão de cinema, ter vivido uma boa vida, afinal de contas, fizesse sentido, e o prazer do resumo seria uma espécie de brinde, de bem-casado que se come na saída da festa -mas, infelizmente, não se leva nos bolsos, pois levar é verbo transitivo e mortos, que pena, não transitamos mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-7467087358641232386?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/7467087358641232386/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=7467087358641232386' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/7467087358641232386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/7467087358641232386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2011/09/rebobine-por-favor.html' title='Rebobine, por favor'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-570895301033856748</id><published>2011-09-12T20:37:00.000-07:00</published><updated>2011-09-14T12:15:35.439-07:00</updated><title type='text'>Marketing  Francês</title><content type='html'>LUIZ FELIPE PONDÉ&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;Nada há na Revolução Francesa que remotamente tenha a ver com liberdade, igualdade e fraternidade&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Revolução Francesa (1789-1799) é um fenômeno de marketing. Foi importante para medirmos a febre de um país sob um rei incompetente e não para nos ensinar a vida cotidiana em democracia. &lt;br /&gt;Nada há na Revolução Francesa que tenha a ver com liberdade, igualdade e fraternidade. Essas palavras são apenas um slogan que faz inveja a qualquer redator publicitário. &lt;br /&gt;Esse slogan, aliado ao que os revolucionários fizeram (mataram, roubaram, violentaram, enfim, ideologizaram a violência em grande escala), é uma piada. &lt;br /&gt;É uma aula de marketing político: todo mundo cita a Revolução Francesa como ícone da liberdade. &lt;br /&gt;O marketing da revolução ficou a cargo da filosofia. Primeiro caso na história de um fato claramente ideologizado para vermos nele outra coisa. Os "philosophes" do Iluminismo contribuíram muito para essa matriz do marketing político de todos os tempos, a Revolução Francesa. &lt;br /&gt;Começa com a criação da ideia de que existe uma coisa chamada "povo que ama a liberdade" para além da violência que ele representa quando desagradado. &lt;br /&gt;"Povo" é uma das palavras mais usadas na retórica democrática e mais sem sentido preciso. &lt;br /&gt;A única precisão é quando há violência popular ou quando muitos morrem de fome por conta da velha miséria moral humana. &lt;br /&gt;As "cheerleaders" da primavera árabe têm orgasmos nas ruas de Damasco, Trípoli, Cairo e Tunis. Já imaginam os árabes lendo Rousseau, Marx e Foucault (que, de início, "adotou" a revolução iraniana). &lt;br /&gt;Dançam para esses movimentos como se ali não estivessem em jogo divisões religiosas atávicas do próprio islamismo, quase total ausência de instituições políticas, tribalismo atroz, grupos religiosos fanáticos muito próximos do crime organizado, para não falar do óbvio terrorismo. &lt;br /&gt;De vez em quando, o "povo" mata, lincha, violenta e destrói cidades, a casa dos outros e o diabo a quatro. &lt;br /&gt;Mas como (e isso é um dado essencial do efeito do marketing da Revolução Francesa) pensamos que o mundo começou em 1789, achamos que o "povo" nunca destruiu tudo o que viu pela frente antes da queda da Bastilha. &lt;br /&gt;A historiadora americana Gertrude Himmelfarb, em seu livro essencial "Caminhos para a Modernidade", publicado no Brasil pela É Realizações, chama o iluminismo francês de "ideologia da razão", com toda razão. &lt;br /&gt;Os "philosophes" criaram um fantasma chamado "la raison", que seria a deusa dos revolucionários. &lt;br /&gt;Se no plano bruto "la raison" justificaria assassinatos nos tribunais populares (que deixam as "cheerleaders" dos movimentos populares até hoje em orgasmo), no plano sofisticado do pensamento, seria a única capaz de entender e organizar o mundo desde então. &lt;br /&gt;Esse fantasma da "la raison" nada tem a ver com a necessária faculdade humana de pensar para além dos desejos e medos humanos, que é muito dolorosa e rara. &lt;br /&gt;Ela é uma deusa mítica que ficaria no lugar do Deus morto, dando a última palavra para tudo. &lt;br /&gt;Foram muito mais os britânicos e americanos que nos ensinaram a vida cotidiana em democracia. Mas o iluminismo anglo-saxão não foi marqueteiro. &lt;br /&gt;Nas palavras de Himmelfarb, os britânicos, com sua "sociologia das virtudes", buscavam compreender como as pessoas e as sociedades geram virtudes e vícios. Entre elas, a benevolência e o hábito de respeito à lei comum. &lt;br /&gt;Os filósofos americanos criaram uma "política da liberdade", nas palavras de Himmelfarb. &lt;br /&gt;Eles associavam a qualidade de pensadores a de homens políticos práticos que investigavam a liberdade, não como uma ideia abstrata, mas como algo a ser preservado pela lei da tentativa contínua do homem em destruí-la em nome de qualquer delírio. &lt;br /&gt;Daí as instituições americanas serem as mais sólidas, até hoje, em termos de defesa dos indivíduos contra os delírios do governo e do Estado. &lt;br /&gt;Os britânicos e os americanos nos ensinaram a liberdade que conhecemos e que dá a você o direito de dizer e pensar o que quiser nos limites da lei. &lt;br /&gt;É hora de deixar nossos alunos lerem mais Locke, Hume, Burke, Tocqueville, Stuart Mill, Oakeshott, Berlin, os federalistas e antifederalistas, Rawls, Strauss e não apenas Rousseau, Marx e suas crias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-570895301033856748?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/570895301033856748/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=570895301033856748' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/570895301033856748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/570895301033856748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2011/09/marketig-frances.html' title='Marketing  Francês'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-8707512998487886420</id><published>2011-09-12T20:31:00.000-07:00</published><updated>2011-09-12T20:35:02.770-07:00</updated><title type='text'>E se o futuro chegasse hoje?</title><content type='html'>GUSTAVO CERBASI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esqueça a ideia de poupar para consumir todo seu dinheiro no futuro. &lt;br /&gt;Você já sabe que, para ter as finanças em equilíbrio, precisa poupar parte do que ganha. O motivo para isso? Garantir condições de desfrutar de um futuro que pode não ser tão abastado quanto hoje, ao menos em termos de oportunidades de trabalho. &lt;br /&gt;Pequenas porções de dinheiro plantadas hoje serão multiplicadas por suas escolhas de investimento e podem se transformar no seu ganha-pão de amanhã. Porém você corre o risco de, uma vez motivado a poupar, entusiasmar-se com os investimentos ou com os negócios e, viciado no processo de enriquecimento, esquecer de viver o hoje. &lt;br /&gt;Em minha experiência como consultor, acompanhei diversos casos de consumidores compulsivos que se transformaram em poupadores também compulsivos. Não ganharam nada com isso, apenas trocaram 8 por 80. &lt;br /&gt;Não há vantagem em poupar em excesso, pois assim você abre mão de um nível de consumo e de conforto que pode lhe trazer bem-estar e contribuir para uma benéfica movimentação da economia. &lt;br /&gt;Além disso, de pouco adiantará ter muito dinheiro amanhã se você se acostumar a viver de maneira exageradamente simples. Porém algo deve ser poupado, e seu desafio é encontrar o equilíbrio entre quanto gastar e quanto poupar. &lt;br /&gt;Não estou propondo nenhuma tese nova ao sugerir que você pondere o quanto vale a pena pensar no futuro. Eduardo Giannetti, em seu livro "O Valor do Amanhã" (Companhia das Letras), discute longamente o assunto e nos explica que tendemos a dar maior importância ao presente do que ao futuro. &lt;br /&gt;Não é preguiça ou negligência, mas sim uma defesa natural. Talvez em um nível não muito consciente, nosso cérebro tenta nos convencer de que é melhor gastar nosso dinheiro já. &lt;br /&gt;Isso será verdade, caso uma fatalidade venha a encerrar nossa vida ainda hoje -um risco real que acomete a todos nós. &lt;br /&gt;Porém vivemos também o risco de sermos abençoados pela evolução da medicina e da educação, tornando viável viver por mais tempo do que nossos pais. Se gastarmos demais, nos arrependeremos. &lt;br /&gt;Consequentemente, temos de evitar gastar a ponto de inviabilizar nossa possível sobrevivência por mais de um século, mas também evitar poupar a ponto de nos arrependermos se o futuro chegar para nós cedo demais. Equilíbrio é a palavra-chave. &lt;br /&gt;O ideal é que você gaste com qualidade o quanto pode hoje, e poupe com inteligência o mínimo de que precisa para que seu interessante padrão de consumo não falte amanhã. Isso é bom para você e para toda a cadeia produtiva que é movimentada pelo dinheiro que você põe para trabalhar. &lt;br /&gt;Rico não é aquele que tem um patrimônio inesgotável, mas sim quem obtém satisfação e sentimento de realização durante a maioria dos minutos de seu dia e com a maioria dos reais que consome a cada mês, ao mesmo tempo em que poupa o suficiente para não perder essa prazerosa sensação, se o futuro demorar a acontecer. &lt;br /&gt;Se for um jovem, talvez esse rico tenha poucas reservas financeiras, mas o suficiente para estar bem se mantiver com disciplina seu ritmo de poupança por toda a vida. Se não vier a viver muito, não deixará muito dinheiro, mas terá vivido bem. &lt;br /&gt;Se estiver feliz com seu trabalho e se mantiver poupando por muitos anos, talvez corra o risco de não consumir o dinheiro poupado. &lt;br /&gt;Mas é aqui que cabe o início de outra importante discussão entre os brasileiros: esqueça a ideia de poupar para consumir todo seu dinheiro no futuro! &lt;br /&gt;Se pensar assim, talvez comece a consumir cedo demais, e vai acabar morrendo de ansiedade pelo esgotamento do dinheiro, e não de causas naturais. Não vale o risco. &lt;br /&gt;Poupe o suficiente para ter certeza de que não faltará dinheiro. Se deixar herança, sorte dos herdeiros. Se viver mais, sorte deles também, de contarem com a rica presença de seu ascendente por mais tempo. &lt;br /&gt;Por esse raciocínio, nada traduz melhor o conceito de riqueza do que a segurança proporcionada pela sustentabilidade de nossas escolhas. Pense nisso, ainda hoje. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GUSTAVO CERBASI é autor de "Casais Inteligentes Enriquecem Juntos" (ed. Gente) e "Investimentos Inteligentes" (Thomas Nelson).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-8707512998487886420?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/8707512998487886420/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=8707512998487886420' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/8707512998487886420'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/8707512998487886420'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2011/09/e-se-o-futuro-chegasse-hoje.html' title='E se o futuro chegasse hoje?'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-9079035800000246182</id><published>2011-09-12T14:10:00.000-07:00</published><updated>2011-09-12T14:11:56.394-07:00</updated><title type='text'>Retrato</title><content type='html'>Hoje Tetê me trouxe uma lembrança de mim&lt;br /&gt;Memória do meu rosto de menina:&lt;br /&gt;Cabelos repartidos e presos lateralmente&lt;br /&gt;Olhos grandes, longas pestanas&lt;br /&gt;Rosto redondo de anjo&lt;br /&gt;Olhar penetrante, curioso, observador&lt;br /&gt;Tive saudade de mim,&lt;br /&gt;De um tempo que só se foi externamente&lt;br /&gt;Pois continua dentro de mim&lt;br /&gt;Tetê, que mágica você fez!...&lt;br /&gt;Estava tão distraída...&lt;br /&gt;Você me trouxe de volta para mim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília &lt;br /&gt;11- -09-11&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-9079035800000246182?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/9079035800000246182/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=9079035800000246182' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/9079035800000246182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/9079035800000246182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2011/09/retrato.html' title='Retrato'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-3144404510915106862</id><published>2011-07-08T14:09:00.000-07:00</published><updated>2011-08-31T14:51:00.319-07:00</updated><title type='text'>Ordem e Caos</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-_mZHa_Bm47o/Tl6sfmC7haI/AAAAAAAAAEQ/ozNdktn66-c/s1600/Escher%2B%2BOrdem%2Be%2BCaos.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-_mZHa_Bm47o/Tl6sfmC7haI/AAAAAAAAAEQ/ozNdktn66-c/s200/Escher%2B%2BOrdem%2Be%2BCaos.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5647140641557939618" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ordem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mesa posta&lt;br /&gt;A garrafa cheia&lt;br /&gt;O desejo contido&lt;br /&gt;O equilíbrio&lt;br /&gt;O cabelo feito&lt;br /&gt;A casa arrumada&lt;br /&gt;Tempo presente privilegiado&lt;br /&gt;Noite e dia adequadamente vividos&lt;br /&gt;Sonho e realização na mesma proporção&lt;br /&gt;Controle, contenção&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Talvez só fora de nós&lt;br /&gt;a ordem, a perfeição-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embalagem vazia&lt;br /&gt;A cama desfeita&lt;br /&gt;Água vazando pela torneira&lt;br /&gt;O coração em frangalhos&lt;br /&gt;Incoerência, &lt;br /&gt;Desligamento&lt;br /&gt;Improviso&lt;br /&gt;Cabelos em desalinho&lt;br /&gt;Olhar perdido&lt;br /&gt;E à flor da pele as emoções&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas linhas que se misturam, entrelaçam&lt;br /&gt;Minha vida, meu retrato&lt;br /&gt;Fragmentos talvez de outras vidas&lt;br /&gt;Luz, sombra, alternância, repetição...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inspiração em desenho de M. C. Escher &lt;br /&gt;Exposição no CCBB de São Paulo em julho 2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-3144404510915106862?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/3144404510915106862/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=3144404510915106862' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/3144404510915106862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/3144404510915106862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2011/07/ordem-mesa-posta-garrafa-cheia-o-desejo.html' title='Ordem e Caos'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-_mZHa_Bm47o/Tl6sfmC7haI/AAAAAAAAAEQ/ozNdktn66-c/s72-c/Escher%2B%2BOrdem%2Be%2BCaos.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-7368644578739380168</id><published>2011-06-14T12:51:00.000-07:00</published><updated>2011-06-14T12:55:17.089-07:00</updated><title type='text'>Meu irmão Kierkegaard</title><content type='html'>LUIZ FELIPE PONDÉ&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;________________________________________&lt;br /&gt;Somos um nada que ama. Tanto a angústia como o amor são "virtudes práticas" que demandam coragem &lt;br /&gt;________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;QUANDO VOCÊ estiver lendo esta coluna, estarei em Copenhague, Dinamarca, terra do filósofo Soren Kierkegaard (1813-1855), pai do existencialismo. Ao falarmos em existencialismo, pensamos em gente como Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Albert Camus, tomando vinho em Paris, dizendo que a vida não tem sentido, fumando cigarros Gitanes.&lt;br /&gt;O ancestral é Pascal, francês do século 17, para quem a alma vive numa luta entre o "ennui" (angústia, tédio) e o "divertissement" (divertimento, distração, este, um termo kierkegaardiano).&lt;br /&gt;O filósofo dinamarquês afirma que nós somos "feitos de angústia" devido ao nada que nos constitui e à liberdade infinita que nos assusta.&lt;br /&gt;A ideia é que a existência precede a essência, ou seja, tudo o que constitui nossa vida em termos de significado (a essência) é precedido pelo fato que existimos sem nenhum sentido a priori.&lt;br /&gt;Como as pedras, existimos apenas. A diferença é que vivemos essa falta de sentido como "condenação à liberdade", justamente por sabermos que somos um nada que fala. A liberdade está enraizada tanto na indiferença da pedra, que nos banha a todos, quanto no infinito do nosso espírito diante de um Deus que não precisa de nós.&lt;br /&gt;O filósofo alemão Kant (século 18) se encantava com o fato da existência de duas leis. A primeira, da mecânica newtoniana, por manter os corpos celestes em ordem no universo, e a segunda, a lei moral (para Kant, a moral é passível de ser justificada pela razão), por manter a ordem entre os seres humanos.&lt;br /&gt;Eu, que sou uma alma mais sombria e mais cética, me encanto mais com outras duas "leis": o nada que nos constitui (na tradição do filósofo dinamarquês) e o amor de que somos capazes.&lt;br /&gt;Somos um nada que ama.&lt;br /&gt;A filosofia da existência é uma educação pela angústia. Uma vez que paramos de mentir sobre nosso vazio e encontramos nossa "verdade", ainda que dolorosa, nos abrimos para uma existência autêntica.&lt;br /&gt;Deste "solo da existência" (o nada), tal como afirma o dinamarquês em seu livro "A Repetição", é possível brotar o verdadeiro amor, algo diferente da mera banalidade.&lt;br /&gt;É conhecida sua teoria dos três estágios como modos de enfrentamento desta experiência do nada. O primeiro, o estético, é quando fugimos do nada buscando sensações de prazer. Fracassamos. O segundo, o ético, quando fugimos nos alienando na certeza de uma vida "correta" (pura hipocrisia). Fracassamos. O terceiro, o religioso, quando "saltamos na fé", sem garantias de salvação. Mas existe também o "abismo do amor".&lt;br /&gt;Sua filosofia do amor é menos conhecida do que sua filosofia da angústia e do desespero, mas nem por isso é menos contundente.&lt;br /&gt;Seu livro "As Obras do Amor, Algumas Considerações Cristãs em Forma de Discursos" (ed. Vozes), traduzido pelo querido colega Álvaro Valls, maior especialista no filósofo dinamarquês no Brasil, é um dos livros mais belos que conheço.&lt;br /&gt;A ideia que abre o livro é que o amor "só se conhece pelos frutos". Vê-se assim o caráter misterioso do amor, seguido de sua "visibilidade" apenas prática.&lt;br /&gt;Angústia e amor são "virtudes práticas" que demandam coragem.&lt;br /&gt;Kierkegaard desconfia profundamente das pessoas que são dadas à felicidade fácil porque, para ele, toda forma de autoconhecimento começa com um profundo entristecimento consigo mesmo.&lt;br /&gt;Numa tradição que reúne Freud, Nietzsche e Dostoiévski (e que se afasta da banalidade contemporânea que busca a felicidade como "lei da alma"), o dinamarquês acredita que o amor pela vida deita raízes na dor e na tristeza, afetos que marcam o encontro consigo mesmo.&lt;br /&gt;Deixo com você, caro leitor, uma de suas pérolas:&lt;br /&gt;"Não, o amor sabe tanto quanto qualquer um, ciente de tudo aquilo que a desconfiança sabe, mas sem ser desconfiado; ele sabe tudo o que a experiência sabe, mas ele sabe ao mesmo tempo que o que chamamos de experiência é propriamente aquela mistura de desconfiança e amor... Apenas os espíritos muito confusos e com pouca experiência acham que podem julgar outra pessoa graças ao saber."&lt;br /&gt;Infelizes os que nunca amaram. Nunca ter amado é uma forma terrível de ignorância.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-7368644578739380168?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/7368644578739380168/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=7368644578739380168' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/7368644578739380168'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/7368644578739380168'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2011/06/meu-irmao-kierkegaard.html' title='Meu irmão Kierkegaard'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-8448290518097838990</id><published>2011-05-26T07:08:00.000-07:00</published><updated>2011-05-26T07:12:06.722-07:00</updated><title type='text'>Em busca de limite</title><content type='html'>ROSELY SAYÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;O que temos feito para que os jovens amem a vida, tenham respeito por si mesmos e construam um futuro?&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Socorro! Não estou sentindo nada/ Nem medo nem calor nem fogo/ Não vai dar mais pra chorar/ Nem pra rir... Socorro!"&lt;br /&gt;Esse é o trecho inicial de uma canção, composta por Arnaldo Antunes e Alice Ruiz, que foi bem lembrada por uma conhecida que passou um Dia das Mães bem difícil.&lt;br /&gt;Nesse dia, ela enfrentou a morte de dois jovens de 21 anos: um primo e a irmã de uma amiga. Os dois perderam a vida em situações bem semelhantes que envolveram a combinação jovem + ingestão de bebida alcoólica + direção em alta velocidade.&lt;br /&gt;"Como ajudar esses jovens?", perguntou. A questão que ela dolorosamente levantou faz muito sentido.&lt;br /&gt;Hoje, acidentes de trânsito são uma das maiores causas da morte de jovens, e as estatísticas apontam que a embriaguez está presente principalmente quando as vítimas têm entre 18 e 30 anos.&lt;br /&gt;O que temos feito para que esses jovens amem a vida, desenvolvam o autocuidado e atitudes de respeito por si mesmos, tratem suas emoções com delicadeza e construam um projeto de vida que lhes permita olhar para o futuro como um alvo a ser alcançado e não uma fatalidade ou determinação?&lt;br /&gt;Temos estimulado o consumo na vida deles, de todos os modos. Carro, telefone celular e computador, por exemplo, não são desejados por eles pelas suas funções básicas e sim pelo modelo, pelas funções complementares, pela aparência e, principalmente, pelo status que a posse desses objetos lhes confere.&lt;br /&gt;O carro não é um sonho de consumo para os jovens por facilitar suas vidas pela locomoção de um lugar para outro, por exemplo.&lt;br /&gt;Vale muito mais, quando não somente, pelo valor que ele agrega à sua pessoa. Um jovem sente que tem mais valor quando tem um carro, mesmo que não tenha sido fruto de seu trabalho.&lt;br /&gt;E o que falar da competição? Desde que são pequenos, desejamos que sejam os melhores, os primeiros da fila, os campeões. Mas, fora do esporte, a competição não facilita a vida de nossos jovens.&lt;br /&gt;Ao contrário: funciona como uma pressão muitas vezes avassaladora.&lt;br /&gt;Vocês sabem que os jovens, no ano do vestibular, contam, muitas vezes estimulados pelas escolas, quantos são os pares que precisam derrubar para entrar na faculdade almejada?&lt;br /&gt;Ah! Não podemos esquecer também que, de muitas formas, ensinamos a eles que o que vale na vida é a curtição do aqui e agora: prazer e diversão devem ser os ingredientes básicos do cotidiano que vivem.&lt;br /&gt;E assim vivem eles, de balada a balada, de beijo a beijo, de uma rede virtual a outra, de uma transa a outra, de um esporte radical a outro.&lt;br /&gt;Mas, pelo jeito, isso não está dando certo. Estudos de todas as partes do mundo acusam: as taxas de suicídio entre os jovens têm aumentado assustadoramente, e nosso país não é uma exceção a essa tendência.&lt;br /&gt;Precisamos ouvir esses jovens. O que os inquieta, o que lhes tira a tranquilidade, qual a visão de mundo que eles têm? O que eles aprendem conosco, o que criticam em nosso modo de viver, quem são seus oponentes?&lt;br /&gt;Um jovem conhecido me procurou para trocar ideias a respeito da sua vida e começou logo dizendo que me procurara por saber que eu não conversaria com ele como se fosse sua amiga e que ele sabia que, caso ele precisasse, eu daria uns "toques pesados" para ele.&lt;br /&gt;Traduzindo: o que ele pedia era uma escuta atenciosa e, depois, uma bronca. Que ele levou por merecimento ""aliás, ele já sabia disso desde o início de nossa conversa"" e gostou de ter levado.&lt;br /&gt;De jovens, bastam eles. A juventude exaure, sabia leitor? Talvez nossos jovens precisem da companhia de pessoas mais velhas, dos adultos, por exemplo. Onde estão eles? Curtindo sua própria juventude já ida...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-8448290518097838990?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/8448290518097838990/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=8448290518097838990' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/8448290518097838990'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/8448290518097838990'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2011/05/em-busca-de-limite.html' title='Em busca de limite'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-8369826493609113224</id><published>2011-05-21T11:33:00.000-07:00</published><updated>2011-05-21T11:34:37.076-07:00</updated><title type='text'>Considerações sobre novos desejos</title><content type='html'>CONTARDO CALLIGARIS &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;________________________________________&lt;br /&gt;Causa da depressão pode não ser perda e frustração, mas a chegada de novo desejo, que é silenciado &lt;br /&gt;________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UM JOVEM não sabe o que ele está a fim de fazer da vida, e os pais pedem que eu descubra qual é o desejo do filho, de modo que ele possa escolher o vestibular e a profissão que ele "realmente" gostaria.&lt;br /&gt;Na mesma semana, encontro um adulto que acha que, de fato, nunca fez nada por desejo. Embora bem-sucedido, queixa-se de que suas escolhas (profissionais e amorosas) sempre teriam sido circunstanciais, efeitos de oportunidades encontradas ao longo do caminho. Ele pede, antes que seja tarde, que eu o ajude a descobrir qual é "realmente" o seu desejo.&lt;br /&gt;Nos dois casos, o pressuposto é o mesmo: quem viver segundo seu desejo será, no mínimo, mais alegre. Esta é mesmo uma boa definição da alegria: a sensação de que nosso desejo está engajado no que estamos fazendo, ou seja, de que nossa vida não acontece por inércia e obrigação. Inversa e logicamente, muitos estimam dever sua (grande ou pequena) infelicidade ao fato de terem dirigido a vida por caminhos que - eles declaram - não eram exatamente os que eles queriam.&lt;br /&gt;Pois bem, esse pressuposto e os pedidos que recebi se chocam com esta constatação: o "nosso desejo" nunca é UM desejo definido por UM objeto ou por UM projeto. Não existe, nem escrito lá no fundo escondido de nossa mente, UM querer definido, que poderíamos descobrir e, logo, praticar com afinco e satisfação porque estaríamos fazendo aquela coisa ou caçando aquele objeto aos quais éramos, por assim dizer, destinados. Nada disso: de uma certa forma, todos os objetos e os projetos se valem, e nenhum é "nosso" objeto ou projeto específico. Ou seja, nós desejamos sempre segundo as circunstâncias, os encontros, as oportunidades - segundo as tentações, se você preferir.&lt;br /&gt;Somos volúveis? Nem tanto, pois cada objeto e projeto não substitui necessariamente o anterior. O que acontece é que desejar é uma atividade inventiva a jato contínuo.&lt;br /&gt;Por consequência, mesmo quando estamos alegremente convencidos de estar fazendo o que queremos com nossa vida, nunca estamos ao abrigo do surgimento de desejos novos.&lt;br /&gt;Claro, podemos aceitar esses desejos novos. Por exemplo, em "As Confissões de Schmidt" (que não é um grande filme), de A. Payne, com Jack Nicholson, o protagonista acorda de noite, olha para sua mulher de sei lá quantos anos e se pergunta estupefato: "Quem é esta mulher que dorme na minha cama?". Logo, ele dá um rumo novo à sua vida, colocando o pé na estrada. Mas a expressão de seus novos desejos é fortemente facilitada por duas circunstâncias: providencialmente, o protagonista se aposenta e fica viúvo. Nessas condições, escutar novos desejos fica fácil, não é?&lt;br /&gt;Agora, imaginemos alguém que esteja no meio de sua vida profissional e num bom momento de sua vida amorosa. Nesse caso, provavelmente, o novo desejo será silenciado, reprimido, menosprezado ("deixe para lá, é besteira"). Resultado: o indivíduo continuará declarando que está vivendo a vida que ele queria (e, em parte, será verdade); só que, de repente, sem entender por quê, ele perderá sua alegria.&lt;br /&gt;Por que razão nosso indivíduo negligenciaria seus novos desejos? Simples: por serem novos, eles acarretam a ameaça de uma ruptura no presente: afetos e laços que poderiam ser perdidos, medo da solidão e preguiça dos esforços necessários para reinventar a vida.&lt;br /&gt;Infelizmente, essa negligência tem um custo alto. Sempre entendi assim a "Metamorfose", de Kafka: alguém acorda, e o que até então era uma vida normal e legal, de repente, aos seus olhos, é uma vida de barata.&lt;br /&gt;Nota útil para a clínica da depressão. Às vezes, procuramos em vão as causas de uma depressão; será que houve lutos ou perdas? Nada disso; está tudo bem, trabalho, família, filhos e tal, mas o indivíduo entristece, volta a fumar e a beber como se quisesse encurtar a vida, engorda como se estivesse num mar de frustração e precisasse de gratificações alternativas.&lt;br /&gt;Em muitas dessas vezes, a origem da depressão não é uma perda, nem propriamente uma frustração, mas a aparição de um desejo novo que não foi reconhecido. E os novos desejos, sobretudo quando são silenciados, desvalorizam a vida que estamos vivendo.&lt;br /&gt;Moral da fábula: 1) Não existem vidas definitivamente resolvidas, pois novos desejos surgem sempre; 2) É bom reconhecer os novos desejos, mesmo que deixemos de realizá-los.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-8369826493609113224?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/8369826493609113224/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=8369826493609113224' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/8369826493609113224'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/8369826493609113224'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2011/05/consideracoes-sobre-novos-desejos.html' title='Considerações sobre novos desejos'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-4942143047051510698</id><published>2011-05-15T09:14:00.000-07:00</published><updated>2011-05-15T09:17:50.298-07:00</updated><title type='text'>Fim de Festa</title><content type='html'>CARLOS HEITOR CONY&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RIO DE JANEIRO - E, quando melhores estão as coisas, surge a vontade antiga: acreditar outra vez. Já nem importa simplesmente acreditar em quê, mas acreditar em si mesmo, no amor, no trabalho, na virtude, no inferno ou no nada.&lt;br /&gt;A culpa já não é mais da vida -é nossa. E nisso não há consolo nem glória. Deixamos que as coisas se gastassem e, de tanto evitá-las, de tanto nos guardar para uma oportunidade que nunca veio -e agora sabemos que não adianta vir-, construímos o vácuo que nos conserva monotonamente iguais e frios, como um réptil de duras escamas, a esconder a fragilidade de uma carne virgem e condenada a ser carne.&lt;br /&gt;Também não é o caso de desesperar. O desespero é solução da tribo dos traídos ou dos ofendidos -e, à distância em que nos colocamos dos seres e das coisas, ficamos protegidos das traições e das ofensas. "Turris eburnea, ora pro nobis" -nem adianta repetir as ladainhas da infância nem as imprecações e blasfêmias da mocidade.&lt;br /&gt;Isto posto, seguir em frente (se ainda há frente), com a certeza de que não vai acontecer nada, nem mesmo a morte.&lt;br /&gt;De tanto esperá-la, de tanto temê-la, assimila-se a morte como um acontecimento presente, que está acontecendo a cada minuto, neste momento, espremendo o corpo contra o tempo que ainda falta curtir -igualzinho a um fim de férias, de festa ou de recreio que sabemos que vai acabar daqui a pouco e não adianta iniciarmos nova conversa ou nova brincadeira: não haverá tempo.&lt;br /&gt;Sobra então o compromisso com a hora da hora em torno da hora -e qualquer brincadeira ou conversa será sem sentido. E enquanto tudo não acaba, há tempo para pensar em tudo, tempo para pensar no tempo, vontade de ter vontade.&lt;br /&gt;Mesmo assim, no corredor final, a vida vale a pena mesmo que a alma seja pequena?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-4942143047051510698?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/4942143047051510698/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=4942143047051510698' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/4942143047051510698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/4942143047051510698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2011/05/fim-de-festa.html' title='Fim de Festa'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-8362309237081764398</id><published>2011-05-06T14:23:00.000-07:00</published><updated>2011-05-06T14:32:31.440-07:00</updated><title type='text'>Uma nova terra, um novo chão</title><content type='html'>Uma nova terra&lt;br /&gt;um novo som&lt;br /&gt;em diferentes instrumentos...&lt;br /&gt;Quem irá tocá-los&lt;br /&gt;num ritmo que não é o meu?&lt;br /&gt;Será o teu?&lt;br /&gt;Enquanto o sol adormece&lt;br /&gt;num crepúsculo encantador&lt;br /&gt;penso na terra que deixei...&lt;br /&gt;Por lá alguém!&lt;br /&gt;Uma nova terra, um novo chão...&lt;br /&gt;Meu novo desabrochar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vera de Barcellos&lt;br /&gt;( minha nova amiga)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-8362309237081764398?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/8362309237081764398/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=8362309237081764398' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/8362309237081764398'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/8362309237081764398'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2011/05/uma-nova-terra-um-novo-chao.html' title='Uma nova terra, um novo chão'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-405290397674367988</id><published>2011-05-04T12:00:00.000-07:00</published><updated>2011-05-04T12:03:10.349-07:00</updated><title type='text'>A forma e a função</title><content type='html'>LULI RADFAHRER&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A tecnologia não copia a inteligência: ela mimetiza o processo sofisticado e complexo que é a vida &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É interessante pensar que, por mais que muitos se queixem da velocidade e da abrangência das mudanças, são poucos aqueles capazes de imaginar um mundo sem internet ou telefones celulares. As tecnologias, quando bem-sucedidas, têm uma tendência natural a se misturar com os processos que amplificam e se tornarem invisíveis. Pense em logística ou energia elétrica, por exemplo: elas transformaram o cotidiano de tal forma que a sua ausência é quase uma curiosidade histórica ou antropológica.&lt;br /&gt;Com a digitalização e as redes acontece a mesma coisa. Elas criam novos desafios à medida que resolvem os problemas das épocas passadas, em um processo de complexidade crescente e desequilíbrio permanente, em que não há estado ideal ou final. Nunca poderemos dizer que o mundo foi computadorizado ou digitalizado para sempre. Não dá nem para saber o que isso significa, ou mesmo se estaremos por lá para testemunhá-lo. A ideia de um problema "resolvido" ou "perfeito" é uma ilusão de controle típica do homem ocidental.&lt;br /&gt;É fundamental compreender o progresso em sua verdadeira forma. O grande erro dos cientistas da informação do século passado foi acreditar que a tecnologia poderia sintetizar a inteligência. O que ela mimetiza, na verdade, é um processo muito mais sofisticado e complexo: a própria vida, em que pequenos organismos, frágeis e codependentes, se apoiam e parasitam mutuamente, resolvendo seus problemas em grupo enquanto criam outros, em um ciclo evolutivo infinito.&lt;br /&gt;Pelo que se vê hoje, o mundo do futuro deverá ter um ecossistema de milhões de aparelhos tecnológicos de diversos tamanhos, cujos comportamentos parecerão orgânicos. Ele não será, como se pensava no início do Modernismo, um sistema único, eficiente, industrial, minimamente planejado e limpo. Pelo contrário, hoje a inovação tem mais a cara daquilo que o mercado quiser pagar, mesmo que não seja necessariamente melhor para seus usuários, do que a invenção genial de um cientista louco. Não é melhor nem pior, só é diferente.&lt;br /&gt;Estamos saindo de um sistema em que a forma seguia a função e que tudo fazia sentido mecânico para um ambiente simbólico em que as máquinas morrem mais rápido que seus usuários e que a forma não consegue nem saber qual é a sua função. Deixadas de lado questões práticas de ergonomia, hoje a função é a manifestação microscópica das ideias. Ela cabe em uma antena, em um chip de silício. E pode ser mudada a qualquer instante.&lt;br /&gt;Como toda ideia, os novos objetos --um iPad, por exemplo-- não aceitam definições absolutas e estão em constante mutação. É fácil entender por que tantos sofrem crises de identidade.&lt;br /&gt;A era das certezas vem chegando ao seu final, e a falta de referências é típica de um ambiente cujos parâmetros são fragmentados e mudam o tempo todo. Se hoje os hábitos, as tradições e a continuidade vêm desaparecendo, é porque perdem terreno para a flexibilidade, a mobilidade, a imaginação e a criatividade.&lt;br /&gt;Não é o fim do mundo como o conhecemos, mas é o fim de um modo de pensar que tentou controlar o ambiente à sua volta. Se essa transição provoca insegurança, vale lembrar que o taoísmo e o budismo sempre disseram que todo movimento só é causado pelo constante desequilíbrio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-405290397674367988?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/405290397674367988/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=405290397674367988' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/405290397674367988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/405290397674367988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2011/05/forma-e-funcao.html' title='A forma e a função'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-8968176968502883997</id><published>2011-04-17T17:21:00.000-07:00</published><updated>2011-04-17T17:27:28.156-07:00</updated><title type='text'>Curiosidade despertada</title><content type='html'>&lt;strong&gt;A verdade&lt;/strong&gt; ELIANE CANTANHÊDE O artigo autobiográfico do economista Persio Arida na revista "Piauí" é uma preciosidade. Num texto primoroso, ele coloca as coisas no seu devido lugar, mostrando os erros horrendos dos militares da época, mas também reconhecendo o quão equivocada foi a luta armada. Não apenas na tática, mas igualmente nos propósitos. Sem querer, Persio dá um roteiro impecável para a Comissão da Verdade que tramita no Congresso e se propõe a reconstituir a história como ela é, pelo lado que ganhou à época e pelo que ganhou agora. Ali estão, contados com a serenidade possível, praticamente dispensando adjetivos, a sua prisão, a tortura, a asfixia pela asma não medicada, o impacto do assassinato do militante Bacuri. É o que a esquerda quer da comissão. Mas ali está igualmente uma reflexão madura, honesta e corajosa sobre os erros da militância armada -e avaliação, execução e objetivo. E é isso o que os militares reivindicam da comissão. Ao falar sobre a luta armada, Persio lembra sua angústia ao finalmente admitir para si próprio: "O que teria acontecido com os direitos humanos se aquele movimento tivesse dado certo?". E responde: "Sua dinâmica continha o mesmo vírus que fez, em outros momentos da história, militantes de excepcional pureza revolucionária se transformarem, no poder, em mandantes de mortes em massa e de torturas. (...) O terror legitimado pela utopia revolucionária. Teríamos trocado seis por meia dúzia". Então, vamos trucidar mais uma vez os militantes que já foram literalmente trucidados? Desdenhar dos que foram presos, torturados, humilhados e alquebrados? Não. Nem Persio o fez. Sua conclusão, machadiana, diz tudo numa única frase: "A militância contribuiu, por vias tortas, para a volta da democracia -mas nisso se esgotara todo o seu sentido". Eis uma boa reflexão para a história -não só a dele, mas a do país.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-8968176968502883997?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/8968176968502883997/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=8968176968502883997' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/8968176968502883997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/8968176968502883997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2011/04/curiosidade-despertada.html' title='Curiosidade despertada'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-5551582930056306222</id><published>2011-03-26T08:14:00.000-07:00</published><updated>2011-03-26T08:15:46.090-07:00</updated><title type='text'>Solidão crônica</title><content type='html'>DRAUZIO VARELLA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;A solidão crônica interfere na qualidade do sono, causa fadiga e reduz a sensação de prazer &lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ISOLAMENTO social aumenta o risco de morte tanto quanto o cigarro, e mais do que o sedentarismo ou a obesidade.&lt;br /&gt;A relação entre vida solitária, doenças cardiovasculares, depressão e incidência de infecções foi demonstrada em mais de cem estudos epidemiológicos publicados a partir dos anos 1980. Esses estudos, no entanto, não explicam os mecanismos através dos quais o isolamento aumenta a mortalidade.&lt;br /&gt;Nos últimos dez anos, os efeitos biológicos da solidão se tornaram mais conhecidos graças ao trabalho inovador de um grupo da Universidade de Chicago, dirigido por John Cacciopo.&lt;br /&gt;Por meio de questionários para avaliar o grau de isolamento social dos participantes de testes psicológicos e de exames laboratoriais, o grupo de Chicago concluiu que embora episódios passageiros de solidão sejam inevitáveis e desprovidos de repercussões orgânicas relevantes, quando o isolamento persiste de forma crônica, suas consequências se tornam especialmente nocivas.&lt;br /&gt;Algumas pessoas que vivem isoladas não se sentem solitárias, enquanto outras têm a sensação de estar sozinhas apesar da vida social intensa. A percepção subjetiva da solidão é mais importante para o bem-estar individual do que qualquer medida objetiva do número de interações sociais.&lt;br /&gt;Numa escala criada para avaliar o grau de isolamento pessoal, aqueles com escore mais alto apresentam alterações bioquímicas sugestivas de que seus dias são conturbados. Neles, por exemplo, estão elevadas as concentrações urinárias de cortisol e epinefrina, moléculas associadas aos níveis de estresse.&lt;br /&gt;Esse dado ajuda a explicar porque os solitários crônicos ficam estressados diante de situações que outros enfrentam com naturalidade, como falar em público ou conversar com desconhecidos.&lt;br /&gt;Na evolução de nossa espécie, a ansiedade provocada pela solidão funcionou como sinal de alerta para que o indivíduo procurasse a proteção do grupo. Num mundo povoado por predadores, que chance de sobrevivência teria um animal fraco como nós perambulando sozinho?&lt;br /&gt;Nesse sentido, o sofrimento que a solidão traz é faca de dois gumes: de um lado, colabora para a adaptação ao meio porque favorece o agrupamento; de outro, prejudica o organismo quando se torna crônico.&lt;br /&gt;O grupo de Chicago investigou as repercussões imunológicas do isolamento prolongado. Nos solitários estão mais ativos os genes que promovem inflamação, enquanto aqueles envolvidos na resposta imune contra os vírus exibem atividade diminuída. Por essa razão, eles apresentam maior susceptibilidade às infecções virais (da gripe ao HIV) e à doença cardiovascular, enfermidade associada aos processos inflamatórios.&lt;br /&gt;A solidão crônica interfere com a qualidade do sono, é causa de fadiga e reduz a sensação de prazer associada a atividades recreativas. Para agravar o isolamento, os já solitários tendem a reagir negativamente aos estímulos e a desenvolver impressões depreciativas a respeito das pessoas com as quais interagem.&lt;br /&gt;A avaliação das funções cerebrais por meio de ressonância magnética funcional, mostra que a solidão crônica afeta o córtex pré-frontal, área localizada na parte da frente do cérebro, crucial para a tomada de decisões racionais, como as de planejar o melhor caminho para o trabalho ou a hora de ir ao banco.&lt;br /&gt;O comprometimento do córtex pré-frontal ajuda a entender por que as pessoas que se sentem isoladas correm mais risco de comer mal, fumar, abusar do álcool, ganhar peso e levar vida sedentária.&lt;br /&gt;Estudos com irmãos gêmeos revelam que a solidão crônica não depende exclusivamente das características do meio, mas apresenta aspectos hereditários. É como se existisse um "termostato genético" para a capacidade de lidar com a solidão, ajustado em níveis diferentes em cada um de nós.&lt;br /&gt;Isso não quer dizer que nossos genes nos condenariam à vida solitária, mas que estão por trás da intensidade da dor sentida quando estamos sós.&lt;br /&gt;Com o celular e a internet criamos possibilidades ilimitadas de interações sociais, num único dia podemos entrar em contato com um número de pessoas que nossos antepassados levariam anos para conhecer. Contraditoriamente, o contingente dos que se queixam da falta de alguém com quem compartilhar sentimentos íntimos aumenta em todos os países.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-5551582930056306222?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/5551582930056306222/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=5551582930056306222' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/5551582930056306222'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/5551582930056306222'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2011/03/solidao-cronica.html' title='Solidão crônica'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-1192042198899779778</id><published>2011-03-26T08:10:00.000-07:00</published><updated>2011-03-26T08:11:33.324-07:00</updated><title type='text'>DESCRIÇÃO</title><content type='html'>O fundo é rosa marmorizado;&lt;br /&gt;a moldura e os números são dourados.&lt;br /&gt;O cabelo é negro, a vestimenta larga.&lt;br /&gt;De longe não a vejo bem (imagem desfocada);&lt;br /&gt;mas sei que tem os olhos baixos e os braços frágeis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo a prende, lhe pesa,&lt;br /&gt;a conserva como estátua&lt;br /&gt;-róseos laços, esfera dourada.&lt;br /&gt;Chego mais perto, lhe querendo ver os traços&lt;br /&gt;mas sei de antemão que são belos e enigmáticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estranha, idealizada figura de mulher,&lt;br /&gt;em um pedestal colocada,&lt;br /&gt;a ele atada solitariamente,&lt;br /&gt;a preencher através do tempo,&lt;br /&gt;o sonho e o ideal de toda a humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(calendário, abril de 1998)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-1192042198899779778?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/1192042198899779778/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=1192042198899779778' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/1192042198899779778'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/1192042198899779778'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2011/03/descricao.html' title='DESCRIÇÃO'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-258666446391176496</id><published>2011-03-22T20:13:00.000-07:00</published><updated>2011-03-22T20:15:55.962-07:00</updated><title type='text'>Uma crítica do ótimo "Cópia Fiel"</title><content type='html'>“Cópia Fiel” mostra a natureza instável do amor&lt;br /&gt;17/3/2011 10:32,  Redação, com Reuters - de São Paulo &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melhor atriz no Festival de Cannes 2010, Juliette Binoche resplandece em Cópia Fiel, novo filme do diretor iraniano Abbas Kiarostami. Refletindo uma preocupação presente ao longo da própria obra de Kiarostami e de outros cineastas iranianos, bem como particularmente num trabalho recente do brasileiro Eduardo Coutinho (Jogo de Cena), Cópia Fiel constroi um admirável jogo de verdades e mentiras de um casal, formado por Juliette Binoche e o cantor lírico britânico William Shimell, estreando no cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdadeira natureza do relacionamento destes dois é uma das chaves da descoberta da história, cheia de camadas, climas e evocações. Filmado em belíssimos cenários da Toscana, o filme é uma joia intimista, pulsante nos rostos de seus atores e em que o uso do discurso amoroso – oscilando entre o inglês, o francês e o italiano – é movido pelas chamas, ora amortecidas, ora vibrantes, da maturidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas primeiras cenas, vê-se o escritor James Miller (Shimell) chegando a uma cidadezinha italiana para uma palestra sobre seu novo livro sobre arte, que se chama justamente Cópia Fiel. A partir de detalhes aparentemente banais, evidencia-se um dos temas do filme, sobre as contínuas interrupções do discurso, qualquer que seja. Como quando a apresentação de Miller é interrompida pelo toque de seu próprio celular e pela entrada de uma espectadora atrasada (Juliette Binoche) e seu filho (Adrian Moore).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato de que ela se senta entre os lugares reservados na plateia e que cochiche com o tradutor do livro, ao seu lado, parece evidenciar que ela é íntima do escritor. Mais tarde, uma conversa com o filho dá a pista de que, na verdade, ela procura essa intimidade. Quando Miller e ela finalmente se encontram, na loja de antiguidades dela, eles parecem na verdade estranhos que podem ou não querer se conhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem querer estragar o jogo da narrativa, o relacionamento entre os dois atravessa vários climas, da tentativa de sedução ao compartilhamento de lembranças e sensações. É como se estes dois tivessem vivido algumas vidas diferentes e, em algumas, se encontrado, noutras, se perdido – sem que isso acarrete nada de sobrenatural, apenas experiências diversas ao longo dos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além da natureza instável do amor, Cópia Fiel toca outros temas – o primeiro deles, o que dá nome à obra, em torno da importância da discussão sobre o que é autêntico ou falsificado, e o valor, relativo ou absoluto, das muitas cópias encontradas no mundo da arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta discussão, é envolvido inclusive um casal de passagem, (o famoso roteirista Jean-Claude Carrière e Agathe Natanson). Justamente quando procura engajá-los a favor de seus argumentos, a protagonista encontra no passante ocasional um intérprete ideal do que está, emocionalmente, tentando dizer a Miller – sem que este a entenda, independentemente da língua que ela fale.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas várias línguas que se sobrepõem são o símbolo vivo das várias camadas de incompreensão que podem se acumular entre as pessoas nesta Babel que não é só linguística, mas sobretudo emocional e amorosa. Os vários casais que aparecem no filme – os jovens noivos apaixonados que se sucedem para uma foto junto a uma estátua tida como portadora de sorte; o par maduro que conduz o filme; e uma dupla de velhinhos que eles encontram perto do final – todos se somam como retratos dos vários tempos do amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa maneira circular de expor seu tema é o grande segredo da magia do filme, que demonstra o engenho raro de sua direção e de sua dupla principal de atores, conduzindo-se esta espiral de sensações com inteligência e sutileza exemplares. Não é o tipo do filme que se vê todos os dias. Mas é certamente o tipo que se deseja imediatamente rever.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-258666446391176496?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/258666446391176496/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=258666446391176496' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/258666446391176496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/258666446391176496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2011/03/uma-critica-do-otimo-copia-fiel.html' title='Uma crítica do ótimo &quot;Cópia Fiel&quot;'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-6615638547062020354</id><published>2011-02-23T12:46:00.000-08:00</published><updated>2011-02-23T12:58:18.638-08:00</updated><title type='text'>Será?</title><content type='html'>LUIZ FELIPE PONDÉ&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Femmes aux hommes"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;Mulher não gosta de covarde, mesmo que seja covarde em nome dos "direitos femininos"&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MUITAS LEITORAS se queixam de que nunca falo sobre os males masculinos. Hoje, vou pagar uma parte desta dívida. Como todo homem que gosta de mulher, sou um escravo do desejo de deixá-las felizes. Que inferno...&lt;br /&gt;Recentemente, numa entrevista, uma jornalista me perguntou se acredito que os homens tenham medo de mulheres inteligentes. E também o que seria mais importante numa mulher, beleza ou inteligência.&lt;br /&gt;Antes de tudo, um reparo. Neste assunto, não consulte as feministas porque elas não entendem nada de mulher. Tampouco pergunte aos homens que chamam as mulheres de "vítimas sociais", porque são frouxos. Pobres diabos: mulher não gosta de covarde, mesmo que seja covarde em nome dos "direitos femininos".&lt;br /&gt;A segunda pergunta (o que é mais importante numa mulher, a inteligência ou a beleza?) é fácil: a beleza vem em primeiro lugar, nunca a inteligência. Quando um homem disser pra você que ele prefere mulheres inteligentes, ele quer te pegar. Ou, pior, ele tem medo do patrulhamento das feias e das chatas, que no Brasil, graças às deusas, não crescem em número porque as mulheres brasileiras são como dizem os franceses "femmes aux hommes" (mulheres para os homens).&lt;br /&gt;Por que é necessário ter coragem pra dizer que a inteligência feminina não é erotizada pelos homens? Ora bolas, porque atualmente falar para as mulheres que inteligência vale mais do que a beleza é um "dever de todo cidadão".&lt;br /&gt;Uma mulher poderá fazer uma queixa contra você na delegacia da mulher caso você não diga para ela que inteligência numa mulher é fundamental. Não se engane: inteligência nunca é fundamental. Mas, não exagere para o outro lado: as burrinhas enchem o saco depois de duas horas de sexo.&lt;br /&gt;Quanto à primeira questão (os homens têm medo de mulheres inteligentes?), a resposta é simples: sim, sempre; só os mentirosos e medrosos negam este fato. Melhor dizendo, o homem sempre tem medo da mulher, principalmente quando está interessado nela.&lt;br /&gt;Segundo os darwinistas, esta seria uma característica atávica, desde a savana africana. Medo da infidelidade, medo da impotência, medo do ridículo.&lt;br /&gt;Mas há sutilezas nisso tudo. O homem prefere a beleza, mas num relacionamento de longo investimento, outras característica pesam, às vezes, mais do que a beleza pura e simples. Por exemplo, evidências de que ela seja fiel, boa mãe para seus futuros filhos, generosa, doce (coisa rara em mulheres excessivamente competitivas, como é comum em cidades do tipo São Paulo, mas menos comum em outras regiões, como Minas Gerais ou Nordeste onde elas são mais "sorridentes").&lt;br /&gt;Beleza demais pode dar medo quando ela é sua mulher. Garanhões costumam rondar mulheres bonitas demais. Se você só quer "pousar de poderoso" com uma gostosa, tudo bem, mas se quiser viver com ela, aí a coisa pega. Para pilotar um Boeing você tem que ser competente em muita coisa, e nem sempre dá, num cenário violento e volátil como o mundo contemporâneo, onde as mulheres têm mais opção de escolha afetiva e profissional.&lt;br /&gt;Por que, muitas vezes, é tão difícil para as mulheres aceitarem que a inteligência numa mulher não seja essencial? Porque, ao contrário dos homens (esses seres primitivos, insensíveis e promíscuos... risadas...), as mulheres erotizam a inteligência no homem, às vezes, mais do que a beleza pura e simples.&lt;br /&gt;Eu arriscaria dizer que a inteligência quando associada à coragem (virilidade) pode ser um afrodisíaco imbatível para as mulheres numa noite de calor.&lt;br /&gt;Resumo da ópera: a inteligência numa mulher é um risco interno à relação porque o homem pode se sentir "menor" do que ela.&lt;br /&gt;Já a beleza feminina é sempre um risco externo porque o cara sente medo de perdê-la porque sabe como os outros caras pensam.&lt;br /&gt;Já a inteligência num homem nunca é um risco interno à relação porque as mulheres dão nó em qualquer homem. Mas, é sempre um risco externo porque as mulheres sabem como suas parceiras pensam: se, além da inteligência, o cara tiver "atitude" (a soma disso dá em charme), aí, meu bem, se prepare para a cobiça de suas amigas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A experiência que eu tenho lhe dá razão... (Cecília)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-6615638547062020354?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/6615638547062020354/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=6615638547062020354' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/6615638547062020354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/6615638547062020354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2011/02/sera.html' title='Será?'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-8711047328465341779</id><published>2011-02-10T05:58:00.000-08:00</published><updated>2011-02-10T05:59:49.454-08:00</updated><title type='text'>Escrevendo simplesmente...</title><content type='html'>Bem-estar presente (a que devo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um lexapro...  e mais meio&lt;br /&gt;Grupo de amigos&lt;br /&gt;Duas amigas mais íntimas&lt;br /&gt;Filhos de longe dando força&lt;br /&gt;Duas cachorrinhas a fazer companhia&lt;br /&gt;Um objetivo alcançado,&lt;br /&gt;outros ao seu tempo definidos&lt;br /&gt;Olhar, portanto, à frente&lt;br /&gt;e mais importante:&lt;br /&gt;reconhecimento do bem–estar presente&lt;br /&gt;Um pensamento amoroso&lt;br /&gt;( não mais que isso para não perturbar a mente)&lt;br /&gt;Vontade de escrever, criar, aprender&lt;br /&gt;Amor às meninas&lt;br /&gt;Regozijo pela volta do amigo,&lt;br /&gt;Movimento&lt;br /&gt;Esforço para vencer meus medos&lt;br /&gt;Propósito de viver  cada dia plenamente&lt;br /&gt;do alvorecer ao anoitecer&lt;br /&gt;... e de aprender com a noite&lt;br /&gt;que iluminamos para prorrogar o dia,&lt;br /&gt;mas que é perfeita em si mesma,&lt;br /&gt;favorecendo  a contemplação, o descanso&lt;br /&gt;e uma certa inquietação de alma,&lt;br /&gt;necessária para nos reconhecermos únicos,&lt;br /&gt;donos das nossas vivências, emoções e pensamentos.&lt;br /&gt;Valorização do tempo&lt;br /&gt;(com ele, passamos, como os que nos antecederam),&lt;br /&gt;evitando frustração, se não vejo na vida maior sentido...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília    (09-02-11)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-8711047328465341779?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/8711047328465341779/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=8711047328465341779' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/8711047328465341779'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/8711047328465341779'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2011/02/escrevendo-simplesmente.html' title='Escrevendo simplesmente...'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-2568203984053613962</id><published>2011-02-03T16:00:00.000-08:00</published><updated>2011-02-03T16:02:25.486-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Vou retocando a poesia,&lt;br /&gt;quem dera a vida...&lt;br /&gt;Corto, acrescento,&lt;br /&gt;mudo o que não gosto&lt;br /&gt;Filosofo&lt;br /&gt;E ela fica quase como eu queria, &lt;br /&gt;entregando o que penso, sinto&lt;br /&gt;fechando, agora sim, &lt;br /&gt;com  a minha assinatura, data,&lt;br /&gt;peça acabada&lt;br /&gt;transparente, clara...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;02-02-11&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-2568203984053613962?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/2568203984053613962/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=2568203984053613962' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/2568203984053613962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/2568203984053613962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2011/02/vou-retocando-poesia-quem-dera-vida.html' title=''/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-5572314559925087140</id><published>2011-01-07T09:32:00.000-08:00</published><updated>2011-02-02T11:59:15.053-08:00</updated><title type='text'>Pequeno mundo</title><content type='html'>Na imensidão de tudo o que existe&lt;br /&gt;um pequeno ser se move&lt;br /&gt;num espaço também mínimo.&lt;br /&gt;É um ponto quase invisível&lt;br /&gt;feito de intensidade, contradições,&lt;br /&gt;deslumbramentos e medos,&lt;br /&gt;descobertas, reformulações e criações.&lt;br /&gt;Ciente de sua transitoriedade,&lt;br /&gt;tenta deixar marcas de sua passagem.&lt;br /&gt;Para isso procura se superar, &lt;br /&gt;deixar descendência,&lt;br /&gt;fazer brilhar a sua luz, &lt;br /&gt;propagar energia,&lt;br /&gt;que tira da alma, da inteligência e do corpo que as abriga...&lt;br /&gt;Olhando para si, se percebe um mundo&lt;br /&gt;tão complexo como o outro maior em que vive,&lt;br /&gt;sendo dele quase o reflexo ... &lt;br /&gt;E então se conforma com a brevidade da sua existência,&lt;br /&gt;com a essência transitória de todas as coisas...&lt;br /&gt;E passa... levando  consigo&lt;br /&gt; ... um obstinado  flerte com a eternidade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-5572314559925087140?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/5572314559925087140/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=5572314559925087140' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/5572314559925087140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/5572314559925087140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2011/01/pequeno-mundo.html' title='Pequeno mundo'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-6006320365790380927</id><published>2010-12-15T17:53:00.000-08:00</published><updated>2010-12-15T17:54:00.892-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Susto&lt;br /&gt;De amar e não ser amada&lt;br /&gt;De deixar a vida passar em branco&lt;br /&gt;De nada realizar&lt;br /&gt;De ser diferente&lt;br /&gt;Ter um destino diferente&lt;br /&gt;E não aceitá-lo,&lt;br /&gt;Não compreendê-lo&lt;br /&gt;Medo &lt;br /&gt;De ser deixada às traças &lt;br /&gt;De a ninguém agradar&lt;br /&gt;De ficar só&lt;br /&gt;Eternamente&lt;br /&gt;De me sentir tão só&lt;br /&gt;Que a minha dor pareça única, total, incurável,&lt;br /&gt;Incomunicável&lt;br /&gt;Medo,&lt;br /&gt;Que me faz seguir caminhos que não quero&lt;br /&gt;Que parece não me deixar escolha&lt;br /&gt;A não ser fingir ser outra pessoa&lt;br /&gt;Mais aberta, mais solta&lt;br /&gt;Mais firme em suas escolhas,&lt;br /&gt;Tudo entendendo:&lt;br /&gt;O que passou, o que se passa agora;&lt;br /&gt;Dona do futuro, da própria vida,&lt;br /&gt;um ser livre, em paz, vivendo conscientemente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                         Para tantas pessoas, frágeis em sua humanidade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15-06-09&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-6006320365790380927?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/6006320365790380927/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=6006320365790380927' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/6006320365790380927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/6006320365790380927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2010/12/susto-de-amar-e-nao-ser-amada-de-deixar.html' title=''/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-444688761119373591</id><published>2010-12-12T09:51:00.000-08:00</published><updated>2010-12-12T09:55:30.796-08:00</updated><title type='text'>Gênesis</title><content type='html'>Fernanda Torres&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;Mann criou segunda Bíblia para entender a primeira, enquanto Robert Crumb idolatra as mulheres&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O FUNDO do poço já rendeu uma canção belíssima de Caetano Veloso, mas, de todas as obras baseadas em narrativas bíblicas, nenhuma alcança a profundidade de "José e Seus Irmãos".&lt;br /&gt;A saga da família de Jacó, narrada de maneira seca e objetiva no livro sagrado, se transforma, nas mãos do alemão Thomas Mann, em três volumes fartos e detalhados a respeito dos sentimentos de pastores do Crescente Fértil e de faraós do Egito.&lt;br /&gt;"José e Seus Irmãos" abre os trabalhos com uma parábola a respeito do milagre da encarnação e de como a força amalgamadora do amor uniu a carne ao espírito.&lt;br /&gt;Mann, fiel ao prólogo, faz do amor o norte de sua criação, seja na paixão de Jacó por Raquel, que o leva a 14 anos de servidão a Labão, seja na predileção de Jacó por José, primogênito tardio de Raquel, ou na inveja dos irmãos de José, filhos das outras mulheres de Jacó.&lt;br /&gt;Mann segue rigidamente o argumento sagrado, enquanto preenche de alma a carne enxuta das escrituras. As razões íntimas dos personagens, inexistentes no original, desabrocham na sua releitura, é de enlouquecer de tão belo. "José e Seus Irmãos" é leitura obrigatória, uma segunda Bíblia para entender a primeira.&lt;br /&gt;Recentemente, dei cabo do "Gênesis" do artista americano Robert Crumb. Crumb, ao contrário de Mann, não acrescenta nem uma vírgula ao texto bíblico; é através da volúpia de seus traços que a carnalidade da obra se revela ao leitor.&lt;br /&gt;As coxas grossas, as bundas duras e os bicos tesos dos peitos fartos de Crumb parecem ter nascido para ilustrar a ânsia dos hebreus de fazer valer as palavras de Deus: crescei e multiplicai-vos!&lt;br /&gt;Os homens se deitam como touros com suas esposas, concubinas e escravas; para a atingir o mesmo fim, as mulheres se valem das mais impensáveis artimanhas. Um bom exemplo é o das duas filhas de Ló, sobreviventes de Sodoma e Gomorra, que embriagam o próprio pai e emprenham do progenitor para servir aos desígnios de Deus. Que mal há no incesto diante da ordem suprema de fundar uma nação populosa? O resultado é uma fornicação furiosa que faria ruborizar a mais liberta das devassas e deliciar o mais blasfemo dos cartunistas.&lt;br /&gt;Crumb idolatra as mulheres. Se o amor foi o ponto de partida de Mann, o matriarcado velado da Bíblia foi a pedra fundamental da obra de Crumb. O americano se serviu de um livro chamado "Sarah, the Priestness", de Sevina Teubal, para compreender passagens obscuras para a moral de um ocidental hoje.&lt;br /&gt;Como explicar que o nômade Abraão ofereça a própria mulher aos chefes poderosos de cada cidade que visite, dizendo se tratar de sua irmã? Seria Abraão o primeiro cafetão da história? E como entender o comportamento de Tamar, viúva de Er, filho de Judá, que, ao não ser dada como mulher ao cunhado, se vestiu de prostituta para ser possuída pelo sogro? A resposta estaria, segundo Sevina, em resquícios de um matriarcado ainda latente 3.000 anos antes de Cristo.&lt;br /&gt;Talvez a crença de que o matriarcado seria uma versão mais humana do belicoso patriarcado tenha fundamento. Pode ser que a ideia de posse não fosse tão importante em uma sociedade dominada pelas mulheres. Depois de tantos anos de vitória masculina, é difícil projetar o que teria sido feito de nós se o matriarcado tivesse vingado.&lt;br /&gt;Minhas ilusões a respeito da doce dominação feminina foram por água abaixo no dia em que assisti a um documentário sobre o comportamento das hienas. As fêmeas são o sexo forte nessa sociedade animal. A brutalidade e a feroz virilidade masculina cedem seu posto a uma hierarquia libidinosa, baseada em dominação por servidão lingual. As mais fortes tem a genitália lambida pelas mais fracas, até chegar a uma pobre hiena que satisfaz a todas e não é satisfeita por ninguém.&lt;br /&gt;Dá o que pensar... Seríamos nós mais sensuais se as sacerdotisas da fertilidade estivessem no poder?&lt;br /&gt;As taras de Crumb, sua devoção às curvas apetitosas das filhas de Eva, produziram a mais feminista das interpretações do Gênesis. Senti falta da delicadeza de Mann no trecho final de "José", mas devorei com volúpia as liberdades das Saras, Rebecas, Tâmaras, Lias e Raquéis.&lt;br /&gt;Aconselho ler a Bíblia com o auxílio luxuoso de Crumb e Mann. A mulher e o homem. A carne e o espírito.&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-444688761119373591?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/444688761119373591/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=444688761119373591' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/444688761119373591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/444688761119373591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2010/12/genesis.html' title='Gênesis'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-5903110112675227997</id><published>2010-12-04T05:58:00.000-08:00</published><updated>2010-12-04T05:59:35.778-08:00</updated><title type='text'>“Encontro doméstico”</title><content type='html'>A pequena lagartixa me encara, assustada. &lt;br /&gt;Não me conhece.&lt;br /&gt;Não sabe que não sou de nada,&lt;br /&gt;que não faria mal a uma barata.&lt;br /&gt;Antes, a olho com pena, pensando: &lt;br /&gt;Poderia ser o inverso: eu lagartixa, &lt;br /&gt;e ela este ser grande pensante.&lt;br /&gt;Será que ela pensa?&lt;br /&gt;Parece que sim, pois permanece &lt;br /&gt;me encarando paralisada.&lt;br /&gt;Eu, que tantas vezes me senti assim acuada,&lt;br /&gt;tento ajudá-la a partir:&lt;br /&gt;abro-lhe a janela, mas ela não sai...&lt;br /&gt;Lá fora está frio, é noite.&lt;br /&gt;Por mim, tudo bem,&lt;br /&gt;desde que não invada meu espaço...&lt;br /&gt;Pobrezinha, tão branca!&lt;br /&gt;Parece até transparente. &lt;br /&gt;Volto a pensar:&lt;br /&gt;se fosse eu, assim tão frágil,&lt;br /&gt;que desgraça!&lt;br /&gt;Agora apago a luz, esperando que ela parta.&lt;br /&gt;Acendo-a de novo e nada...&lt;br /&gt;Então, tendo que sair,&lt;br /&gt;deixo-a ali mesmo, no alumínio grudada&lt;br /&gt;E tchau&lt;br /&gt;Boa noite, boa sorte.&lt;br /&gt;E até outra hora.&lt;br /&gt;Mas recomendo aos que ficam,&lt;br /&gt;que não a maltratem&lt;br /&gt;Como é fácil comigo fazer amizade!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que estou ficando louca?&lt;br /&gt;Ou vazia de emoção é a minha vida?&lt;br /&gt;Daqui a pouco estarei fazendo verso pra baratas!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-5903110112675227997?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/5903110112675227997/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=5903110112675227997' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/5903110112675227997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/5903110112675227997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2010/12/encontro-domestico.html' title='“Encontro doméstico”'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-3802602586282098833</id><published>2010-11-19T06:33:00.000-08:00</published><updated>2010-11-19T06:35:05.273-08:00</updated><title type='text'>Escolhas</title><content type='html'>Silêncio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que dá margem a interpretações diferentes&lt;br /&gt;Cômodo, esperto, um jeito de ganhar tempo&lt;br /&gt;Fugir da raia&lt;br /&gt;Ou conservar em banho-maria o sentimento&lt;br /&gt;Mas há que se ter cuidado com o contrário:&lt;br /&gt;Indiferença tomando espaço&lt;br /&gt;Ou emoção como a raiva efervescendo&lt;br /&gt;Melhor acreditar na transparência...  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cartas na mesa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma a uma vou abrindo&lt;br /&gt;Conhecendo teus pensamentos e segredos&lt;br /&gt;Jogamos limpo:&lt;br /&gt;Dos meus também terás conhecimento&lt;br /&gt;Neste jogo vence o mais leal,&lt;br /&gt;quem menos medo tiver de mostrar as suas cartas&lt;br /&gt;Direito à desistência e prêmio à coragem:&lt;br /&gt;Exposição requer bravura e sinceridade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhos alternativos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos perdemos em curvas, estradas secundárias&lt;br /&gt;Não vamos direto a nenhum assunto&lt;br /&gt;E a vida se mostra cada vez mais complicada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-3802602586282098833?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/3802602586282098833/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=3802602586282098833' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/3802602586282098833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/3802602586282098833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2010/11/escolhas.html' title='Escolhas'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-3538174311344867765</id><published>2010-11-18T07:03:00.000-08:00</published><updated>2010-11-18T07:04:39.908-08:00</updated><title type='text'>Para nós que fazemos bom uso da Internet</title><content type='html'>CARLOS HEITOR CONY&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amor virtual&lt;br /&gt;RIO DE JANEIRO - Recém chegado ao universo virtual, tenho sentimentos contraditórios a respeito da nova linguagem que, aparentemente, e até aqui, está unindo homens e mulheres, velhos e crianças, doentes e sadios numa humanidade especifica, que, por não ter existido antes, agora está sendo testada.&lt;br /&gt;Ouve-se falar em abusos de sexo e pornografia, de pedofilia e outras taras que encontraram um espaço surpreendente na telinha. Telinha que, por bem ou por mal, está substituindo o livro, o jornal e a própria TV, uma vez que pode condensar tudo isso num pequeno e cada vez menor retângulo iluminado.&lt;br /&gt;Assim como não me atrai a pizza que a gente encomenda, paga com cartão, mas recebe fria, o sexo virtual não me deslumbra suficientemente para me dedicar a ele. Prefiro o sexo em sua tradicional versão off-line.&lt;br /&gt;Contudo, sou obrigado a reconhecer a eficiência da comunicação eletrônica, notadamente o e-mail, naquilo que antigamente os caretas chamavam de paquera e hoje tem outros nomes.&lt;br /&gt;Pois o que acontece comigo -e deve acontecer com todo mundo- é a assombrosa capacidade do relacionamento virtual, que, entre mortos e feridos, sempre dá para pescar uma alma solitária, ou mesmo -levando ao limite- aquelas que se intitulam "coração em chamas", colocando-se adredes para receber o jato salvador que as inunda de salvação.&lt;br /&gt;Um homem terminal, não por gosto, mas por contingência histórica, já não teria esperança e muito menos direito de manter certo tipo de diálogo com a geração que anda pelos vinte e tantos anos. No início, estranhei este tipo de diálogo/envolvimento, recusei alguns, pedindo que tomassem juízo.&lt;br /&gt;Que eu próprio tivesse juízo. Mas começo a me habituar. E, um pouco envergonhado, admito que estou gostando.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-3538174311344867765?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/3538174311344867765/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=3538174311344867765' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/3538174311344867765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/3538174311344867765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2010/11/para-nos-que-fazemos-bom-uso-da.html' title='Para nós que fazemos bom uso da Internet'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-7319419028586971491</id><published>2010-11-17T12:57:00.000-08:00</published><updated>2010-11-17T13:00:34.511-08:00</updated><title type='text'>Cômico? Triste? Espelho de nossos dias</title><content type='html'>FERNANDO DE BARROS E SILVA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Geisy na roda&lt;br /&gt;SÃO PAULO - Levou um ano para que a roda da fortuna desse a volta completa no caso Geisy Arruda.&lt;br /&gt;No final de outubro de 2009, ela foi alvo do acesso de fúria dos colegas. Teve que ser retirada da Uniban escoltada, sob humilhações e ameaças de estupro. O vestidinho, as alegações machistas de que a jovem se insinuava -tudo serviu de pretexto para respaldar a barbárie. A universidade decidiu expulsá-la, em nome do "ambiente escolar".&lt;br /&gt;Estava anunciado para ontem o lançamento de "Vestida para Causar", uma biografia precoce de Geisy, 21 anos. Seu produto mais falado, no entanto, é o ensaio de capa para a revista "Sexy", que vai batendo recordes de vendas.&lt;br /&gt;Com o sucesso, Geisy se vinga da sociedade (e da universidade) que a ultrajou; a sociedade, por sua vez, usa o sucesso de Geisy como oportunidade para reafirmar preconceitos que tinha desde o início sobre ela -e assim também se vinga.&lt;br /&gt;Humilhação social e ascensão social não são antagônicos, mas estão misturados e submetidos à mesma lógica fulminante neste caso. Geisy parece protagonizar uma espécie de reality show na vida real.&lt;br /&gt;"Passei sete dias de cama, uma dor horrível, mas para a minha autoestima foi bom, como eu te disse, minha proposta de vida é evoluir", disse ela, ao relembrar da lipoaspiração que fez em fevereiro, numa entrevista a "O Estado de S. Paulo".&lt;br /&gt;A conversão da jovem da periferia em celebridade segue um roteiro bem conhecido: fazer plástica (mais peito, menos barriga), ser destaque no Carnaval, participar de programas de auditório, lançar sua grife, enfim posar nua. Geisy completou o ciclo, que lembra menos a roda da fortuna do que a roda-viva.&lt;br /&gt;Como quem intui que essa fantasia cobra um preço alto demais e pode evaporar num estalo, ela diz:&lt;br /&gt;"Hoje mesmo fui atrás de um tapete de Cinderela, já tenho copos de Cinderela, lençol, toalha, meu quarto na casa nova vai ser todo de Cinderela -porque eu sou a Cinderela, você sabe, não é?".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-7319419028586971491?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/7319419028586971491/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=7319419028586971491' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/7319419028586971491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/7319419028586971491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2010/11/comico-triste-espelho-de-nossos-dias.html' title='Cômico? Triste? Espelho de nossos dias'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-3191030433246686641</id><published>2010-11-03T19:07:00.000-07:00</published><updated>2010-11-03T19:08:51.504-07:00</updated><title type='text'>Uma idosa pede passagem</title><content type='html'>ANNA VERONICA MAUTNER  &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Quanto treino é exigido do homem urbano para passar do útil, do produtivo, para o à toa, o fazer por fazer? &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O AUMENTO da proporção de idosos na população vem preocupando governos de todo o mundo. Atender os de mais idade demanda revisão da distribuição orçamentária, assunto bem complicado para legisladores e executivos. Difícil chegar a consenso.&lt;br /&gt;Lendo sobre o assunto e mesmo vivendo na própria pele, eu queria falar sobre o uso, pelos idosos, não dos recursos econômicos, mas do tempo e do espaço.&lt;br /&gt;Não há a menor dúvida entre especialistas de que a qualidade de vida do idoso relaciona-se com a atividade tanto mental quanto corporal. Mudar de ser planejante, sempre cheio de objetivos e intenções, para um ser capaz de atividades com vistas não para o "amanhã" e sim para o "aqui agora" demanda treino, consciência e empenho.&lt;br /&gt;As instituições voltadas à saúde do idoso preocupam-se com gastos, prevenção, orçamento, sem dúvida parte importante do problema.&lt;br /&gt;Mas eu pergunto: quanto treino é exigido do homem urbano para passar do útil para o à toa, o só por fazer, pelo simples prazer de realizar e se aperfeiçoar?&lt;br /&gt;A aposentadoria muitas vezes pode parecer precoce, e o tempo de vida, depois de terminada a chamada etapa produtiva, foi se tornando, felizmente, cada vez mais longo. Deveríamos cuidar do projeto para o bem viver nessa faixa etária bem antes de a aposentadoria ocorrer.&lt;br /&gt;É necessário desenvolver aptidão para o fazer por fazer, o estar por estar, sem qualquer ligação com fins outros que não o instante que se está vivendo.&lt;br /&gt;Isso é mais ou menos familiar com crianças antes de entrarem na escola propriamente dita. No pré e no jardim, tudo é espontâneo e à toa. Mas não há nenhuma possibilidade de retorno a essa etapa na terceira idade.&lt;br /&gt;Toda uma outra história já se inseriu nas nossas vidas, marcando as mentes a ferro e fogo, como tatuagem.&lt;br /&gt;Já escrevi sobre a importância da praça neste mesmo espaço de jornal. Retomo a ideia. Cabe aos urbanistas e a eles dirijo o pedido de prever muitos espaços de convivência -esportivos, artísticos, culturais ou de mero convívio.&lt;br /&gt;Lugares que não existam para despertar desejos, como shoppings, mas sim espaços públicos de uso voluntário, isto é, onde não se precise ter carteirinha nem dinheiro.&lt;br /&gt;Quero ir, voltar, ficar só ou em companhia. Quero ser objeto de trabalho de urbanistas e promotores culturais, não só de médicos e economistas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-3191030433246686641?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/3191030433246686641/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=3191030433246686641' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/3191030433246686641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/3191030433246686641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2010/11/uma-idosa-pede-passagem.html' title='Uma idosa pede passagem'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-3961032223566707591</id><published>2010-10-13T07:59:00.000-07:00</published><updated>2010-10-13T19:57:17.563-07:00</updated><title type='text'>Homem comum</title><content type='html'>(Semelhança)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será pelos teus olhos castanhos,&lt;br /&gt;como aqueles outros&lt;br /&gt;pelo nariz fino, cor morena,&lt;br /&gt;ou ainda pela linha dos teus cabelos negros,&lt;br /&gt;pelo jeito franco, espontâneo&lt;br /&gt;de quem nada deve&lt;br /&gt;e pode dormir o sono dos justos&lt;br /&gt;... ou dos anjos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será pela lealdade, constância,&lt;br /&gt;ou por seres quem és, &lt;br /&gt;sem interpretar papel nenhum?...&lt;br /&gt;Não vou dizer que és único&lt;br /&gt;porque me lembras um outro&lt;br /&gt;de quem me orgulho,&lt;br /&gt;talvez por não ter querido ser senão... &lt;br /&gt; ... um ser comum...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília  &lt;br /&gt;05/10/10&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-3961032223566707591?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/3961032223566707591/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=3961032223566707591' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/3961032223566707591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/3961032223566707591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2010/10/homem-comun.html' title='Homem comum'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-3495976558979510894</id><published>2010-10-10T19:50:00.000-07:00</published><updated>2010-10-10T19:56:16.813-07:00</updated><title type='text'>O que se foi</title><content type='html'>O que se foi.&lt;br /&gt;Se algo ainda perdura&lt;br /&gt;é só a amarga marca&lt;br /&gt;na paisagem escura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o que se foi regressa,&lt;br /&gt;traz um erro fatal:&lt;br /&gt;falta-lhe simplesmente&lt;br /&gt;ser real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, o que se foi,&lt;br /&gt;se volta, é feito morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então por que me faz&lt;br /&gt;o coração bater tão forte?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ferreira Gullar&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-3495976558979510894?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/3495976558979510894/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=3495976558979510894' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/3495976558979510894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/3495976558979510894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2010/10/o-que-se-foi.html' title='O que se foi'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-7100081258055308496</id><published>2010-10-08T09:21:00.000-07:00</published><updated>2010-10-08T09:26:03.414-07:00</updated><title type='text'>Jogo da Vida</title><content type='html'>Em torno de mim peças de um quebra-cabeça se encaixam,&lt;br /&gt;Movidas por mãos... divinas?&lt;br /&gt;Mínimo se torna meu espaço.&lt;br /&gt;De que me queixo?&lt;br /&gt;São peças pra lá de bonitas,&lt;br /&gt;Verdadeiro presente da vida.&lt;br /&gt;Por que a gana de briga? Anseio de liberdade?&lt;br /&gt;Não sei...&lt;br /&gt;Vesti um casaco apertado,&lt;br /&gt;E me sinto nele entalada,&lt;br /&gt;Comprimida, sufocada...&lt;br /&gt;Sim, sou presa de cotidiana felicidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-7100081258055308496?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/7100081258055308496/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=7100081258055308496' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/7100081258055308496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/7100081258055308496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2010/10/cotidiana-felicidade.html' title='Jogo da Vida'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-6025185304479915538</id><published>2010-10-05T10:08:00.000-07:00</published><updated>2010-10-05T11:49:46.561-07:00</updated><title type='text'>Entreato</title><content type='html'>Não me vejo mais em lugares&lt;br /&gt;antes tão familiares...&lt;br /&gt;Mudei eu, ou mudou a casa?&lt;br /&gt;Mesmo minha imagem parece desfocada,&lt;br /&gt;pois toda luz está em ti centrada.&lt;br /&gt;Não mais pertenço, não pertenço ainda...&lt;br /&gt;Solta, minha alma voa...&lt;br /&gt;E o sonho não deixa espaço para nada.&lt;br /&gt;Lá vou eu... só amor (ou fantasia?)&lt;br /&gt;embalada por palavras de carinho.&lt;br /&gt;Sopro de vida em meu coração quase adormecido,&lt;br /&gt;Fogueira acesa, onde antes só havia cinzas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-6025185304479915538?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/6025185304479915538/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=6025185304479915538' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/6025185304479915538'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/6025185304479915538'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2010/10/entreato.html' title='Entreato'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-9217596840669966150</id><published>2010-10-02T09:16:00.000-07:00</published><updated>2010-10-02T09:20:14.698-07:00</updated><title type='text'>A vida passada a limpo</title><content type='html'>--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;A poesia é compatível com uma infinidade de formas e de temas. Nenhuma opção é vedada ao poeta a priori &lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NA VÉSPERA das eleições, é natural que praticamente não se fale senão de política: e às vezes com uma histeria tanto maior quanto menos importante é o que se diz. Para variar, voltarei a escrever sobre um dos meus assuntos favoritos e inesgotáveis: "Que é a poesia?"&lt;br /&gt;Outro dia, para tentar responder a essa pergunta, vali-me de um poema de Manuel Bandeira, "O Rio". Hoje aproveito o extraordinário título de um livro de Carlos Drummond de Andrade: "A Vida Passada a Limpo".&lt;br /&gt;Passar a limpo um texto é retirar-lhe tudo o que não lhe pertence por direito, modificar o que deve ser modificado, adicionar o que falta, reduzi-lo ao que deve ser e apenas ao que deve ser. No caso de um poema, faz-se isso até o impossível, isto é, até que ele resplandeça. O que resplandece é o que vale por si: o que merece existir.&lt;br /&gt;Para tentar chegar a esse ponto, o poeta necessita pôr em jogo, até aonde não possam mais ir, todos os recursos de que dispõe: todo seu intelecto, sua sensibilidade, sua intuição, sua razão, sua sensualidade, sua experiência, seu vocabulário, seu conhecimento, seu senso de humor etc. E entre os "cetera" encontra-se a capacidade de, a cada momento, intuir o que interessa e o que não interessa naquilo que o acaso e o inconsciente ofereçam.&lt;br /&gt;Em princípio, tudo num poema é arbitrário. O poeta sabe que a poesia é compatível com uma infinidade de formas e temas. Ele tem o direito de usar qualquer das formas tradicionais do verso, o direito de modificá-las e o direito de inventar novas formas para os seus poemas. Nenhuma opção lhe é vedada a priori; em compensação, nenhuma opção lhe confere garantia alguma de que sua obra venha a ter qualquer valor.&lt;br /&gt;O poema se desenvolve a partir de alguma decisão ou de algum acaso inicial. Por exemplo, ocorre ao poeta, em primeiro lugar, uma frase que ouviu no metrô; a partir dela, esboça-se uma ideia: e ele começa a fazer um poema. Ou então ocorre-lhe uma ideia e ele tenta desdobrá-la e realizá-la. A cada passo, é preciso fazer escolhas. Em algum momento -seja no início, seja no meio do trabalho- impõe-se decidir a estrutura global do poema: se será longo ou curto; se será dividido em estrofes; se seus versos serão livres ou metrificados; se serão rimados ou brancos; se o poema como um todo terá um formato tradicional, como um soneto, ou uma forma "sui generis" etc. Às vezes, uma primeira decisão parece impor todas as demais, que vêm como que natural e impensadamente; às vezes, certos momentos se dão como crises que aguardam soluções.&lt;br /&gt;Cada escolha que o poeta faz limita a liberdade vertiginosa de que ele dispunha antes de começar a escrever. As restrições devidas a formas autoimpostas são importantes, porque exatamente o esforço consciente e obsessivo para tentar resolver a tensão entre elas e o impulso expressivo é um dos fatores que mais propiciam a ocorrência de intervenções felizes do acaso e do inconsciente: o que, de certo modo, dissolve a dicotomia tradicional entre a inspiração, por um lado, e a arte ou o trabalho, por outro.&lt;br /&gt;Assim, numa época em que "tempo é dinheiro", a poesia se compraz em esbanjar o tempo do poeta. Mas o poema em que a poesia esbanjou o tempo do poeta é aquele que também dissipará o tempo do leitor ideal, que se deleita ao flanar pelas linhas dos poemas que mereçam uma leitura ao mesmo tempo vagarosa e ligeira, reflexiva e intuitiva, auscultativa e conotativa, prospectiva e retrospectiva, linear e não linear, imanente e transcendente, imaginativa e precisa, intelectual e sensual, ingênua e informada. Ora, é por essa temporalidade concreta, que se põe no lugar da temporalidade abstrata do cotidiano, que se mede a grandeza de um poema.&lt;br /&gt;Dizer que a poesia é a vida passada a limpo é dizer que a vida é o rascunho da poesia. Isso significa que o fim da vida é virar poesia. Por essa razão, longe de ser um meio (por exemplo, um meio de "expressão" ou de "comunicação") para o poeta, a poesia é o seu fim. Dado que o fim subordina os meios, e não vice-versa, o poeta é um servo -um servo voluntário e apaixonado, é verdade, mas um servo- da poesia. Nessa relação, não é ela que se inclina às conveniências dele, mas é ele que deve dobrar-se às exigências e aos caprichos -inclusive aos silêncios- dela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antonio Cicero&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-9217596840669966150?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/9217596840669966150/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=9217596840669966150' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/9217596840669966150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/9217596840669966150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2010/10/vida-passada-limpo.html' title='A vida passada a limpo'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-8429125369327291106</id><published>2010-09-23T06:39:00.000-07:00</published><updated>2010-09-23T06:43:30.918-07:00</updated><title type='text'>A felicidade nas telas</title><content type='html'>--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;A necessidade de mostrar ao mundo um semblante feliz é uma das grandes fontes de infelicidade&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UMA AMIGA inventou um jeito de curtir sua fossa. Depois de um dia de trabalho, de volta em casa, ela se enfia na cama, abre seu laptop e entra no Facebook.&lt;br /&gt;Ela não procura amigos e conhecidos para aliviar o clima solitário e deprê do fim do dia. Essa talvez tenha sido a intenção nas primeiras vezes, mas, hoje, experiência feita, ela entra no Facebook, à noite, como disse, para curtir sua fossa. De que forma?&lt;br /&gt;Acontece que, visitando as páginas de amigos e conhecidos, ela descobre que todos estão muito bem: namorando (finalmente), prestes a se casar, renovando o apartamento que sempre desejaram remodelar, comprando a casa de praia que tanto queriam, conseguindo a bolsa para passar dois anos no exterior, sendo promovidos no emprego ou encontrando um novo "job" fantasticamente interessante. E todos vivem essas bem-aventuranças circundados de amigos maravilhosos, afetuosos, alegres, festeiros e sempre presentes, como aparece nas fotografias postadas.&lt;br /&gt;Minha amiga, em suma, sente-se excluída da felicidade geral da nação facebookiana: só ela não foi promovida, não encontrou um namorado fabuloso, não mudou de casa, não ganhou nesta rodada da loto. É mesmo um bom jeito de aprofundar e curtir a fossa: a sensação de um privilégio negativo, pelo qual nós seríamos os únicos a sofrer, enquanto o resto do mundo se diverte.&lt;br /&gt;Numa dessas noites de fossa e curtição, minha amiga, ao voltar para sua própria página no Facebook, deu-se conta de que a página não era diferente das outras. Ou seja, quem a visitasse acharia que minha amiga estava numa época de grandes realizações e contentamentos. Ela comentou: "As fotos das minhas férias, por exemplo, esbanjam alegria; elas não passaram por nenhum photoshop, acontece que são três ou quatro fotos "felizes" entre as mais de 500 que eu tirei".&lt;br /&gt;Logo nestes dias, acabei de ler "Perché Siamo Infelici" (porque somos infelizes, Einaudi 2010, organizado por P. Crepet). São seis textos de psiquiatras e psicanalistas (e um de um geneticista), tentando nos explicar "por que somos infelizes" e, em muitos casos, por que não deveríamos nos queixar disso.&lt;br /&gt;Por exemplo, a infelicidade é uma das motivações essenciais; sem ela nos empurrando, provavelmente, ficaríamos parados no tempo, no espaço e na vida. Ou ainda, a infelicidade é indissociável da razão e da memória, pois a razão nos repete que a significação de nossa existência só pode ser ilusória e a memória não para de fazer comparações desvantajosas entre o que alcançamos e o que desejávamos inicialmente.&lt;br /&gt;Não faltam no livro trivialidades moralistas sobre o caráter insaciável de nosso desejo ou evocações saudosistas do sossego de algum passado rural. Em matéria de infelicidade, é sempre fácil (e um pouco tolo) culpar a sociedade de consumo e sua propaganda, que viveriam às custas de nossa insatisfação.&lt;br /&gt;Anotei na margem: mas quem disse que a infelicidade é a mesma coisa que a insatisfação? E se a infelicidade fosse, ao contrário, o efeito de uma saciedade muito grande, capaz de estancar nosso desejo? Que tal se a infelicidade não tivesse nada a ver com a ansiedade das buscas frustradas, mas fosse uma espécie de preguiça do desejo, mais parecida com o tédio de viver do que com a falta de gratificação? Em suma, você é infeliz porque ainda não conseguiu tudo o que você queria, ou porque parou de querer, e isso torna a vida muito chata?&lt;br /&gt;Seja como for, lendo o livro e me lembrando da fossa de minha amiga no Facebook, ocorreu-me que talvez uma das fontes da infelicidade seja a necessidade de parecermos felizes. Por que precisaríamos mostrar ao mundo uma cara (ou uma careta) de felicidade?&lt;br /&gt;1) A felicidade dá status, como a riqueza. Por isso, os sinais aparentes de felicidade podem ser mais relevantes do que a íntima sensação de bem-estar;&lt;br /&gt;2) além disso, somos cronicamente dependentes do olhar dos outros. Consequência: para ter certeza de que sou feliz, preciso constatar que os outros enxergam minha felicidade. Nada grave, mas isso leva a algo mais chato: a prova de minha felicidade é a inveja dos outros.&lt;br /&gt;O resultado dessa necessidade de parecermos felizes é que a felicidade é este paradoxo: uma grande impostura da qual receamos não fazer parte e que, por isso mesmo, não conseguimos denunciar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contardo Calligaris&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-8429125369327291106?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/8429125369327291106/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=8429125369327291106' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/8429125369327291106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/8429125369327291106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2010/09/felicidade-nas-telas.html' title='A felicidade nas telas'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-5890631984468275590</id><published>2010-09-20T05:30:00.000-07:00</published><updated>2010-09-26T08:44:40.824-07:00</updated><title type='text'>Angústia</title><content type='html'>Que me toma&lt;br /&gt;Cola&lt;br /&gt;Transforma o meu olhar&lt;br /&gt;Entorta o meu caminhar&lt;br /&gt;Me faz respirar curto&lt;br /&gt;Temer a vida, a falta dela, o mundo,&lt;br /&gt;Dele me apartando &lt;br /&gt;Para logo depois nele me recolocar&lt;br /&gt;Com a mesma força , sem se dissipar ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Angústia&lt;br /&gt;Que aperta o meu coração&lt;br /&gt;Me desconcentra&lt;br /&gt;Me apequena &lt;br /&gt;Na busca de um porto seguro... angústia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19-09-10&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-5890631984468275590?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/5890631984468275590/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=5890631984468275590' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/5890631984468275590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/5890631984468275590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2010/09/angustia.html' title='Angústia'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-1467075838855925520</id><published>2010-09-12T09:29:00.000-07:00</published><updated>2010-09-12T09:36:41.593-07:00</updated><title type='text'>A vida e a história</title><content type='html'>--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;Foi então que um colega, também tresnoitado, olhou pela janela e viu um enorme abacate pendurado&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É O FINAL de um dos romances de Émile Zola, "A Fecundidade". Ao terminar o gigantesco projeto dos Rougon-Macquart ("História Natural e Social de uma Família sob o Segundo Império"), Zola escreveria o que chamou de seus quatro evangelhos: a fecundidade, o trabalho, a justiça e a verdade. O primeiro deles termina com o grito de uma jovem camponesa varando a tarde e o campo: "A vaca pariu um bezerro!"&lt;br /&gt;Felizmente -digo eu, que não sou camponês nem pertenço a nenhuma família sob o segundo ou qualquer outro império. No romance de Zola, o grito da camponesa começa, encerra e sublima a maravilhosa rotina do viver, a terra parindo seus frutos e os habitantes da terra parindo seus filhos. Inclusive as vacas.&lt;br /&gt;A garantia dessa rotina, afinal, é o que nos salva. Lembro uma de nossas crises políticas, das mais "brabas", a que provocou o suicídio de Getulio Vargas em 1954. Eu trabalhava então num jornal aqui do Rio de Janeiro e passara duas noites sem ir para casa, sem fazer barba, sem mudar de roupa. Substituía em certas horas o repórter destacado para cobrir a crise dentro do próprio palácio.&lt;br /&gt;O mundo parecia ter vindo abaixo. Na altura do terceiro dia de vigília, caí numa poltrona das mais anônimas e modestas do Palácio do Catete. Ali tirava alguns cochilos, interrompidos por novidades sempre dramáticas.&lt;br /&gt;Curioso: durante aqueles dias e noites, enquanto ninguém poderia prever o desfecho, surgiam dramas paralelos que, embora não confirmados, explodiam entre os jornalistas como novo e incontrolável incêndio: Juarez Távora enforcou-se no apartamento do Brigadeiro Eduardo Gomes! Lutero Vargas foi assassinado por um oficial da Aeronáutica! Lacerda foi sequestrado por operários fieis a Vargas! O marechal Mascarenhas de Moraes morreu de enfarte! Coisas assim.&lt;br /&gt;Bem, na altura do terceiro dia, as emoções iniciavam o longo caminho do retrocesso e tudo ia quase voltando à normalidade de uma crise. Mais boatos do que fatos e todo mundo torcendo por um ou outro lado. Foi então que um colega, também tresnoitado, olhou pela janela e viu um enorme abacate pendurado de seu galho (hoje, não acredito que existam abacateiros nos jardins do Palácio do Catete, mas naquele tempo havia, tenho certeza).&lt;br /&gt;O colega olhou atentamente o abacate, silencioso fruto caindo de seu galho, verde e necessário, feito em silêncio e em trabalho vegetal de sua espécie. De repente, comentou em voz alta:&lt;br /&gt;- Felizmente, tudo continua!&lt;br /&gt;Eu não entendi logo. Na fadiga daqueles dias, o "tudo" para mim era a crise em si, o Brasil atravessando o vendaval. Tão grave era a crise que nada seria como antes e nada mais continuaria. Um apocalipse em plena rua do Catete, com suas lojas de móveis baratos, seus botequins cheios de mosquitos. Foi preciso que eu olhasse na direção da janela e também visse o abacate ali, verde, inchado em sua carne verde-amarelada.&lt;br /&gt;Aquele abacate havia sido apenas uma flor semanas antes, e Vargas provavelmente a olhou com seus olhos periféricos de inseto, soprando a fumaça de seus imensos havanas. Agora, Vargas dera um tiro no peito e a flor tornara-se fruto, e ali estava oferecendo-se à janela e aos nossos olhos vermelhos de sono e doídos de cansaço e estupor.&lt;br /&gt;Sim, tudo continuava, o mundo daria outras voltas, outras crises maiores ou menores viriam, mas os abacates continuariam sendo abacates e Vargas, bem, o que seria Vargas dali a dez, 20 ou dali a 60 anos? Um nome na enciclopédia, nas praças e placas das cidades brasileiras?&lt;br /&gt;Crianças e jovens passariam nessas ruas e nem se incomodariam em saber quem fora Getulio Vargas. Um homem de 71 anos dera um tiro no peito, soldados cercavam o palácio presidencial e eu passara dois dias sem poder ir para casa. Enquanto isso, os abacateiros davam flor e fruto. A vida continuaria. A natureza é arrogante em sua fecundidade, os homens é que são estéreis em sua finitude.&lt;br /&gt;Volto ao romance de Zola. A vaca pariu um bezerro. Um abacate, qualquer abacate, vale mais do que uma crise política. A vida é mais importante do que a história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CARLOS HEITOR CONY&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-1467075838855925520?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/1467075838855925520/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=1467075838855925520' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/1467075838855925520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/1467075838855925520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2010/09/vida-e-historia.html' title='A vida e a história'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-1675351828409447994</id><published>2010-08-27T17:55:00.000-07:00</published><updated>2010-08-27T18:02:27.916-07:00</updated><title type='text'>Visita à casa dos fantasmas</title><content type='html'>--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;Não foi para isso que caminharia tanto na vida. Aliás, eu caminhei tanto para não sair do lugar&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;APROVEITANDO a tarde chuvosa, decidi dar uma volta. Geralmente, costumo ir à praia, passear pela orla, mas caía uma garoa miúda e irritante, resolvi me embrenhar em outros bairros, distantes bairros de minha infância, que há muitos anos não visito, em parte por preguiça, em parte (ou no todo) por fastio. Peguei o carro e, sem saber o que fazer, fiz o que não devia.&lt;br /&gt;Quando dei por mim, já estava naquele roteiro que inclui algumas ruas do Maracanã, de Vila Isabel, do Cabuçu e do Lins de Vasconcelos, cabeça, tronco e membros da antiga zona norte. Ali, a igreja onde me casei. Numa biografia bastante acidentada, com alguns casamentos incompletos, foi a única convolação de núpcias a que me submeti. Antigamente, os doutos usavam a expressão "convolar núpcias" para designar o casamento.&lt;br /&gt;As recordações que ficaram não são necessariamente boas nem más, mas indiferentes. Foi um outro que convolou núpcias naquela igreja que tem um anjo São Miguel imitado da estátua do mesmo anjo na praça Saint Michel, em Paris: com sua espada de bronze, afasta um demônio de chifres e rabo em forma de seta.&lt;br /&gt;Depois, o apartamento onde morei alguns anos, confortável apartamento com uma boa cobertura, ali minhas filhas brincaram e eu próprio soltei meus últimos balões de São João.&lt;br /&gt;Depois, a rua da primeira escola, no enorme terreno ergueram um imenso hospital da Marinha e eu fugi daquele gigante que abriga os heróis da Armada de Guerra -segundo as palavras gravadas no pórtico "art noveau" do hospital. Penso no nenhum sentido que delas resulta: armada de guerra. Um pleonasmo? Ou apenas uma bobagem?&lt;br /&gt;De repente, dobro uma esquina e esbarro com a casa, milagrosamente intacta: a fachada de pó de pedra está bastante estragada, da última vez que ali estive, dez ou onze anos atrás, o aspecto era menos decadente. Sim, ali está a casa: ali nasceu o Tutuca, numa tarde de domingo, domingo de março, de um ano cada vez mais distante.&lt;br /&gt;As recordações são poucas. Num início de noite, o pai foi àquele portão e apanhou um balão apagado e silencioso que vinha caindo, caindo, alguns moleques se juntaram do lado de fora para tascá-lo com seus varapaus homicidas, mas respeitaram o domínio do dono da casa, o balão é dele. Depois, ainda na época dos balões, o irmão mais velho de pelerine azul marinho por causa do frio de junho, armando sua barraquinha de fogos.&lt;br /&gt;Uma lanterna vermelha avisava que um menino ali vendia fogos -e eu era vidrado no estranho cheiro de pólvora e papel colado que sua barraquinha desprendia. Prometeram-me que eu também teria uma barraquinha igual quando crescesse -eu cresci inutilmente, nunca mereci uma barraquinha daquelas, com a lanterna vermelha acesa no meio da noite, bolas-, não foi para isso que caminharia tanto na vida. Aliás, caminhei tanto para não sair do lugar.&lt;br /&gt;Agora, a casa está meio decomposta pelos anos, dois enormes vira-latas se aproximam, latindo. Quando dão comigo, param de latir, metem os focinhos pelas grades (as mesmas de antigamente) e me fuçam, como que me recebendo, eu, o Tutuca que nasceu naquela casa. Parece que sabem ou adivinham isso e eu me sinto importante -ao menos para os cachorros.&lt;br /&gt;O atual dono da casa vem saber por que os cachorros estão latindo. Não gosta de ver o estranho parado em seu portão. É homem meio gordo, usa camisa de malha branca sem mangas, está suado pela tarde abafada e chuvosa.&lt;br /&gt;Pergunta o que desejo. Tenho vergonha de confessar o motivo que me levara ali, aliás, não tinha nenhum motivo para estar ali. Indago se o cidadão conhece um tal de Tutuca. Não, o homem não conhece Tutuca algum.&lt;br /&gt;Eu insisto, afirmo que o tal Tutuca ali morou, era um garoto bochechudo e palerma. O homem faz uma cara escandalizada e me despacha, dizendo que tem mais o que fazer -eu o invejo, nada tinha para fazer.&lt;br /&gt;Atravessei a rua e peguei o carro. O homem olhou admirado, pois me supunha um pedestre reles e enxerido. E nem adivinhou que o Tutuca nunca saiu daquela casa, aderente àquelas paredes descascadas e inarredável como um fantasma sem futuro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Heitor Cony&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-1675351828409447994?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/1675351828409447994/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=1675351828409447994' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/1675351828409447994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/1675351828409447994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2010/08/visita-casa-dos-fantasmas.html' title='Visita à casa dos fantasmas'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-1217596782873089534</id><published>2010-07-15T09:51:00.000-07:00</published><updated>2010-07-15T10:44:16.876-07:00</updated><title type='text'>Theresa</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TD8_nRs9f7I/AAAAAAAAACo/N5aSYX08nyg/s1600/Cheguei+para+arrasar.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 200px; FLOAT: right; HEIGHT: 112px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5494180014414725042" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TD8_nRs9f7I/AAAAAAAAACo/N5aSYX08nyg/s200/Cheguei+para+arrasar.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Cheguei para arrasar,&lt;br /&gt;derreter corações,&lt;br /&gt;para romper medos, barreiras,&lt;br /&gt;resistências que não se explicam (razões obscuras)&lt;br /&gt;e com meu olhar direto, cativante, demolidor&lt;br /&gt;deixá-lo(a) completamente rendido(a) aos meus encantos”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso o que você diz sem palavras complicadas,&lt;br /&gt;sem necessidade de adjetivos,&lt;br /&gt;só olhos nos olhos de quem a contempla hipnotizado,&lt;br /&gt;derretido, tomado por estranha alegria, apaixonado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tetê, sereia,&lt;br /&gt;Seu canto é seu olhar que enreda,&lt;br /&gt;arrasta para inconcebíveis profundezas&lt;br /&gt;...mata&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;br /&gt;15-07-10 &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-1217596782873089534?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/1217596782873089534/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=1217596782873089534' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/1217596782873089534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/1217596782873089534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2010/07/theresa.html' title='Theresa'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TD8_nRs9f7I/AAAAAAAAACo/N5aSYX08nyg/s72-c/Cheguei+para+arrasar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-5770644619878308448</id><published>2010-06-12T19:28:00.000-07:00</published><updated>2010-06-12T19:29:47.525-07:00</updated><title type='text'>Soneto XVII (do livro Cien Sonetos de Amor)</title><content type='html'>No te amo como si fueras rosa de sal, topacio&lt;br /&gt;o flecha de claveles que propagan el fuego:&lt;br /&gt;te amo como se aman ciertas cosas oscuras,&lt;br /&gt;secretamente, entre la sombra y la alma.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Te amo como la planta que no florece y lleva&lt;br /&gt;dentro de sí, escondida, la luz de aquellas flores,&lt;br /&gt;y gracias a tu amor vive oscuro en mi cuerpo&lt;br /&gt;el apretado aroma que ascendió de la tierra.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Te amo sin saber cómo, ni cuándo, ni de dónde,&lt;br /&gt;te amo directamente sin problemas ni orgullo:&lt;br /&gt;así te amo proque no sé amar de otra manera,&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;sino así de este modo en que no soy ni eres,&lt;br /&gt;tan cerca  que tu mano sobre mi pecho es mía,&lt;br /&gt;tan cerca que se cierran tus ojos con mi sueño.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pablo Neruda&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-5770644619878308448?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/5770644619878308448/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=5770644619878308448' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/5770644619878308448'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/5770644619878308448'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2010/06/soneto-xvii-do-livro-cien-sonetos-de.html' title='Soneto XVII (do livro Cien Sonetos de Amor)'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-6402526910908583835</id><published>2010-06-11T08:50:00.000-07:00</published><updated>2010-06-11T08:52:47.285-07:00</updated><title type='text'>O direito de buscar a felicidade</title><content type='html'>O ARTIGO SEXTO da Constituição Federal declara que "são direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados".&lt;br /&gt;O Movimento Mais Feliz (www.maisfeliz.org) promove uma emenda constitucional pela qual o artigo seria modificado da seguinte forma: "São direitos sociais, essenciais à busca da felicidade, a educação, a saúde etc." (segue inalterado até o fim).&lt;br /&gt;É claro que, se eu dispuser de casa, emprego, assistência médica, segurança, terei mais tempo e energia para buscar minha felicidade. No entanto o respeito a esses direitos sociais básicos não garante a felicidade de ninguém; como se diz, ter comida e roupa lavada é bom e ajuda, mas não é condição suficiente nem absolutamente necessária para a busca da felicidade.&lt;br /&gt;Em suma, implico um pouco com o adjetivo "essencial" no texto da emenda, mas, fora isso, gosto da iniciativa porque, como a Declaração de Independência dos EUA, ela situa a busca da felicidade como um direito do indivíduo, anterior a todos os direitos sociais.&lt;br /&gt;Por que a busca da felicidade não seria apenas mais um direito social na lista? Simples.&lt;br /&gt;A felicidade, para você, pode ser uma vida casta; para outro, pode ser um casamento monogâmico; para outro ainda, pode ser uma orgia promíscua.&lt;br /&gt;Para você, buscar a felicidade consiste em exercer uma rigorosa disciplina do corpo; para outros, é comilança e ociosidade. Alguns procuram o agito da vida urbana, e outros, o silêncio do deserto. Há os que querem simplicidade e os que preferem o luxo. Buscar a felicidade, para alguns, significa servir a grandes ideais ou a um deus; para outros, permitir-se os prazeres mais efêmeros.&lt;br /&gt;Invento e procuro minha versão da felicidade, com apenas um limite: minha busca não pode impedir os outros de procurar a felicidade que eles bem entendem. Por isso, obviamente, por mais que eu pense que isto me faria muito feliz, não posso dirigir bêbado, assaltar bancos ou escutar música alta depois da meia-noite. Por isso também não posso exigir que, para eu ser feliz, todos busquem a mesma felicidade que eu busco.&lt;br /&gt;Por exemplo, você procura ser feliz num casamento indissolúvel diante de Deus e dos homens. A sociedade deve permitir que você se case, na sua igreja, e nunca se divorcie. Mas, se, para ser feliz, você exigir que todos os casamentos sejam indissolúveis, você não será fundamentalmente diferente de quem, para ser feliz, quer estuprar, assaltar ou dirigir bêbado.&lt;br /&gt;Não ficou claro? Pois bem, imagine que, para ser feliz, você ache necessário que todos queiram ser felizes do jeito que você gosta; inevitavelmente, você desprezará a busca da felicidade de seus concidadãos exatamente como o bandido ou o estuprador a desprezam.&lt;br /&gt;Em matéria de felicidade, os governos podem oferecer as melhores condições possíveis para que cada indivíduo persiga seu projeto -por exemplo, como sugere a emenda constitucional proposta, garantindo a todos os direitos sociais básicos. Mas o melhor governo é o que não prefere nenhuma das diferentes felicidades que seus sujeitos procuram.&lt;br /&gt;Não é coisa simples. Nosso governo oferece uma isenção fiscal às igrejas, as quais, certamente, são cruciais na procura da felicidade de muitos. Mas as escolas de dança de salão ou os clubes sadomasoquistas também são significativos na busca da felicidade de vários cidadãos. Será que um governo deve favorecer a ideia de felicidade compartilhada pela maioria? Ou, então, será que deve apoiar a felicidade que teria uma mais "nobre" inspiração moral?&lt;br /&gt;Antes de responder, considere: os governos totalitários (laicos ou religiosos) sempre "sabem" qual é a felicidade "certa" para seus sujeitos. Juram que eles querem o bem dos cidadãos e garantem a felicidade como um direito social -claro, é a mesma felicidade para todos. É isso que você quer?&lt;br /&gt;Enfim, introduzir na Constituição Federal a busca da felicidade como direito do indivíduo, aquém e acima de todos os direitos sociais, é um gesto de liberdade, quase um ato de resistência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CONTARDO CALLIGARIS&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-6402526910908583835?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/6402526910908583835/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=6402526910908583835' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/6402526910908583835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/6402526910908583835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2010/06/o-direito-de-buscar-felicidade.html' title='O direito de buscar a felicidade'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-8441453532230546117</id><published>2010-06-11T08:40:00.000-07:00</published><updated>2010-06-11T08:47:22.651-07:00</updated><title type='text'>Um grande escritor</title><content type='html'>COMPOSIÇÃO ESCOLAR (Da "Folha de São Paulo")&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; ERA UMA noite solitária do mês de abril dos anos mais antigos do passado. Eu estava na janela olhando a rua, e entre a janela e a rua havia um jardim.&lt;br /&gt;O pai costumava, tão logo a noite caía, regar os nossos canteiros de tinhorões e avencas, os pés de roseira que ficavam do outro lado, costeando o muro que dividia a nossa casa de um palacete -o único palacete da rua e do bairro.&lt;br /&gt;Verdade: o palacete era enorme, tinha uma escadaria de mármore que subia pela fachada principal -mas não havia jardins, nem sequer um tinhorão aveludado, nem sequer um pé de manacá como o nosso, que ali estava cheirando, molhado pelo anoitecer daquele solitário abril dos anos mais antigos do passado.&lt;br /&gt;Eu olhava a noite e sentia o perfume que vinha do jardim umedecido. A rua não tinha cheiros, era apenas um espaço cor de cimento e pedra, naquele tempo quase não havia movimento, o bonde passava pontualmente de 15 em 15 minutos, era um bonde verde como um bicho de seda comprido, à noite ele vinha iluminado, vazio e inútil, levando ninguém para lugar nenhum.&lt;br /&gt;Além do bonde, um ou outro carro deslizava pela rua vazia. Todas as noites, lembro que, pelas nove horas, passava um carro branco, último modelo na época; se a noite era quente, a capota estava arriada e dentro dele um homem vestido de branco, todo de branco, e houve noite em que, ao lado do homem vestido de branco, havia uma mulher também vestida de branco, um chapéu branco e enorme com enormes fitas brancas.&lt;br /&gt;Anos depois, quando assisti pela primeira vez a "La Traviata", no segundo ato, cheirando a jardim e a flor, lá estava a mesma mulher vestida de branco, com seu chapéu e suas fitas brancas.&lt;br /&gt;Não entendi nada, mas guardei para sempre aquele encontro mágico que era tão meu. Na ópera, o pai se emocionava com a despedida da mulher que abandonava o amante, e eu tinha a certeza de que aquela mulher ali estava só para mim e para sempre. E passava pela minha rua num carro branco e nupcial.&lt;br /&gt;Mas isso foi há muito tempo. Há tanto tempo que já não gosto mais daquele segundo ato, nem da ópera em si e, mesmo que gostasse, de nada me adiantaria: a rua foi asfaltada, perdeu a cor de cimento e pedra, ficou escura como uma enorme tira de fita isolante, os bondes foram arquivados e o palacete foi demolido, em seu lugar subiu um espigão sem forma nem cor.&lt;br /&gt;E o jardim de nossa casa não mais existe, nem os tinhorões nem as avencas, o menino que ficava ali, olhando a noite e o jardim molhado, também ele não existe mais.&lt;br /&gt;De tudo, o que restou foi o silêncio do menino olhando a noite e sentindo o perfume do jardim, esperando o carro branco e nupcial, a mulher com seu chapéu de fitas brancas que parecia ter saído do segundo ato de uma ópera. Além da noite e do jardim estava o mundo, a vida que se desdobrou para o menino, uma vida nem boa nem má, apenas vida -e bastante.&lt;br /&gt;E onde está o carro branco que passava lentamente pelo meio da noite, aquele casal vestido de branco que vinha não sei de onde e se perdia naquela noite silenciosa do mundo?&lt;br /&gt;Ficaram na memória do menino, com os cheiros e os tinhorões aveludados, o pé de manacá molhado, o bonde iluminado e vazio, o garoto olhando a solitária noite dos anos mais antigos do passado.&lt;br /&gt;Mais tarde, o menino precisou fazer aquilo que os outros chamavam de "ganhar a vida". Ele não sabia direito o que era aquilo, já tinha uma vida que lhe fora dada de graça, não precisava de outra, de ganhar outra.&lt;br /&gt;Quando as coisas se complicavam para o lado dele, recorria àquela imagem distante, a rua deserta e perfumada pelo manacá, de repente o carro branco e silencioso passando devagar, a mulher com seu enorme chapéu de tiras brancas deslizando na noite do passado.&lt;br /&gt;Os anos mais antigos também passaram, parece que nem tinham acontecido. O que acontecia agora era muito colorido, berrantemente colorido, o mundo é em cores e faz muito barulho, som e fúria que nada significam.&lt;br /&gt;Mas o menino gosta de pensar neles, embora o homem tenha um pouco de vergonha em falar neles. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CARLOS HEITOR CONY &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-8441453532230546117?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/8441453532230546117/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=8441453532230546117' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/8441453532230546117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/8441453532230546117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2010/06/um-grande-escritor.html' title='Um grande escritor'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-1810058173374510313</id><published>2010-05-06T14:03:00.000-07:00</published><updated>2010-05-06T14:06:16.582-07:00</updated><title type='text'>Erotikós</title><content type='html'>Puedo romperme a un simple toque &lt;br /&gt;De tus dientes blancos,&lt;br /&gt;inundando tu boca con el dulce fluido&lt;br /&gt;de que soy hecha, néctar de los dioses.&lt;br /&gt;Y me voy: dejando deseo, dulzura de un beso,&lt;br /&gt;despertando tu hambre, tus ganas y tu sensualidad.&lt;br /&gt;Ah! Deseo que a mi dedicas...&lt;br /&gt;Como lo retribuo! Me muestro solo tuya,&lt;br /&gt;Soy puro azucar, soy más que miel.&lt;br /&gt;Tu cielo alcanzo, en tu lengua descanso, &lt;br /&gt;Y después...deslizo por tu garganta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-1810058173374510313?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/1810058173374510313/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=1810058173374510313' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/1810058173374510313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/1810058173374510313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2010/05/erotikos.html' title='Erotikós'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-5220054004985637730</id><published>2010-04-22T10:44:00.000-07:00</published><updated>2010-04-22T15:06:39.142-07:00</updated><title type='text'>Liberdade</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/S9DH3EKeY8I/AAAAAAAAABo/9NZAYv2USVI/s1600/IMG069-01.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 200px; FLOAT: right; HEIGHT: 150px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5463086096824820674" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/S9DH3EKeY8I/AAAAAAAAABo/9NZAYv2USVI/s200/IMG069-01.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/S9CP3b6dngI/AAAAAAAAABg/sJZTD64Iupo/s1600/IMG070-01.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ser apenas um cachorrinho branco, livre e solto&lt;br /&gt;"ciscando" folhas secas sob árvores e arbustos verdes,&lt;br /&gt;transgredindo as leis rigorosas do parque,&lt;br /&gt;lá escondidinha, livre de guia, correndo à vontade,&lt;br /&gt;tendo como pretexto para a brincadeira um osso branco como ela,&lt;br /&gt;que aos poucos vai se tornando cor de terra,&lt;br /&gt;do barro que ela pisa sem dó nem piedade pelo banho da véspera&lt;br /&gt;que a deixou linda, escovada, com lacinhos na cabeça,&lt;br /&gt;cachorrinha de madame...&lt;br /&gt;Banho de boutique , agora sem nenhuma importância&lt;br /&gt;devido ao espírito livre e travesso de sua dona&lt;br /&gt;e de suas lembranças de infância...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Didi, te amo&lt;br /&gt;Cecília&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;manhã de sol em abril&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-5220054004985637730?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/5220054004985637730/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=5220054004985637730' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/5220054004985637730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/5220054004985637730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2010/04/liberdade.html' title='Liberdade'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/S9DH3EKeY8I/AAAAAAAAABo/9NZAYv2USVI/s72-c/IMG069-01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-4985677258791408982</id><published>2010-02-21T08:15:00.001-08:00</published><updated>2010-02-22T07:17:38.285-08:00</updated><title type='text'>Outono</title><content type='html'>Há mais lembranças do que planos&lt;br /&gt;Há mais andante, largo, do que presto&lt;br /&gt;Há mais silêncio do que vozes, risos&lt;br /&gt;Denso é o olhar, busca de entendimento...&lt;br /&gt;Longas são as tardes, as madrugadas&lt;br /&gt;(tantas vezes insones)&lt;br /&gt;Breve (assim parece) a manhã de nossa vida...&lt;br /&gt;Reflexo de outras são as alegrias,&lt;br /&gt;em seu antigo berço não mais encontrando abrigo.&lt;br /&gt;É triste o anoitecer da vida,&lt;br /&gt;quando só se tem estrelas distantes, fugidias&lt;br /&gt;e o sol é  promessa que pode ou não cumprir-se...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viver o outono é exercer a nostalgia&lt;br /&gt;Respirar quase sempre melancolia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;br /&gt;18-02-10&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-4985677258791408982?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/4985677258791408982/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=4985677258791408982' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/4985677258791408982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/4985677258791408982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2010/02/outono.html' title='Outono'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-3235509858073849388</id><published>2009-12-09T12:12:00.000-08:00</published><updated>2009-12-09T12:14:00.261-08:00</updated><title type='text'>Declaração de amor</title><content type='html'>Carol,&lt;br /&gt;O amor que tenho por você não se explica,&lt;br /&gt;sente-se&lt;br /&gt;Plenamente, sem culpa,&lt;br /&gt;naturalmente&lt;br /&gt;Não importa o tempo curto que passamos juntas,&lt;br /&gt;as diferenças.&lt;br /&gt;Você está em meu coração ...  sempre&lt;br /&gt;Amo sua voz, seu sorriso&lt;br /&gt;o dourado que só você irradia&lt;br /&gt;a brancura de sua pele, seu corpo esguio, &lt;br /&gt;os cabelos quase louros.&lt;br /&gt;Amo (não ria) suas pintas, principalmente as do rosto,&lt;br /&gt;aquelas que vejo quando afasto seus cabelos castanhos,&lt;br /&gt;quase louros&lt;br /&gt;Razão para amá-la, tenho todas,&lt;br /&gt;a começar pelo seu coração, tão generoso.&lt;br /&gt;Mas como disse antes, o amor dispensa razões&lt;br /&gt;méritos, explicações, presença física&lt;br /&gt;- às vezes temos tudo isso e não o sentimos,&lt;br /&gt;não adianta esforço.&lt;br /&gt;Filha, para mim você é belíssima&lt;br /&gt;de alma e corpo&lt;br /&gt;o fruto que justifica a árvore,&lt;br /&gt;o meu tesouro  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-3235509858073849388?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/3235509858073849388/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=3235509858073849388' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/3235509858073849388'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/3235509858073849388'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2009/12/declaracao-de-amor.html' title='Declaração de amor'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-5912109767117424902</id><published>2009-08-21T08:53:00.000-07:00</published><updated>2009-08-21T08:59:07.567-07:00</updated><title type='text'>Histórias e rituais de família e identidade ( título meu)</title><content type='html'>[...] QUANDO UMA NOVA FAMÍLIA SE CONSTITUI, UM GRUPO FAMILIAR ORIGINAL PASSA A SER CONSTRUÍDO; ENTRETANTO, ELE NÃO COMEÇA SUA MISSÃO DO ZERO&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De vez em quando, surgem palavras ou expressões que viram mania nacional, e muitas delas carregam um complexo conceito teórico de alguma disciplina do conhecimento. Assim foi, por exemplo, com a expressão "quebra de paradigmas", lembra-se dela? Cansei de ouvi-la em escolas. &lt;br /&gt;Muitos professores queriam quebrar paradigmas diariamente -não havia uma reunião em que a expressão não fosse utilizada. Logo percebi que muitos docentes haviam se apropriado apenas do sentido linguístico da expressão e a usavam só para mostrar que estavam devidamente conectados com os estudos da época.&lt;br /&gt;Depois disso, tivemos a época da qualidade total, da resiliência, da sinergia e de muitas outras. Agora, a palavra da vez é sustentabilidade, que tem sido usada das mais diversas maneiras para justificar qualquer tipo de ação, projeto, ideologia etc.&lt;br /&gt;E não é que, recentemente, após uma reunião com pais de uma escola em que o tema foi a importância da transmissão dos valores, dos costumes, das virtudes e da moral familiar na educação dos filhos, uma mãe veio me contar que associara a nossa conversa com o conceito de sustentabilidade?&lt;br /&gt;Devo dizer que, de início, ouvi com preconceito a ideia dela, já que não gosto muito desses modismos conceituais e linguísticos. Mas admito que ela construiu seu pensamento com muita propriedade.&lt;br /&gt;O conceito de sustentabilidade é complexo: diz respeito à continuidade de aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais das diferentes sociedades humanas. Sustentabilidade tem estreita relação, portanto, com preservação.&lt;br /&gt;Quando uma nova família se constitui, um grupo familiar original passa a ser construído.&lt;br /&gt;Entretanto, essa nova família não começa sua missão do zero.&lt;br /&gt;Cada adulto que se propõe a formar esse novo agrupamento leva sua herança familiar e a usa como referência.&lt;br /&gt;Gosto muito da imagem construída por um colega: quando uma pessoa recebe uma casa de herança, ou ela reforma ou vende para comprar outra. O mesmo ocorre com a herança familiar.&lt;br /&gt;Quando duas pessoas vindas de famílias diferentes começam uma nova, negociam, combinam, fazem sínteses do que trouxeram e, claro, inovam também. Além disso, mantêm contato com suas famílias de origem, e é desse modo que as novas gerações se reconhecerão na questão familiar.&lt;br /&gt;Se os pais não transmitem suas tradições e as de suas famílias de origem aos filhos -estimulando o contato entre eles, contando suas histórias, comparecendo aos rituais existentes-, criam uma geração órfã de família. É como se a existência do sobrenome não fizesse sentido, pois não há diferenciação nem características próprias do grupo familiar.&lt;br /&gt;É preciso lembrar que família e sociedade são agrupamentos interdependentes: se um vai mal, o outro também vai. Desse modo, educar os filhos considerando a preservação da família, sua continuidade e manutenção, é trabalhar também a favor da sustentabilidade da sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roseli Sayão&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-5912109767117424902?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/5912109767117424902/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=5912109767117424902' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/5912109767117424902'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/5912109767117424902'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2009/08/historias-e-rituais-de-familia-e.html' title='Histórias e rituais de família e identidade ( título meu)'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-7540295556984227603</id><published>2009-08-05T09:48:00.001-07:00</published><updated>2009-08-05T09:49:28.762-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Em terra árida não nascem flores&lt;br /&gt;Estações se sucedem&lt;br /&gt;E a despeito da rega,&lt;br /&gt;Não se tem nenhum retorno.&lt;br /&gt;A aridez contamina&lt;br /&gt;E a Alma se vê... &lt;br /&gt;Vazia de ardores , amores&lt;br /&gt;Perde-se o sentido da vida&lt;br /&gt;E tudo é  cinza, sem cores...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para meu marido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-7540295556984227603?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/7540295556984227603/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=7540295556984227603' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/7540295556984227603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/7540295556984227603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2009/08/em-terra-arida-nao-nascem-flores.html' title=''/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-6448082574715730785</id><published>2009-08-05T09:43:00.000-07:00</published><updated>2009-08-05T09:44:34.038-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Da vida quero toda a vibração, quero o delírio,&lt;br /&gt;um amor que excite todos os meus sentidos,&lt;br /&gt;mas que tenha na alma seu maior afrodisíaco...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não esperamos tanto para almejarmos&lt;br /&gt;a sombra de uma árvore,&lt;br /&gt;a contemplação das águas de um regato, &lt;br /&gt;suavemente cumprindo seu caminho,&lt;br /&gt;ou de  nuvens brancas no céu deslizando,&lt;br /&gt;a desenhar figuras delicadas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não nos satisfazemos mais,&lt;br /&gt;apenas com o etéreo, os mistérios da vida,&lt;br /&gt;os sonhos distantes, a ausência física...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queremos ser de uma estória de amor  &lt;br /&gt;os heróis, os principais protagonistas;&lt;br /&gt;talvez o centro do mundo,&lt;br /&gt;ainda que  na visão deturpada&lt;br /&gt;de dois apaixonados...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que um  turbilhão nos engolfe, nos arraste...&lt;br /&gt;É fim de festa, vale tudo: pés descalços&lt;br /&gt;e rostos sem nenhuma máscara...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília Quadros&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-6448082574715730785?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/6448082574715730785/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=6448082574715730785' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/6448082574715730785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/6448082574715730785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2009/08/da-vida-quero-toda-vibracao-quero-o.html' title=''/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-1081171916094486760</id><published>2009-07-25T08:18:00.000-07:00</published><updated>2009-07-25T08:22:37.758-07:00</updated><title type='text'>Atração</title><content type='html'>Esquivo é o olhar,&lt;br /&gt;tímido&lt;br /&gt;Poucas palavras,&lt;br /&gt;gestos contidos,&lt;br /&gt;coração meio perdido.&lt;br /&gt;O encanto tem mão dupla?&lt;br /&gt;É pelo outro sentido?&lt;br /&gt;O olhar para mim mesma &lt;br /&gt;é crítico&lt;br /&gt;Interesse do outro?&lt;br /&gt;Impossível&lt;br /&gt;A guardar na memória &lt;br /&gt;a simpatia&lt;br /&gt;e um nome  se repetindo&lt;br /&gt;associado à uma figura bonita....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um leve beijo na despedida&lt;br /&gt;À distância te olho: &lt;br /&gt;fim da história, &lt;br /&gt;que agora recrio...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-1081171916094486760?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/1081171916094486760/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=1081171916094486760' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/1081171916094486760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/1081171916094486760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2009/07/atracao.html' title='Atração'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-2423056337349446695</id><published>2009-07-17T06:34:00.000-07:00</published><updated>2009-07-17T06:37:02.260-07:00</updated><title type='text'>Urubici</title><content type='html'>Debaixo de muitas mantas&lt;br /&gt;no calorzinho da cama&lt;br /&gt;-está tão frio lá fora-&lt;br /&gt;demoradamente nos olhamos.&lt;br /&gt;A sensação é de aconchego, &lt;br /&gt;pertencimento.&lt;br /&gt;Longe de tudo,&lt;br /&gt;muito além do nosso mundo,&lt;br /&gt;nos acariciamos.&lt;br /&gt;Nos damos as mãos&lt;br /&gt;e nos sentimos seguros,&lt;br /&gt;cúmplices,&lt;br /&gt;contentes por termos caminhado juntos&lt;br /&gt;por tantos anos... &lt;br /&gt;O abraço renova o pacto&lt;br /&gt;há muito tempo firmado.&lt;br /&gt;Brincamos um com o outro, &lt;br /&gt;nenhuma solenidade...&lt;br /&gt;Mas sentimos o marco:&lt;br /&gt;inesperado&lt;br /&gt;naquela cama deitados...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;br /&gt;14-07-09&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-2423056337349446695?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/2423056337349446695/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=2423056337349446695' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/2423056337349446695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/2423056337349446695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2009/07/urubici.html' title='Urubici'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-6183637154608446681</id><published>2009-07-16T15:21:00.000-07:00</published><updated>2009-07-16T15:22:38.212-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Com poetas não se fala de arranjos terrenos,&lt;br /&gt;mas de vôos de pássaros, flores,&lt;br /&gt;bonecas de louça, versos e estrelas&lt;br /&gt;de madrugadas longas, noites frias&lt;br /&gt;ou manhãs com orvalho, tardes lentas...&lt;br /&gt;de olhares perdidos, apáticos ou  apaixonados&lt;br /&gt;ou sorrisos  amplos e  serenos&lt;br /&gt;( se o Amor é certo e se faz pleno.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fala-se de destino, impaciência e desejo&lt;br /&gt;(desse sutilmente),&lt;br /&gt;quando o Amor  ainda é mistério ou recente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim que amam os poetas:&lt;br /&gt;sonham, suspiram, tateiam&lt;br /&gt;e tudo é verso,“Festa”e encantamento...&lt;br /&gt;Se do devaneio algo os desperta,&lt;br /&gt;Languidamente vão transpondo &lt;br /&gt;a linha imaginária, que só o sonhador conhece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há que se ter paciência com os sonhos, as quimeras,&lt;br /&gt;pois é assim que amam os poetas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-6183637154608446681?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/6183637154608446681/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=6183637154608446681' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/6183637154608446681'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/6183637154608446681'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2009/07/com-poetas-nao-se-fala-de-arranjos.html' title=''/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-8895598915921150932</id><published>2009-06-15T19:45:00.000-07:00</published><updated>2009-06-16T16:03:28.498-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Susto&lt;br /&gt;de amar e não ser amada&lt;br /&gt;de deixar a vida passar em branco&lt;br /&gt;de nada realizar&lt;br /&gt;de ser diferente&lt;br /&gt;ter um destino diferente&lt;br /&gt;e não aceitá-lo,&lt;br /&gt;não compreendê-lo&lt;br /&gt;Medo &lt;br /&gt;de a ninguém agradar&lt;br /&gt;de ficar só&lt;br /&gt;eternamente...&lt;br /&gt;de me sentir tão só&lt;br /&gt;que a minha dor pareça&lt;br /&gt;única, total, incurável,&lt;br /&gt;incomunicável&lt;br /&gt;Medo,&lt;br /&gt;que me faz seguir caminhos que não quero&lt;br /&gt;que parece não me deixar escolha&lt;br /&gt;a não ser pretender ser outra pessoa,&lt;br /&gt;mais aberta, mais solta&lt;br /&gt;mais firme em suas escolhas,&lt;br /&gt;tudo entendendo:&lt;br /&gt;o que passou, o que se passa agora;&lt;br /&gt;dona do futuro, da própria vida,&lt;br /&gt;um ser livre, em paz,&lt;br /&gt;vivendo conscientemente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                         Para tantas pessoas, frágeis em sua humanidade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15-06-09&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-8895598915921150932?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/8895598915921150932/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=8895598915921150932' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/8895598915921150932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/8895598915921150932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2009/06/susto-de-amar-e-nao-ser-amada-de-deixar.html' title=''/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-4817166118712422247</id><published>2009-06-15T12:37:00.000-07:00</published><updated>2009-06-16T16:05:35.644-07:00</updated><title type='text'>Fuga</title><content type='html'>Não importa o que hoje somos:&lt;br /&gt;se vencedores, perdedores,&lt;br /&gt;seguros, inseguros ou apenas sobreviventes;&lt;br /&gt;se somos ainda bonitos,&lt;br /&gt;se chegamos perto dos heróis românticos&lt;br /&gt;que idealizamos  enquanto adolescentes...&lt;br /&gt;Isso não mais importa ...&lt;br /&gt;Não importa o que viveste, o que vivi,&lt;br /&gt;se agora estamos&lt;br /&gt;sedentos de amor e de carinho,&lt;br /&gt;portando um  sonho,&lt;br /&gt;que aquece os nossos corações.&lt;br /&gt;O abraço que nos damos é pura ternura,&lt;br /&gt;um tocar de almas só possível&lt;br /&gt;por jamais termos perdido a esperança de amar&lt;br /&gt;e sermos amados&lt;br /&gt;de dar e receber carinho&lt;br /&gt;este tão sonhado, almejado,&lt;br /&gt;difícil, e até então negado carinho,&lt;br /&gt;presente agora  em nossas mãos se entrelaçando,&lt;br /&gt;enquanto viajamos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-4817166118712422247?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/4817166118712422247/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=4817166118712422247' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/4817166118712422247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/4817166118712422247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2009/06/fuga.html' title='Fuga'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-3289459539820188240</id><published>2009-06-15T12:05:00.000-07:00</published><updated>2009-06-15T12:09:53.157-07:00</updated><title type='text'>Tempo</title><content type='html'>Traço linhas paralelas imaginárias&lt;br /&gt;Em cada uma visualizo uma figura humana&lt;br /&gt;em diferente fase da vida&lt;br /&gt;Todas  na mesma direção&lt;br /&gt;A esperá-las: chi lo sa?&lt;br /&gt;Nessa linha do tempo não há volta nem antecipação&lt;br /&gt;(Não posso voltar e te abraçar, mãe...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vida&lt;br /&gt;Para a vida desenho um círculo,&lt;br /&gt;abarcando até quatro gerações.&lt;br /&gt;Para o outro alcançar é só estender a mão&lt;br /&gt;(talvez isto explique nossa forte ligação)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, a contragosto, coloco o círculo na linha&lt;br /&gt;E lá vai ele de roldão: trilhando todo o caminho&lt;br /&gt;que leva...  ao ponto de interrogação...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-3289459539820188240?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/3289459539820188240/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=3289459539820188240' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/3289459539820188240'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/3289459539820188240'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2009/06/tempo.html' title='Tempo'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-7163251388339739634</id><published>2009-05-14T14:49:00.000-07:00</published><updated>2009-05-14T15:16:47.914-07:00</updated><title type='text'>A respeito de ausência e de sonhos</title><content type='html'>Me dei um tempo&lt;br /&gt;E saí em busca de mim&lt;br /&gt;Encarei meus defeitos&lt;br /&gt;Me enfrentei face a face&lt;br /&gt;Acertei rumos e passo&lt;br /&gt;Não sou mais barreira pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus fantasmas transformo em palavras&lt;br /&gt;Abrigo-os em versos, dou-lhes espaço&lt;br /&gt;E me liberto da inquietação que me passam...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu sonho não tem um nome, uma forma, um endereço&lt;br /&gt;Meu sonho não é de glória, não é um homem,&lt;br /&gt;É ter com o que sonhar a minha vida inteira...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt; O Esfarrapado e o Roto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juntamos:&lt;br /&gt;A fome com a vontade de comer&lt;br /&gt;A imaginação com o sonho,&lt;br /&gt;Fugas, com pé na estrada&lt;br /&gt;Somos o roto e o esfarrapado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trilhamos caminho certo,&lt;br /&gt;mas deixamos uma fresta aberta&lt;br /&gt;E para que não falte tesão...&lt;br /&gt;damos asas à imaginação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seremos santos de barro?&lt;br /&gt;Ou se prefere do pau oco...&lt;br /&gt;Mas levamos afeto à sério&lt;br /&gt;e não causamos desgosto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escapo... também escapas...&lt;br /&gt;Ousamos?Até que bem pouco&lt;br /&gt;Sonhamos de olhos abertos&lt;br /&gt;Pois somos feitos da mesma matéria,&lt;br /&gt;o esfarrapado e o roto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém tira os pés do chão e voa impunemente&lt;br /&gt;O preço... vale a pena?&lt;br /&gt;Vale viver outra vida, à perfeição retocada,&lt;br /&gt;Colorido filme em que somos protagonistas,&lt;br /&gt;Vale brincar, esculpir imagens, criar roteiros,&lt;br /&gt;Vida paralela ocupando da realidade quase todo o espaço?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilusões&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deveria ficar nada...&lt;br /&gt;Ilusão não mata&lt;br /&gt;Nem faz tanto estrago&lt;br /&gt;Nada que um gesto leve não afaste&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fantasias são breves, leves&lt;br /&gt;Chegam, afagam,&lt;br /&gt;Inspiram às vezes versos&lt;br /&gt;E partem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras vêm, burlam vigilância,&lt;br /&gt;Cuidado.&lt;br /&gt;Pegam a alma desavisada,&lt;br /&gt;Entediada&lt;br /&gt;E se instalam,&lt;br /&gt;Dando uma falsa sensação&lt;br /&gt;De perene felicidade.&lt;br /&gt;Mas são volúveis, frágeis&lt;br /&gt;E como nuvens se esvaem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era para ter ficado.... nada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonho e Vida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vida é sonho&lt;br /&gt;Os meus procuro ansiosamente&lt;br /&gt;- questão de sobrevivência -&lt;br /&gt;Na pressa os perco, os esqueço&lt;br /&gt;E fica um vazio de assustar&lt;br /&gt;Reajo, encontro uma possibilidade,&lt;br /&gt;Nela me agarro, me distraio.&lt;br /&gt;Aos poucos os outros vou recuperar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijo na boca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desejo...&lt;br /&gt;Fantasia travessa&lt;br /&gt;Atravessando limites&lt;br /&gt;Se impondo, apesar do medo &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijo&lt;br /&gt;Maroto, brejeiro&lt;br /&gt;Doce, certeiro&lt;br /&gt;Sonhado&lt;br /&gt;Só um beijo...&lt;br /&gt;Só?&lt;br /&gt;Mas... se desencadeia&lt;br /&gt;uma onda de desejos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contida,&lt;br /&gt;Não deixo que nada percebas&lt;br /&gt;Meu desejo adormeço,&lt;br /&gt;Nem olho para tua boca,&lt;br /&gt;mas em  sonhos... te beijo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Louca!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonhos são sonhos&lt;br /&gt;Realidade é realidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonho realizado: não é o mesmo sonho.&lt;br /&gt;A realidade já deixou nele sua marca.&lt;br /&gt;Preenche por um tempo, curto tempo,&lt;br /&gt;até que a eterna insatisfação do homem,&lt;br /&gt;lhe cave no peito novo buraco,&lt;br /&gt;e outro sonho tenha que ser sonhado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí é pôr asas no coração,&lt;br /&gt;se abrir para nova emoção&lt;br /&gt;E curtir outra vez desejo,&lt;br /&gt;Ainda com maior grau de intensidade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O que será que existe....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fora desse círculo&lt;br /&gt;Além daquela porta&lt;br /&gt;Lá, onde o olhar não alcança&lt;br /&gt;Lugares em que nunca estive&lt;br /&gt;Rostos desconhecidos&lt;br /&gt;Imagino...&lt;br /&gt;Mas não me imagino&lt;br /&gt;por outras terras vagando&lt;br /&gt;Uma outra vida vivendo&lt;br /&gt;Em outras águas imergindo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;br /&gt;após longa ausência&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-7163251388339739634?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/7163251388339739634/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=7163251388339739634' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/7163251388339739634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/7163251388339739634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2009/05/respeito-de-ausencia-e-de-sonhos.html' title='A respeito de ausência e de sonhos'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-2242136044032115269</id><published>2009-05-08T10:08:00.000-07:00</published><updated>2009-05-08T10:23:50.680-07:00</updated><title type='text'>Sim, aparência importa</title><content type='html'>Pam Belluck&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há mais de uma semana, pessoas em ambos os lados do Atlântico têm usado a história de Susan Boyle - a solteirona escocesa desleixada que chegou à fama cantando no programa de TV "Britain's Got Talent" - como um exemplo de quão superficiais nos tornamos.&lt;br /&gt;Não há muito o que você possa fazer a respeito; é o modo como pensam; é o modo como são disse Susan Boyle, comentando a rapidez com que a sociedade julga as aparências. Antes de cantar, Boyle parecia uma mera voluntária de igreja desempregada e desmazelada de 47 anos que morava sozinha com seu gato, Pebbles, e que, segundo ela, nunca teria sido beijada (uma alegação que ela posteriormente retirou).Agora, após o vídeo de sua apresentação ter se tornado viral, uma enxurrada de comentários se concentra em como estereotipamos as pessoas em categorias, como caímos vítima de preconceitos de idade e aparência, e como temos que aprender, de uma vez por todas, a não julgar os livros pela capa.Mas muitos cientistas sociais e outros que estudam a ciência dos estereótipos dizem que há motivos para avaliarmos rapidamente as pessoas com base em sua aparência. Julgamentos rápidos a respeito das pessoas são cruciais para o modo como funcionamos, eles dizem - mesmo quando esses julgamentos são muito errados.Eles até mesmo concordam com a própria Boyle, que disse após sua apresentação que apesar da sociedade ser rápida demais em julgar as pessoas pela aparência, "não há muito o que você possa fazer a respeito; é o modo como pensam; é o modo como são".Em um nível muito básico, julgar as pessoas pela aparência significa colocá-las rapidamente em categorias impessoais, assim como decidir se um animal é um cachorro ou um gato. "Estereótipos são vistos como um mecanismo necessário para entendimento da informação", disse David Amodio, um professor assistente de psicologia da Universidade de Nova York. "Se olharmos para uma cadeira, nós podemos categorizá-la rapidamente, apesar de existirem muitos tipos diferentes de cadeiras."Eras atrás, esta capacidade era de uma importância de vida ou morte, e os seres humanos desenvolveram a capacidade de avaliar outras pessoas em segundos.Susan Fiske, uma professora de psicologia e neurociência de Princeton, disse que tradicionalmente, a maioria dos estereótipos se divide em duas dimensões amplas: se a pessoa parece ter intenção maligna ou benigna e se a pessoa parece perigosa. "Em tempos ancestrais, era importante permanecer distante de pessoas que pareciam furiosas e dominadoras", ela disse.As mulheres também são subdivididas em mulheres "tradicionalmente atraentes", que "não parecem dominadoras, têm traços de bebê", disse Fiske. "Elas não são ameaçadoras."De fato, a atração é uma coisa que reforça o estereótipo e faz com que se cumpra. Pessoas atraentes têm "crédito de serem socialmente hábeis", disse Fiske, e talvez sejam, porque "se uma pessoa é bonita ou simpática, as outras pessoas riem das piadas dela e interagem com ela de uma forma que facilita a interação social"."Se uma pessoa não é atraente, é mais difícil conseguir todas estas coisas porque as outras pessoas não a procuram", ela disse.A idade também tem um papel na criação de estereótipos, com as pessoas mais velhas tradicionalmente vistas como "inofensivas e inúteis", disse Fiske. Na verdade, ela disse, as pesquisas mostraram que os estereótipos raciais e étnicos são mais fáceis de mudar ao longo do tempo do que os estereótipos de gênero e idade, que são "particularmente aderentes".Um motivo para nosso cérebro persistir em usar estereótipos, dizem os especialistas, é por frequentemente nos dar informação precisa de modo geral, mesmo que nem todos os detalhes de encaixem. A aparência de Boyle, por exemplo, telegrafou precisamente grande parte de sua biografia, incluindo seu nível socioeconômico e falta de experiência mundana.&lt;br /&gt;"Britain's Got Talent"&lt;br /&gt;Seu comportamento no palco reforçou uma imagem de pessoa de fora. David Berreby, autor de "Us and Them", sobre o motivo das pessoas categorizarem umas às outras, disse que os telespectadores também podem tê-la julgado severamente porque, nas provocações com os juízes antes de cantar, ela parecia estar, desajeitadamente, tentando se encaixar."Ela tentou ser divertida, e quando lhe perguntaram a sua idade, ela fez aquela dancinha", como se ela presumisse que nesses programas "você supostamente precisa ser meio sensual e elegante, mas se deu mal", disse Berreby. "Nada provoca mais nosso desprezo do que alguém tentar ser aceitável e então fracassar."Quando as pessoas não se encaixam em nossas noções pré-concebidas, nós tendemos a ignorar as contradições, até serem dramáticas demais para ignorar. Nestes casos, disse John F. Dovidio, um professor de psicologia de Yale, nós nos concentramos na contradição - a voz de Boyle, por exemplo. Apesar disso nos fazer vê-la mais como um indivíduo, nós também "encontramos uma forma do mundo fazer sentido de novo, mesmo que para isso digamos: 'Esta é uma situação excepcional'. É mais fácil para mim manter as mesmas categorias na mente do que chegar a uma explicação para as coisas que são discrepantes".Mesmo diante de múltiplas exceções ao estereótipo, nós frequentemente mantemos a categoria geral e simplesmente criamos um subtipo, disse Dovidio.Por exemplo, o presidente Barack Obama contrariou os estereótipos negativos a respeito dos negros, mas algumas pessoas podem ter criado um subtipo de negros - profissionais negros - em vez de contestar o estereótipo geral, disse Dovidio. "Esta é a solução mais simples e que economiza energia cognitivamente."Os cientistas estão descobrindo que os estereótipos não estão simplesmente armazenados no cérebro e são recuperados por ele, mas "estão associados com regiões gerais do cérebro envolvidas na memória e no planejamento de metas", disse Amodio, sugerindo que "as pessoas recrutam estereótipos para ajudá-las a planejar um mundo consistente com a meta que possam ter".A pesquisa de Fiske sugere que as pessoas de status baixo são registradas de forma diferente no cérebro. "A parte do cérebro que normalmente é ativada quando você pensa em pessoas fica surpreendentemente silenciosa quando você olha para moradores de rua", ela disse. "É uma espécie de desumanização neural. Talvez não consigamos suportar a situação horrível em que se encontram, ou não queiramos nos envolver, ou talvez tenhamos medo de nos contaminar."Mas, ela disse, a resposta neural é restaurada quando é pedido para as pessoas se concentrarem em que sopa os moradores de rua possam querer comer, algo que as faz pensar na pessoa como alguém com desejos ou metas.&lt;br /&gt;O fato de podermos mudar nossas reações em relação às pessoas - o status de Boyle passou instantaneamente de baixo para alto - também tem raízes em nossa psicologia, disseram os cientistas.Dovidio disse que encontrar discrepâncias nos estereótipos provavelmente "cria um tipo de estímulo autonômico" em nosso sistema nervoso periférico, provocando picos de cortisol e outros indicadores de estresse. "O estímulo autonômico nós motivará a fazer algo naquela situação", ele disse, especialmente se a situação é perigosa.Helen Fisher, uma professora de antropologia da Rutgers, teoriza que no caso de Boyle, os telespectadores também passaram por uma "onda de dopamina" com a surpresa agradável de ouvir a voz dela. "A novidade aumenta a dopamina no cérebro e faz você se sentir bem", ela disse.Isto pode ajudar a explicar por que tantas pessoas foram atraídas pela história de Susan Boyle. Mas o fato de aceitarem a ela e outros azarões subestimados dificilmente mudará nosso gosto pelo estereótipo.A sociedade moderna, com sua consciência dos preconceitos ao longo da história e sua capacidade sem precedente de apresentar tantos tipos diferentes de pessoas umas às outras, pode diluir ou mesmo neutralizar algumas noções pré-concebidas. Mas outras persistirão e novas surgirão, dizem os especialistas.Este pode ser o motivo para, mesmo após ter expressado a esperança de que "talvez isso possa tê-los ensinado uma lição, ou dado um exemplo", Boyle ter começado a mudar sua aparência nos últimos dias, usando maquiagem, tingindo seu cabelo grisalho e vestindo roupas mais elegantes."A matéria-prima de dizer que você está comigo e ela não está é algo que está sempre presente", disse Berreby. "Não é algo que inventamos por causa da TV ou do carro. Também não é algo ligado à vida moderna. É algo inerente à mente."Tradução: George El Khouri Andolfato&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo publicado pela "Folha de São Paulo"após ter saído no New York Times&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-2242136044032115269?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/2242136044032115269/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=2242136044032115269' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/2242136044032115269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/2242136044032115269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2009/05/sim-aparencia-importa.html' title='Sim, aparência importa'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-2567315699323522775</id><published>2009-03-20T11:14:00.000-07:00</published><updated>2009-03-20T11:15:36.857-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Atravesso portas e mais portas&lt;br /&gt;Percorrendo curiosa empoeiradas áreas,&lt;br /&gt;Prolongamento desconhecido da minha própria casa.&lt;br /&gt;Por que só agora o acho?&lt;br /&gt;- Sensação de desperdício de tempo e espaço...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No sonho&lt;br /&gt;as portas que  nunca abri,&lt;br /&gt;Os mistérios que não tentei desvendar,&lt;br /&gt;Tudo o que podia e não tive ousadia para conquistar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília Quadros&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-2567315699323522775?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/2567315699323522775/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=2567315699323522775' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/2567315699323522775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/2567315699323522775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2009/03/atravesso-portas-e-mais-portas.html' title=''/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-8623120895546283638</id><published>2009-03-10T05:55:00.000-07:00</published><updated>2009-03-10T06:01:10.636-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Tenho gana de vida&lt;br /&gt;Se adoeço, me trato&lt;br /&gt;Se caio, me levanto rápido&lt;br /&gt;Se a tristeza me prende, escapo&lt;br /&gt;Não me importam as muletas,&lt;br /&gt;desde que suportem meu peso&lt;br /&gt;pois liberam minha alma,&lt;br /&gt;deixando-a inteira,&lt;br /&gt;livre para a felicidade.&lt;br /&gt;Venço desânimo, distância,&lt;br /&gt;Tudo em nome da afinidade...&lt;br /&gt;Vivo o dia de hoje&lt;br /&gt;não por desapego ao passado,&lt;br /&gt;desencanto ou  desesperança.&lt;br /&gt;Só não quero desperdício,&lt;br /&gt;jogar fora um momento&lt;br /&gt;sequer da minha vida.&lt;br /&gt;E assim vou levando,&lt;br /&gt;mais do que sendo levada:&lt;br /&gt;vivendo meu tempo, meu momento,&lt;br /&gt;minha hora... que de resto,&lt;br /&gt;queira ou não queira,&lt;br /&gt;um dia vou ter que ir embora.&lt;br /&gt;Passo eu, passa a  vida,&lt;br /&gt;e tudo o que foi,&lt;br /&gt;não será senão história...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-8623120895546283638?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/8623120895546283638/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=8623120895546283638' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/8623120895546283638'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/8623120895546283638'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2009/03/tenho-gana-de-vida-se-adoeco-me-trato.html' title=''/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-7112213166872290067</id><published>2009-03-06T16:33:00.000-08:00</published><updated>2009-03-06T16:40:45.897-08:00</updated><title type='text'>Quando o inverno chegar</title><content type='html'>Para esconder a realidade da velhice, diz-se, elegantemente, que se trata de uma pessoa "idosa" ou da "terceira idade"&lt;br /&gt;EU ESTAVA ASSENTADO no palco e observava o auditório lotado. Muitas cabeleiras brancas, muitas cabeleiras grisalhas e muitas calvas brilhantes. Era um público de gente velha. Estavam lá para me ouvir. Havia sido anunciado que eu faria uma fala sobre a terceira idade. Mas eu teria preferido que tivessem anunciado uma conversa sobre velhice... Acho a palavra "velhice" mais poética que a expressão "terceira idade"...Mas essa palavra "velhice" não aparecia no convite. A "linguagem politicamente correta" a havia proibido. Referir-se a alguém como um "velho" era grosseria, ainda que ele ou ela, por força dos anos já vividos, fosse na realidade um velho. Por vezes, a realidade ofende e é preciso criar máscaras e disfarces para escondê-la. Para esconder a realidade da velhice, diz-se, de forma elegante, que se trata de uma pessoa "idosa" ou da "terceira idade".Eu não me considerava idoso e nem me colocava dentro do conjunto da terceira idade, muito embora um repórter de um jornal da minha cidade tenha chamado de "ancião" um senhor de 50 anos que fora atropelado. Segundo os critérios desse jovem, se eu fosse atropelado seria imediatamente promovido à categoria de "ancião"...Feitas as introduções e apresentações preliminares, chegou a minha vez. Fiz silêncio. Olhei demoradamente para os idosos que esperavam de mim um elogio à terceira idade e comecei:"Então os senhores e as senhoras chegaram finalmente a esse glorioso momento da sua vida em que podem se entregar à felicidade de serem totalmente inúteis...".Aí aconteceu o que eu sabia que aconteceria. Não me deixaram continuar. Fui imediatamente interrompido por protestos indignados. Todos queriam provar a sua utilidade. Um dos idosos contou sobre a sua horta. Um senhora descreveu as colchas de retalhos que fazia. Um outro contou sobre o hobby que desenvolvera fazendo brinquedos artesanalmente...Deixei que falassem à vontade. Eu os havia provocado de propósito. Falavam movidos pela ideologia da nossa sociedade, que julga as pessoas da mesma forma como julga as lâminas de barbear, as esferográficas e os filtros de café...Uma lâmina de barbear rombuda, uma esferográfica esgotada, um filtro de café usado deixaram todos de ter utilidade e vão para o lixo. O mesmo acontece com os seres humanos que deixaram de ser úteis.Esgotada a indignação contra mim, acalmados os ânimos, a palavra me foi devolvida: "A Nona Sinfonia de Beethoven é absolutamente inútil. Não há coisa alguma que se possa fazer com ela. Mas uma vassoura, ao contrário, é muito útil. Serve para varrer, tirar o lixo, eliminar as teias de aranha... Vocês estão me dizendo que preferem a vassoura útil à Nona Sinfonia inútil...Vejam esse poeminha da Cecília Meireles: "No mistério do Sem-Fim equilibra-se um planeta. No planeta, um jardim. No jardim, um canteiro. No canteiro, uma violeta. E na violeta, entre o mistério do Sem-Fim e o planeta, o dia inteiro, a asa de uma borboleta".Prá que serve esse poema? Prá nada. É inútil. Já o papel higiênico é muito útil... Vocês estão me dizendo que, no seu julgamento, o papel higiênico vale mais que o poema...Repentinamente os rostos indignados se abriram em sorrisos. E aprenderam a sabedoria dos poetas e artistas, tão bem resumida no aforismo de William Blake: "No tempo de semear, aprender. No tempo de colher, ensinar. E quando o inverno chegar, gozar...".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rubem Alves&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-7112213166872290067?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/7112213166872290067/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=7112213166872290067' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/7112213166872290067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/7112213166872290067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2009/03/quando-o-inverno-chegar.html' title='Quando o inverno chegar'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-3291183242082325090</id><published>2009-03-04T08:29:00.000-08:00</published><updated>2009-03-06T09:13:45.814-08:00</updated><title type='text'>Voltei</title><content type='html'>Deixei minha camisola sob o travesseiro,&lt;br /&gt;o livro de versos na mesma prateleira,&lt;br /&gt;e é como se nunca tivesse partido.&lt;br /&gt;Não quebrei todos os laços,&lt;br /&gt;preservei o meu espaço,&lt;br /&gt;só não estou mais dividida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero diante do espelho&lt;br /&gt;me ver, corpo desnudo&lt;br /&gt;esquadrinhando meu rosto,&lt;br /&gt;analisando meu corpo,&lt;br /&gt;atrás das marcas da vida,&lt;br /&gt;e daquela paixão... finita,&lt;br /&gt;que foi céu, inferno, estorvo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despida a veste bonita,&lt;br /&gt;tal qual vestido de noiva,&lt;br /&gt;fica a mulher, mãe, esposa,&lt;br /&gt;e a poesia sem asas, sem vôos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-3291183242082325090?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/3291183242082325090/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=3291183242082325090' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/3291183242082325090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/3291183242082325090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2009/03/voltei.html' title='Voltei'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-8823605837971896953</id><published>2009-03-04T08:21:00.000-08:00</published><updated>2009-03-04T08:23:49.304-08:00</updated><title type='text'>Inquietação</title><content type='html'>Hoje não sei se gosto, se não gosto,&lt;br /&gt;de quem gosto&lt;br /&gt;Se vou, se não vou, se escrevo, se leio,&lt;br /&gt;se ando, me deito, se saio ou se fico,&lt;br /&gt;com quem saio, com quem fico,&lt;br /&gt;se choro, se rio, se me explico,&lt;br /&gt;se me entendo, se me ignoro,&lt;br /&gt;se me contenho.&lt;br /&gt;Não sei o que faço de mim mesma,&lt;br /&gt;que hoje para mim eu sou só peso,&lt;br /&gt;sem o outro ver e sem nenhum espelho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília Quadros&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-8823605837971896953?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/8823605837971896953/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=8823605837971896953' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/8823605837971896953'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/8823605837971896953'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2009/03/inquietacao.html' title='Inquietação'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-999029894791200755</id><published>2009-02-14T06:43:00.000-08:00</published><updated>2009-02-14T06:46:46.659-08:00</updated><title type='text'>Regressarei</title><content type='html'>Eu regressarei ao poema como à pátria à casa&lt;br /&gt;Como à antiga infância que perdi por descuido&lt;br /&gt;Para buscar obstinada a substância de tudo&lt;br /&gt;E gritar de paixão sob mil luzes acesas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sophia de Mello Breyner Andresen&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-999029894791200755?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/999029894791200755/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=999029894791200755' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/999029894791200755'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/999029894791200755'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2009/02/regressarei.html' title='Regressarei'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-2998561875880941155</id><published>2009-02-11T04:55:00.000-08:00</published><updated>2009-02-11T04:56:50.032-08:00</updated><title type='text'>Carinho Inesquecível</title><content type='html'>Nós dois, camas separadas&lt;br /&gt;em quarto tão simples...  na praia&lt;br /&gt;estendendo os braços&lt;br /&gt;nos dando as mãos...&lt;br /&gt;Era verão?&lt;br /&gt;Quantos filhos tínhamos?&lt;br /&gt;Nem tudo era paz...&lt;br /&gt;Mas...&lt;br /&gt;No gesto espontâneo,&lt;br /&gt;tanto carinho,&lt;br /&gt;que a memória&lt;br /&gt;envolve, guarda, eterniza...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Cecília&lt;br /&gt;16-01-03&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;( Fomos tão felizes...)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-2998561875880941155?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/2998561875880941155/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=2998561875880941155' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/2998561875880941155'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/2998561875880941155'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2009/02/carinho-inesquecivel.html' title='Carinho Inesquecível'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-2614906061738656508</id><published>2009-02-10T11:31:00.000-08:00</published><updated>2009-02-10T12:17:02.260-08:00</updated><title type='text'>O Último Retalho</title><content type='html'>Aqui termina o livro.Uma colcha de retalhos, como diz o título. Fala a correr do menino da "tia"Judite, todo ele em estilo coloquial, de quem está conversando com ele próprio. E havia tanto a falar desse tempo. Fala de Lisboa, também correndo, como se quisesse chegar depressa a algum lugar. Acho que fui sempre assim na vida.&lt;br /&gt; Vivendo os momentos, como se a vida fosse terminar no outro dia. Com a intensidade possível; como alguém que espera um sonho maior ao acordar no dia seguinte. E o encontra e o realiza com toda a paixão e fogo de que é possuidor, mas também com a pressa urgente de chegar ao sonho novo, que o amanhã lhe trará.&lt;br /&gt;Fui assim com tudo. Odiando o tédio da coisa repetida; procurando em cada dia a garantia de um amanhã diferente. E talvez só isso possa explicar o porquê de tantas testemunhas, presenças na minha vida.&lt;br /&gt;É a outra imagem de mim, a que me habituei a chamar de Marcos Leal. Poeta, caçador de sensações. Que é feliz hoje em África, enquanto sonha estar amanhã no outro lado do mundo. Que viveu correndo, sem se fixar a coisa nenhuma, nem a ninguém.Esse é que foi o que amou as tempestades, que ia sempre procurar mais longe. Sofrendo com a dor de perder o amor que sentia, mas que partia à procura do amor que  adivinhavaestar esperando por ele, no dia seguinte.&lt;br /&gt; Talvez fosse ele que devesse ter escrito a história da sua vida e não eu. A vida dele foi sem dúvida mais interessante, mais cheia de aventura, mais cheia de mulheres bonitas. Enquanto eu, sou um chato. Que ama seus amigos com uma imensa devoção. Que ama a sua família e é fiel a quem ama. Que ama a Pátria onde nasceu um dia, e tudo faz para a honrar e engrandecer, onde quer que esteja.&lt;br /&gt; O Marcos Leal não tem família e não tem Pátria. Ama a quem ama, com imensa intensidade. e se ama a Portugal, da forma como ama, não é porque o sinta Pátria, mas porque o sinta amante. E a família é para ele só e exclusivamente cumplicidade Eu que me preocupe com as regras do não mentir, do cumprir tudo o que se promete, de não falhar com os amigos, de estudar, de ler, tomar banho todos os dias, tirar os cotovelos de cima da mesa às refeições. A relação dele com os filhos é só cumplicidade.&lt;br /&gt;E foi, nesta dualidade entre a responsabilidade e a procura, que fui percorrendo a estrada que estava à minha espera, desde o princípio do sonho e da vida. Com altos e baixos, como costuma acontecer com as estradas. Mas também com muita coerência.&lt;br /&gt;_ Se fui feliz? Se ser feliz é juntar todos os momentos de felicidade, então eu diria que sim; fui muito feliz. Fui feliz, até, quantas vezes, na própria dor, já que até para ser feliz é preciso ter vocação. Todos nós conhecemos pessoas que já nasceram com 200 anos de idade, incapazes de sonhar ou realizar coisas novas. Que se sentam a uma mesa na noite de Natal e começam: - "Será que o peru não vai fazer-me mal? E essa fafofa, não irá provocar-me azia?"&lt;br /&gt;São todos aqueles que toma calmante na noite de núpcias, com medo de ter insônia. Não poderão ser felizes nunca, até porque lhes falta vocação.&lt;br /&gt;A minha mãe é que estava certa:&lt;br /&gt;_ Filho, agradece sempre a Deus o teres nascido. Ele foi tão bom para ti.&lt;br /&gt; E foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rodrigo Leal Rodrigues&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;( aquele que não canso de homenagear - Cecília)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-2614906061738656508?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/2614906061738656508/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=2614906061738656508' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/2614906061738656508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/2614906061738656508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2009/02/o-ultimo-retalho.html' title='O Último Retalho'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-8158007769038254697</id><published>2009-02-09T07:53:00.000-08:00</published><updated>2009-02-09T07:58:49.729-08:00</updated><title type='text'>Metamorfose</title><content type='html'>Por que os clássicos são pessimistas? Seria o trágico uma moda? Três mil anos de moda?&lt;br /&gt;AO SER indagado se não tinha esperanças, Kafka disse, "esperanças há muitas, mas não para nós". Janouch narra um dia em que ele, com 20 anos, disse a Kafka, então com 40, "hoje não estou entendendo nada do que você diz". Kafka respondeu "deve ser a misericórdia de Deus, porque sendo você jovem, e estando eu hoje pessimista, se você me entendesse, você ficaria mal". Confessa: "o pessimismo é meu pecado".Por que os clássicos são tão pessimistas? Seria o trágico uma moda? Três mil anos de moda? Improvável. Na sua coluna de 21 de janeiro, meu colega ilustrado (velha piada entre nós) Marcelo Coelho critica "meu" pessimismo. Colunistas que "matam a esperança" são supérfluos. O bom jornalismo opinativo é pautado pelo conflito de ideias, por isso, agradeço suas críticas. Ele acha que ao duvidar do Iluminismo reforço forças regressivas na experiência humana. Eu penso que o Iluminismo é que é regressivo porque caminha sobre fantasias enquanto os homens caminham sobre tumbas. Nós modernos somos a raça mais covarde que caminhou sobre a Terra. Não escrevo para tornar a vida do meu leitor melhor. Escrevo e leio para não me sentir só. Quando olho os "avanços" da nossa minúscula história, penso: como nos verão em mil anos? Como a decadência do século 17? Rirão de nós porque demos direitos aos ratos, enquanto fizemos dos bebês lixo reciclável pelo direito de gozar mais? Respondo a pergunta "o que eu acho da Revolução Francesa?" com "ainda é cedo pra dizer qualquer coisa". Imaginem dois africanos no século 19. Um vende o outro como escravo (negros vendiam negros). O escravo é levado para os Estados Unidos e lá sofre todo tipo de horror da escravidão. O outro fica livre e feliz na África. Adiantem o filme. O bisneto do escravo mora nos EUA, casa na praia, filhos na faculdade, e a esposa, bisneta de outro escravo, médica de sucesso. Voltem pra África. Muitos bisnetos do que ficou lá continuam a viver em seus buracos, matando-se do mesmo jeito (como acabou a escravidão, perderam a chance de vender seus "irmãos"). Famílias afundam na miséria. Qual é a moral desta história? Que a escravidão foi uma bênção para os afro-americanos porque os levou para os EUA? E a liberdade do outro, a maldição de seus bisnetos? Os afro-americanos, que hoje celebram a vitória do Obama, depois de muito sofrimento, diriam "ainda bem que nossos bisavós foram escravos"? Não! A escravidão é um horror. A questão é outra: qual o sentido da história humana? Nenhum. A história não é a luta entre a luz e as trevas. Não porque elas não existam, mas porque não sabemos identificar, com o microscópio das ideias claras e distintas de que dispomos, a trama infinita de suas relações. Um homem faz o que pode em meio a opacidade do mundo. Meu pecado é não fazer o marketing da democracia de massa. Falsos sentimentos são comuns nos homens, logo, quanto mais homens, maior a chance de mentira, por isso desconfio de bons sentimentos em grandes quantidades. Mais? Os índios não vivem em comunhão com a natureza, apenas ficaram na idade da pedra em técnicas de domínio da natureza, como muitos africanos que ficaram na África. A ciência e a política tampouco fazem os homens melhores. O mundo não é dividido entre elite má e pobre bom. Se a elite é cruel, o povo é violento e interesseiro. Os homens não são iguais, alguns são melhores. A igualdade ama o medíocre. É mentira que todo mundo possa julgar as coisas por si só. A propaganda desta mentira gera uma horda de invejosos que sonham em destruir quem eles julgam livres. Supérfluo? Mentira. Num mundo parasitado pelo marketing como forma de vida, ser pessimista é um método. Não se trata de dizer morbidamente "o mundo é mau", mas reconhecer que no humano a verdade é uma ferida incurável. A esperança que conta é a do animal ferido. Nada disso implica concordar com crianças mortas. O debate ao redor da esperança não é um problema do quão otimista somos, mas o que em nós nos faria colaborar com nazistas na França ocupada, além do medo. Manter o emprego? A chance de destruir alguém melhor do que eu? Tomar a mulher de alguém? Promoção pessoal? Nada mais banal, nada mais humano. Na "Metamorfose", Gregor Samsa, agora uma barata, vê a delícia que é caminhar de cabeça pra baixo com suas perninhas coladas ao teto. Sente-se finalmente feliz. A barata é a otimista em Kafka. &lt;a href="mailto:luiz.ponde@grupofolha.com.br"&gt;luiz.ponde@grupofolha.com.br&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luiz Felipe Pondé&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-8158007769038254697?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/8158007769038254697/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=8158007769038254697' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/8158007769038254697'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/8158007769038254697'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2009/02/metamorfose.html' title='Metamorfose'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-6873236158354227464</id><published>2009-01-25T08:49:00.000-08:00</published><updated>2009-01-25T08:55:19.878-08:00</updated><title type='text'>O Poema</title><content type='html'>O poema é fruto de uma inquietação,&lt;br /&gt;que no peito parece não caber&lt;br /&gt;de uma vontade incontrolável de escrever&lt;br /&gt;de sentimentos que não só o seu criador espelham,&lt;br /&gt;pois vêm do âmago, de sua condição humana,&lt;br /&gt;voz da alma se tornando;&lt;br /&gt;sensibilizando com palavras instintivas,&lt;br /&gt;mas com esmero distribuídas - substituídas se preciso -&lt;br /&gt;para que sejam verdadeiros e belos os versos,&lt;br /&gt;cativando, retendo a emoção por algum tempo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-6873236158354227464?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/6873236158354227464/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=6873236158354227464' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/6873236158354227464'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/6873236158354227464'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2009/01/o-poema.html' title='O Poema'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-357178543496440140</id><published>2009-01-06T04:51:00.000-08:00</published><updated>2009-01-06T04:52:57.424-08:00</updated><title type='text'>Em teus braços</title><content type='html'>quero viver toda a delícia deste amor antigo&lt;br /&gt;a plenitude deste sentimento único&lt;br /&gt;o prazer de ter à flor da pele os meus sentidos&lt;br /&gt;de me sentir ausente e tão dentro deste mundo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;União completa: concreta, mas permitindo vôos&lt;br /&gt; - pois sou poeta -&lt;br /&gt;só que daqui pra frente, prometo, te levando junto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-357178543496440140?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/357178543496440140/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=357178543496440140' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/357178543496440140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/357178543496440140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2009/01/em-teus-braos.html' title='Em teus braços'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-1373291932748526790</id><published>2009-01-03T14:26:00.000-08:00</published><updated>2009-01-03T14:36:48.058-08:00</updated><title type='text'>Alternância</title><content type='html'>Quero me livrar de todos meus demônios,&lt;br /&gt;tirar de mim tudo o que minh’alma angustia:&lt;br /&gt;pensamentos e lembranças hoje em preto e branco,&lt;br /&gt;refletindo só o meu lado negativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se dou um tempo e hiberno,&lt;br /&gt;para acordar depois em plena primavera,&lt;br /&gt;pois sei que esta é a dança do universo,&lt;br /&gt;sol brilhando depois de rigoroso inverno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-1373291932748526790?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/1373291932748526790/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=1373291932748526790' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/1373291932748526790'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/1373291932748526790'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2009/01/alternncia.html' title='Alternância'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-10909748407952811</id><published>2008-12-24T06:14:00.000-08:00</published><updated>2008-12-24T06:15:43.809-08:00</updated><title type='text'>O Presépio</title><content type='html'>A contemplação de uma criancinha amansa o universo. O Natal anuncia que o universo é o berço de uma criança&lt;br /&gt;MENINO, LÁ EM MINAS , eu tinha inveja dos católicos. Eu era protestante sem saber o que fosse isso. Sabia que, pelo Natal, a gente armava árvores com flocos de algodão imitando neve que não sabíamos o que fosse. Já os católicos faziam presépios.Os pinheiros eram bonitos, mas não me comoviam como o presépio: uma estrela no céu, uma cabaninha na terra coberta de sapé, Maria, José, os pastores, ovelhas, vacas, burros, misturados com reis e anjos numa mansa tranqüilidade, os campos iluminados com a glória de Deus, milhares de vaga-lumes acendendo e apagando suas luzes, tudo por causa de uma criancinha. A contemplação de uma criancinha amansa o universo. O Natal anuncia que o universo é o berço de uma criança.Até os católicos mais humildes faziam um presépio. As despidas salas de visita se transformavam em lugares sagrados. As casas ficavam abertas para quem quisesse se juntar aos reis, pastores e bichos. E nós, meninos, pés descalços, peregrinávamos de casa em casa, para ver a mesma cena repetida e beijar a fita.Nós fazíamos os nossos próprios presépios. Os preparativos começavam bem antes do Natal. Enchíamos latas vazias de goiabada com areia, e nelas semeávamos alpiste ou arroz. Logo os brotos verdes começavam a aparecer. O cenário do nascimento do Menino Jesus tinha de ser verdejante.Sobre os brotos verdes espalhávamos bichinhos de celulóide. Naquele tempo ainda não havia plástico. Tigres, leões, bois, vacas, macacos, elefantes, girafas. Sem saber, estávamos representando o sonho do profeta que anunciava o dia em que os leões haveriam de comer capim junto com os bois e as crianças haveriam de brincar com as serpentes venenosas. A estrebaria, nós mesmos a fazíamos com bambus. E as figuras que faltavam, nós as completávamos artesanalmente com bonequinhos de argila.Tinha também de haver um laguinho onde nadavam patos e cisnes, que se fazia com um pedaço de espelho quebrado. Não importava que os patos fossem maiores que os elefantes. No mundo mágico tudo é possível. Era uma cena "naif". Um presépio verdadeiro tem de ser infantil.E as figuras mais desproporcionais nessa cena tranqüila éramos nós mesmos. Porque, se construímos o presépio, era porque nós mesmos gostaríamos de estar dentro da cena. (Não é possível estar dentro da árvore!).Éramos adoradores do Menino, juntamente com os bichos, as estrelas, os reis e os pastores.Será que essa estória aconteceu de verdade? Foi daquele jeito descrito pelas escrituras sagradas? As crianças sabem que isso é irrelevante. Elas ouvem a estória e a estória acontece de novo. Não querem explicações. Não querem interpretações. A beleza da estória lhes basta. O belo é verdadeiro. Os teólogos que fiquem longe do presépio. Suas interpretações complicam o mundo.O presépio nos faz querer "voltar para lá, para esse lugar onde as coisas são sempre assim, banhadas por uma luz antiquíssima e ao mesmo tempo acabada de nascer. Nós também somos de lá. Estamos encantados. Adivinhamos que somos de um outro mundo." (Octávio Paz )Seria tão bom se os pais contassem essa estória para os seus filhos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rubem Alves&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-10909748407952811?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/10909748407952811/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=10909748407952811' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/10909748407952811'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/10909748407952811'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2008/12/o-prespio.html' title='O Presépio'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-7556780383068535976</id><published>2008-12-18T08:30:00.000-08:00</published><updated>2008-12-18T08:37:39.826-08:00</updated><title type='text'>O Rio</title><content type='html'>Ser como o rio que deflui&lt;br /&gt;Silencioso dentro da noite.&lt;br /&gt;Não temer as trevas da noite.&lt;br /&gt;Se há estrelas nos céus, refletí-las.&lt;br /&gt;E se os céus se pejam de nuvens,&lt;br /&gt;Como o rio as nuvens são água,&lt;br /&gt;Refleti-las também sem mágoa&lt;br /&gt;Nas profundidades tranquilas.&lt;a href="http://www.casadobruxo.com.br/poesia/m/manuel.htm"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manuel Bandeira&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-7556780383068535976?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/7556780383068535976/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=7556780383068535976' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/7556780383068535976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/7556780383068535976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2008/12/o-rio.html' title='O Rio'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-6678224870771737035</id><published>2008-12-17T15:57:00.000-08:00</published><updated>2008-12-17T16:12:05.412-08:00</updated><title type='text'>Momento (sem retorno)</title><content type='html'>Encontro rápido,&lt;br /&gt;há muito esperado.&lt;br /&gt;Depois, sensação de desperdício:&lt;br /&gt;impressão de momento não plenamente vivido,&lt;br /&gt;sentidos adormecidos.&lt;br /&gt;Fica: lembrança pálida do acontecido&lt;br /&gt;e o desejo impossível de vivê-lo novamente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-6678224870771737035?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/6678224870771737035/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=6678224870771737035' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/6678224870771737035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/6678224870771737035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2008/12/momento-sem-retorno.html' title='Momento (sem retorno)'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-3582590375361373316</id><published>2008-12-05T03:53:00.000-08:00</published><updated>2008-12-08T11:20:10.973-08:00</updated><title type='text'>Independente de mim</title><content type='html'>Independente de mim&lt;br /&gt;o vento sopra&lt;br /&gt;balança as folhas nas árvores&lt;br /&gt;o céu se enche de nuvens&lt;br /&gt;o sol, desviando delas,&lt;br /&gt;projeta sua luz nas janelas&lt;br /&gt;os pássaros voam&lt;br /&gt;as pessoas andam apressadas pela rua...&lt;br /&gt;Independente de mim,&lt;br /&gt;a Terra se move&lt;br /&gt;a natureza segue o seu curso...&lt;br /&gt;O mundo é mundo,&lt;br /&gt;quer eu adoeça, me entristeça,&lt;br /&gt;quer amanheça alegre e disposta,&lt;br /&gt;quer meu humor mude,&lt;br /&gt;me sinta assustada ou segura,&lt;br /&gt;ou apenas carente,&lt;br /&gt;ou ainda contente com alguma pequena vitória&lt;br /&gt;(talvez ilusória)&lt;br /&gt;Dentro de mim a certeza da minha fragilidade,&lt;br /&gt;impermanência e desamparo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;04-12-08&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-3582590375361373316?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/3582590375361373316/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=3582590375361373316' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/3582590375361373316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/3582590375361373316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2008/12/independente-de-mim_05.html' title='Independente de mim'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-3899236566898208974</id><published>2008-12-03T06:21:00.000-08:00</published><updated>2008-12-03T06:25:11.532-08:00</updated><title type='text'>A FESTA</title><content type='html'>A casa&lt;br /&gt;Ontem enfeitei minha casa,&lt;br /&gt;tirei os talheres de prata,&lt;br /&gt;usei as melhores toalhas,&lt;br /&gt;copos, taças, porta-retratos.&lt;br /&gt;Cuidei de cada detalhe,&lt;br /&gt;da sala até o jardim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu&lt;br /&gt;Vesti um vestido preto&lt;br /&gt;pra combinar com os cabelos,&lt;br /&gt;perfumei meu corpo inteiro,&lt;br /&gt;passei um batom carmim.&lt;br /&gt;Costas nuas, salto alto,&lt;br /&gt;para dar aquele toque&lt;br /&gt;e te orgulhares de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desenrolar&lt;br /&gt;Desci alegre e faceira,&lt;br /&gt;ri, brinquei a noite inteira,&lt;br /&gt;pois tudo corria perfeito,&lt;br /&gt;das canções de George Gershwin,&lt;br /&gt;ao buquê de rosas vermelhas,&lt;br /&gt;que comprara pensando em ti.&lt;br /&gt;Sabia que tu não vinhas,&lt;br /&gt;que cumprias outro destino,&lt;br /&gt;não o de estar ao meu lado.&lt;br /&gt;Mas dei conta do recado,&lt;br /&gt;mantive a paixão bem guardada,&lt;br /&gt;ela que tudo inspirara,&lt;br /&gt;da roupa à decoração&lt;br /&gt;E festejei, e brinquei, e dancei,&lt;br /&gt;até cair de exaustão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-3899236566898208974?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/3899236566898208974/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=3899236566898208974' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/3899236566898208974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/3899236566898208974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2008/12/festa.html' title='A FESTA'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-2128265018559872637</id><published>2008-11-24T06:07:00.000-08:00</published><updated>2008-11-24T06:10:39.822-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Para isso temos que viver tanto&lt;br /&gt;Para sermos mais despojados e magnânimos&lt;br /&gt;Para descomplicar a vida&lt;br /&gt;Para compreendermos os semelhantes&lt;br /&gt;Para amar os animais&lt;br /&gt;Para curtir com mais intensidade a natureza&lt;br /&gt;Para melhor nos conhecermos&lt;br /&gt;Para nos sentir plenos&lt;br /&gt;Para aceitar mudanças&lt;br /&gt;(fora e dentro de nós mesmos)&lt;br /&gt;Para termos o nosso canto&lt;br /&gt;(questão de merecimento)&lt;br /&gt;Para sermos dignos&lt;br /&gt;- sendo ou não a Deus tementes&lt;br /&gt;Para aceitar a vida&lt;br /&gt;ou até amá-la,&lt;br /&gt;sem nos arrependermos de tê-la transmitido&lt;br /&gt;aos nossos descendentes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23-11-08&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-2128265018559872637?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/2128265018559872637/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=2128265018559872637' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/2128265018559872637'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/2128265018559872637'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2008/11/para-isso-temos-que-viver-tanto-para.html' title=''/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-5455690248080427381</id><published>2008-11-20T05:07:00.000-08:00</published><updated>2008-12-08T17:48:53.661-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Abençoado dia de sol&lt;br /&gt;Pássaros que vejo da minha janela&lt;br /&gt;ruidosos e alegres a passear no céu&lt;br /&gt;(até eles me parecem mais leves e soltos, nesse dia)&lt;br /&gt;Nuvens ausentes, tendo levado meus dissabores,&lt;br /&gt;sombras que povoam a minha vida...&lt;br /&gt;Verde das árvores ainda mais verde&lt;br /&gt;(nada de cores esmaecidas)&lt;br /&gt;Impossível não se alegrar, não ter esperança,&lt;br /&gt;festejar tudo de bom que tenha acontecido.&lt;br /&gt;Manhã tão linda, a quem agradeço esse presente?&lt;br /&gt;A Deus, à vida ?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;br /&gt;20-11-08&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-5455690248080427381?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/5455690248080427381/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=5455690248080427381' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/5455690248080427381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/5455690248080427381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2008/11/abenoado-dia-de-sol-pssaros-que-vejo-da.html' title=''/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-5108517443225838877</id><published>2008-11-17T05:06:00.000-08:00</published><updated>2008-11-17T05:08:02.581-08:00</updated><title type='text'>Amor</title><content type='html'>"O que será: este labirinto de perguntas e resposta alguma, este insistente rugir de pássaros, este abrir as jaulas, soltar o bicho novelo que há em nós, delicado/feroz morder (deixa sangrar) o outro bicho (deixa, deixa) e toda esta parafernália a parecer truque enquanto obsidiante você mente embora acreditando nas mentiras e eu use os piores estratagemas para cobrir-me a retirada desse vicioso campo de batalha."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Olga Savary&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-5108517443225838877?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/5108517443225838877/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=5108517443225838877' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/5108517443225838877'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/5108517443225838877'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2008/11/amor.html' title='Amor'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-6849611127936557409</id><published>2008-11-17T04:56:00.000-08:00</published><updated>2008-11-17T05:00:20.792-08:00</updated><title type='text'>Nuvens</title><content type='html'>Não há uma só coisa que não seja&lt;br /&gt;nuvem. Assim são essas catedrais&lt;br /&gt;de vasta pedra e bíblicos cristais&lt;br /&gt;que o tempo alisa. A Odisséia, veja,&lt;br /&gt;muda como o mar; há algo distinto&lt;br /&gt;a cada vez que a abrimos. Seu velho&lt;br /&gt;rosto já é outro, visto no espelho,&lt;br /&gt;e o dia é um duvidoso labirinto.&lt;br /&gt;Somos os que se vão. A volumosa&lt;br /&gt;nuvem que se desmancha no poente&lt;br /&gt;é a nossa imagem. Incessantemente&lt;br /&gt;a rosa se converte em outra rosa.&lt;br /&gt;Você é nuvem, mar, esquecimento.&lt;br /&gt;E é o que perdeu a cada momento.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Jorge Luis Borges&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-6849611127936557409?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/6849611127936557409/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=6849611127936557409' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/6849611127936557409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/6849611127936557409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2008/11/nuvens.html' title='Nuvens'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-8979648136726109590</id><published>2008-11-14T04:59:00.000-08:00</published><updated>2008-11-14T13:46:48.119-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Somos sedentos de amor&lt;br /&gt;O desejo, mesmo imperceptível,&lt;br /&gt;não se extingue&lt;br /&gt;Se refugia nos sonhos...&lt;br /&gt;Neles amamos&lt;br /&gt;Somos amados&lt;br /&gt;Desejados&lt;br /&gt;Quase tudo é possível, &lt;br /&gt;quase tudo acontece&lt;br /&gt;Mas um pouco de nossa censura &lt;br /&gt;interfere&lt;br /&gt;e a realização dos desejos&lt;br /&gt;nunca é completa.&lt;br /&gt;Se quero este ou aquele&lt;br /&gt;é o sonho que revela.&lt;br /&gt;E o que nele não viver&lt;br /&gt;vira pó e o vento leva...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14-11-08&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-8979648136726109590?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/8979648136726109590/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=8979648136726109590' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/8979648136726109590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/8979648136726109590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2008/11/somos-todos-sedentos-de-amor-o-desejo.html' title=''/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-2023038567955613125</id><published>2008-10-22T07:07:00.000-07:00</published><updated>2008-10-22T07:09:46.370-07:00</updated><title type='text'>O Amor é triste</title><content type='html'>Sim, poeta, o amor é triste, eu também sei...&lt;br /&gt;Se o vivemos com intensidade, doçura, plenamente,&lt;br /&gt;entre belos sentimentos se insinuam  dúvida&lt;br /&gt;- difícil viver felicidade – e temor de perda:&lt;br /&gt; melhor  se resguardar que tudo passa... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, o Amor é triste...&lt;br /&gt;Às vezes amamos tanto e nem sabemos,&lt;br /&gt;Tão ocupados estamos,&lt;br /&gt;Ou desligados de nossos próprios sentimentos.&lt;br /&gt;Temos Amor, mas não  o vivemos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É triste o amor...&lt;br /&gt;Nele cremos, por ele ansiamos&lt;br /&gt;E no entanto sempre nos parece,&lt;br /&gt;que só aos outros acontece, como um prêmio...&lt;br /&gt;Temos  o sonho de amar, mas não vivência...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E coincidência no amor ...  por que tão rara?&lt;br /&gt;Dá para entender a dor quando ele acaba.&lt;br /&gt;E acaba...  pois nada é permanente&lt;br /&gt;E então não somos mais&lt;br /&gt;do que meros, cabisbaixos, sobreviventes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   homenagem a Carlos Drummond de Andrade&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-2023038567955613125?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/2023038567955613125/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=2023038567955613125' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/2023038567955613125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/2023038567955613125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2008/10/o-amor-triste.html' title='O Amor é triste'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-7313040259121904734</id><published>2008-10-21T08:26:00.000-07:00</published><updated>2008-10-21T08:30:47.820-07:00</updated><title type='text'>Nuvens</title><content type='html'>Nuvens no céu&lt;br /&gt;e em meu coração projetadas&lt;br /&gt;Do céu não posso tirá-las&lt;br /&gt;Mas de mim... Será que falta vontade?&lt;br /&gt;Se removo a cortina o que acho?&lt;br /&gt;Por certo uma luz ainda brilha,&lt;br /&gt;é questão de captá-la&lt;br /&gt;e fazê-la atravessar&lt;br /&gt;nuvens chuvas tempestades&lt;br /&gt;até se alojar nos olhos&lt;br /&gt;e depois em outros olhos&lt;br /&gt;daquele a quem chamo ‘amado”...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto divago&lt;br /&gt;vão-se  as nuvens e o céu agora está claro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;br /&gt;19-10-08&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-7313040259121904734?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/7313040259121904734/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=7313040259121904734' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/7313040259121904734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/7313040259121904734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2008/10/nuvens.html' title='Nuvens'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-6163063967595611650</id><published>2008-10-20T13:06:00.000-07:00</published><updated>2008-10-20T13:07:07.032-07:00</updated><title type='text'>Consciente Escolha</title><content type='html'>Reatamos &lt;br /&gt;“Nada foi cortado”, você diria.&lt;br /&gt;Básico &lt;br /&gt;Mas sei que emendamos, refizemos, trabalho árduo...&lt;br /&gt;Recompensa: o sono dos justos, a tranqüilidade&lt;br /&gt;Amor, amizade?&lt;br /&gt;Pouco importa, retomamos a caminhada&lt;br /&gt;e muito bem acompanhados:&lt;br /&gt;filhos, netos, genro, nora, amigos&lt;br /&gt;Segue: trabalho, poesias, cinemas, teatros, companhia;&lt;br /&gt;renovamos a casa, os votos, consciente escolha.&lt;br /&gt;E seguimos juntos,  não sem algum esforço,&lt;br /&gt;Transformando irritação em atitude doce,&lt;br /&gt;removendo espinhos e cultivando flores...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-6163063967595611650?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/6163063967595611650/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=6163063967595611650' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/6163063967595611650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/6163063967595611650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2008/10/consciente-escolha_20.html' title='Consciente Escolha'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-4399572313723063200</id><published>2008-10-20T07:24:00.000-07:00</published><updated>2008-10-20T07:26:17.926-07:00</updated><title type='text'>Belo Belo II</title><content type='html'>Belo belo minha bela &lt;br /&gt;Tenho tudo que não quero&lt;br /&gt;Não tenho nada que quero&lt;br /&gt;Não quero óculos nem tosse&lt;br /&gt;Nem obrigação de voto&lt;br /&gt;Quero quero&lt;br /&gt;Quero a solidão dos píncaros&lt;br /&gt;A água da fonte escondida&lt;br /&gt;A rosa que floresceu&lt;br /&gt;Sobre a escarpa inacessível&lt;br /&gt;A luz da primeira estrela&lt;br /&gt;Piscando no lusco-fusco&lt;br /&gt;Quero quero&lt;br /&gt;Quero dar a volta ao mundo&lt;br /&gt;Só num navio de vela&lt;br /&gt;Quero rever Pernambuco&lt;br /&gt;Quero ver Bagdá e Cusco&lt;br /&gt;Quero quero&lt;br /&gt;Quero o moreno de Estela&lt;br /&gt;Quero a brancura de Elisa&lt;br /&gt;Quero a saliva de Bela&lt;br /&gt;Quero as sardas de Adalgisa&lt;br /&gt;Quero quero tanta coisa&lt;br /&gt;Belo belo&lt;br /&gt;Mas basta de lero-lero&lt;br /&gt;Vida noves fora zero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Manuel Bandeira&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-4399572313723063200?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/4399572313723063200/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=4399572313723063200' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/4399572313723063200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/4399572313723063200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2008/10/belo-belo-ii.html' title='Belo Belo II'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-1317036444925278193</id><published>2008-10-17T10:58:00.000-07:00</published><updated>2008-10-17T11:01:05.945-07:00</updated><title type='text'>Amando  (Canto da Lua)</title><content type='html'>Não sei viver o amor de forma tranqüila&lt;br /&gt;Me inquietam as ausências, os silêncios, as partidas...&lt;br /&gt;Até os encontros em meio a sobressaltos são vividos:&lt;br /&gt;O susto de amar, de deixar de amar&lt;br /&gt;De ser só fruto de uma fantasia&lt;br /&gt;Ou apenas um momento dentro de uma vida...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O coração vai à boca&lt;br /&gt;e só na solidão me acalmo&lt;br /&gt;e me abandono a este prazer&lt;br /&gt;(o prazer de amar ) que é infinito...&lt;br /&gt;“Canto da Lua ”&lt;br /&gt;É lá que me refugio...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-1317036444925278193?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/1317036444925278193/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=1317036444925278193' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/1317036444925278193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/1317036444925278193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2008/10/amando-canto-da-lua.html' title='Amando  (Canto da Lua)'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-5304247548385556646</id><published>2008-10-04T09:54:00.000-07:00</published><updated>2008-10-04T09:55:42.545-07:00</updated><title type='text'>Que é a poesia?</title><content type='html'>--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;Eis a diferença entre o poema e demais entes: não olvida a natureza líquida de todas as coisas&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PARA DIZER o que penso ser a poesia, recorro, em primeiro lugar, ao poema "O Rio", de Manuel Bandeira: "Ser como o rio que deflui/ Silencioso dentro da noite./ Não temer as trevas da noite./ Se há estrelas nos céus, refleti-las./ E se os céus se pejam de nuvens,/ Como o rio as nuvens são água,/ Refleti-las também sem mágoa/ Nas profundidades tranqüilas". Desde o título, "O Rio", torna-se inevitável pensar no famoso rio do filósofo grego Heráclito, em que não é possível pisar duas vezes. O primeiro verso reforça essa impressão: "Ser como o rio"... Mas a sentença de Heráclito -aparte certas interpretações recherchées- enfatiza o mobilismo universal, o fato de que coisa nenhuma jamais permanece a mesma. O rio de Bandeira, ao contrário, é em primeiro lugar a própria imagem da constância e até de um certo estoicismo: "Ser como o rio que deflui/ Silencioso dentro da noite./ Não temer as trevas da noite".&lt;br /&gt;O rio a defluir silenciosamente dentro da noite não teme as trevas da noite porque ele é também o rio da noite, isto é, a noite enquanto rio. O infinitivo aqui é implicitamente desiderativo: ele manifesta um desejo. Mas quem é que aqui deseja? Talvez se possa dizer que aquele que deseja é o poeta, ou talvez o "eu" lírico, o heterônimo, o personagem em que o poeta se transforma para escrever o poema; mas o infinitivo excede qualquer subjetividade, qualquer "eu". A rigor, não interessa quem deseja, mas apenas o próprio desejo, que se identifica com o ser. Feito um fenômeno da natureza, feito o próprio rio silencioso dentro da noite e feito a própria noite, o desejo, o ser, os versos do poema e o próprio poema estão lá, no infinitivo, silenciosos como o rio e como a noite. Fundem-se no poema o leitor, o poeta, a noite, o rio, as estrelas: "Se há estrelas nos céus, refleti-las./ E se os céus se pejam de nuvens,/ Como o rio as nuvens são água,/ Refleti-las também sem mágoa / Nas profundidades tranqüilas".&lt;br /&gt;Se há estrelas nos céus, o poema as tem na superfície. Se há nuvens que o impedem de refletir as estrelas, aquelas são refletidas na profundidade do seu ser, pois as nuvens são feitas da mesma água que ele. Aqui é de Tales, o primeiro filósofo grego, para quem tudo vem da água e tudo volta para a água, mais do que de Heráclito, que me lembro.&lt;br /&gt;E me lembro sobretudo do poeta Jorge Luis Borges, para quem, segundo o poema "Nuvens (I)", do qual faço a seguir uma tradução literal, recomendando, porém, veementemente ao leitor que não deixe de consultar o belíssimo original castelhano: "Não haverá uma só coisa que não seja/ uma nuvem. São nuvens as catedrais/ de vasta pedra e bíblicos cristais/ que o tempo aplanará. São nuvens a Odisséia/ que muda como o mar. Algo há distinto/ cada vez que a abrimos. O reflexo/ de tua cara já é outro no espelho/ e o dia é um duvidoso labirinto./ Somos os que se vão. A numerosa/ nuvem que se desfaz no poente/ é nossa imagem. Incessantemente/ a rosa se converte noutra rosa./ És nuvem, és mar, és olvido./ És também aquilo que perdeste".&lt;br /&gt;As nuvens são as transformações da água originária, isto é, são todos os entes que o tempo aplanará. Também são nuvens os versos do poema de Homero. Há entretanto uma diferença: os entes em geral perderam a memória de sua origem aquática e se esqueceram de que são nuvens. A "Odisséia", porém -o poema por excelência-, muda como o mar. Algo há distinto cada vez que a abrimos. Eis a diferença entre o poema e os demais entes: o poema jamais olvida, no fluxo de sua superfície significante, morfológica, sintática, melódica, rítmica e de suas submersas correntes semânticas, a natureza líquida de todas as coisas e, principalmente, de si próprio.&lt;br /&gt;Lembro que outro dos primeiros filósofos gregos, Anaximandro, dizia que todos os entes determinados provêm do indeterminado (que ele chamava "ápeiron") e têm como causa o indeterminado -que podemos entender como o movimento, a mudança, a vida, o tempo- do qual provêm. Em cada um deles, porém, o indeterminado se transformou em algum ente determinado. Também o poema é um ente determinado, mas um ente determinado que, refletindo o seu oposto, porta em si a marca d'água do movimento originário. Não apenas, cada vez que o lemos, ele se torna diferente do que era na leitura anterior, mas se torna diferente de si próprio no exato instante em que o estamos a ler. Chamo "poesia" essa propriedade do poema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antonio Cicero&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-5304247548385556646?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/5304247548385556646/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=5304247548385556646' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/5304247548385556646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/5304247548385556646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2008/10/que-poesia.html' title='Que é a poesia?'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-121872043608507255</id><published>2008-09-27T14:19:00.000-07:00</published><updated>2008-09-27T14:21:54.775-07:00</updated><title type='text'>Curtas</title><content type='html'>As palavras fogem&lt;br /&gt;assustadas com o encargo de traduzir &lt;br /&gt;a complexidade do que vai na alma...  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No sonho, a transparência&lt;br /&gt;que a realidade obstrui, veda&lt;br /&gt;Muda o olhar, o desejo é contido&lt;br /&gt;E tudo continua igual&lt;br /&gt;como se nada tivesse acontecido...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinidade, consonância, harmonia&lt;br /&gt;Palavras que definem o que sentimos.&lt;br /&gt;Hoje, sua dor, sendo a minha,&lt;br /&gt;só  um ansiado abraço aliviaria...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraço que traduz muito mais que um beijo:&lt;br /&gt;encontro, apreço, apoio, apego, aconchego...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como num jogo, dançam as palavras se escolhendo&lt;br /&gt;se juntando&lt;br /&gt;...ou se dispersando, repelindo,&lt;br /&gt;movidas pela harmonia, significado ou rima...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você:&lt;br /&gt;Escolha da alma, sem qualquer interferência&lt;br /&gt;Resvalando num sonho, inconseqüente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-121872043608507255?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/121872043608507255/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=121872043608507255' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/121872043608507255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/121872043608507255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2008/09/curtas_5333.html' title='Curtas'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-7848556901056814669</id><published>2008-09-25T14:17:00.000-07:00</published><updated>2008-09-25T14:24:05.974-07:00</updated><title type='text'>Andréa, Dedé para todos</title><content type='html'>Vinte e sete anos eu tinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje em dia diriam: “É uma criança!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atualmente as meninas casam-se mais tarde mas naquele tempo, há 40 anos, casávamos cedo e logo pensávamos em filhos. E foi assim que eu fiz...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 26 anos eu já tinha 2 filhas: a Patrícia com 2 anos e meio e a Daniela com 9 meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As duas lindas, espertas e inteligentes alegravam e ocupavam os meus dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em agosto ou setembro de 1975 veio mais uma surpresa: outra gravidez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que alegria! Apesar de não programada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gestação correu maravilhosamente bem, sem problemas, assim como foram as anteriores. Sem os modernos aparelhos de ultrassonografia não se percebeu que eram 2 bebês o que só foi visto 15 dias antes do parto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alegria dobrada, saímos à correria para comprar outro enxoval, outro berço, outro tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10 de maio de 1976 nasceram Persinho e Andrea, duas lindas crianças que viriam completar meu time de quatro filhos, sempre desejado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Os dias se passavam e era inevitável a comparação entre os gêmeos e as infinitas perguntas sem resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“- Por que o Persinho sustenta a cabecinha e Dedé ainda não?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“- Por que um já sabe sentar-se o outro não?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por aí sucederam-se milhões de dúvidas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Um dia perguntei ao médico dela o que seria da minha filha no futuro. A resposta foi imediata: “- Eu não sei o que vai ser dos meus filhos, como saber da sua?”  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Bem, não adianta ficar perguntando. Sempre fui uma pessoa ativa, decidida e disposta a enfrentar qualquer batalha e aí vinha uma daquelas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Meus dias alternavam-se entre buscar um diagnóstico e independente de tê-lo, fazer terapias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a ajuda da Andrea, sempre disposta, fomos caminhando pelas diversas formas de atividades: fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, natação, reorganização neurológica, equoterapia, enfim, tudo o que nos era sugerido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Dedé começou a andar com 3 anos e aos 4, entrou na primeira escola (sempre optei por escolas especializadas). Mesmo antes de aprender a falar, o que aconteceu aos 5 anos, as professoras iam ensinando-lhe as letras e números. Assim, bem lentamente, ela foi aprendendo a construir frases na fala e na escrita, simultâneamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu percebia que o assunto estava esgotado numa escola, mudava para outra. Rotina não podia existir na vida de Dedé. Tudo tinha de ser mudado periodicamente para haver motivação. Eu percebia que a cada mudança acontecia um salto na evolução da minha pequena.     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; De escola em escola, acabamos conhecendo o PTI que foi o grande salto na vida dela. Aqui ela amadureceu, encontrou amigos que a compreendem, namorados e professores que lhe dão carinho, atenção e a orientam para uma vida profissional, já que esse era um grande sonho pois a colocava em pé de igualdade com os irmãos já bem sucedidos profissionalmente.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a persistência da Carmen Lydia em incluir os alunos do PTI na lei 8.213, “Lei de Cotas” e no projeto “SOMAR”, a Andrea acabou sendo uma das escolhidas para fazer entrevista no Citibank.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda arrumadinha, lá foi ela como uma verdadeira executiva, fazer testes e mais testes. Para a alegria dela, da família e dos professores, ela foi aprovada e desde dezembro de 2007 é uma respeitada e competente funcionária do Citibank.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a busca pelo diagnóstico continuou e numa segunda feira, dia 18 de agosto de 200 graças ao avanço da tecnologia e às pesquisas do Instituto de Genética da USP conseguimos o que tanto queríamos: “a Andrea é portadora de uma síndrome chamada MONOSSOMIA 1P36”. É um acidente genético, que só foi identificado pelos cientistas em 1999 ou começo de 2000. O caso dela é bem leve e ao estudarmos a síndrome, percebemos que tudo o que deveria ter sido feito na infância, juventude e adolescência, foi exatamente o que fizemos. Para o futuro, também nada mudará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, com 32 anos, Dedé superou todos os seus limites e desafios. É feliz e realizada. E eu, como mãe, mais ainda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Selma Deluca&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-7848556901056814669?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/7848556901056814669/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=7848556901056814669' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/7848556901056814669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/7848556901056814669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2008/09/andra-ded-para-todos.html' title='Andréa, Dedé para todos'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-8746734277310862942</id><published>2008-09-25T14:16:00.000-07:00</published><updated>2008-09-25T14:17:30.649-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>As lágrimas desceram lavando a alma &lt;br /&gt;precisada de faxina&lt;br /&gt;Agora que a solidão faça a sua parte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amor:&lt;br /&gt;Quantas vezes empreguei essa palavra em vão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parto&lt;br /&gt;Se pudesse para sempre em direção às coisas que vivi e amei&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu passado só existe em minha memória&lt;br /&gt;Fatos compartilhados têm diferentes visões, versões e envolvimentos&lt;br /&gt;Portanto :&lt;br /&gt;Meu passado só a mim pertence&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém roubou os meus sonhos&lt;br /&gt;Eu mesma os abortei&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma porta se fechou bem à minha frente&lt;br /&gt;Ocultando tudo o que na vida vale a pena...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje não me importa o isolamento&lt;br /&gt;Bastam-me um teclado, uma tela, meus poemas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua presença me machuca, me inquieta&lt;br /&gt;Deixe-me sozinha com os meus pensamentos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Declaração: cada vez te amo mais, minha irmã.&lt;br /&gt;Enquanto tivermos uma à outra,&lt;br /&gt;jamais estaremos completamente sozinhas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso abrir mão de tudo&lt;br /&gt;Menos da minha dose homeopática de ginástica, alegria&lt;br /&gt;... e poesia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-8746734277310862942?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/8746734277310862942/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=8746734277310862942' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/8746734277310862942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/8746734277310862942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2008/09/as-lgrimas-desceram-lavando-alma.html' title=''/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-1470269050887784950</id><published>2008-09-25T09:48:00.000-07:00</published><updated>2008-09-25T09:52:54.522-07:00</updated><title type='text'>Pássaro sem asas</title><content type='html'>Noites escuras,&lt;br /&gt;fundas, fundas,&lt;br /&gt;profundas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escuridão tem o encanto&lt;br /&gt;de aproximar ruídos longínquos&lt;br /&gt;e aumentar os pequenos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Choveu,&lt;br /&gt;me encharco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha memória&lt;br /&gt;recua, recua&lt;br /&gt;até encontrar minha alma de menino.&lt;br /&gt;( A escuridão &lt;br /&gt;se presta para isso.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou um pássaro sem asas&lt;br /&gt;e não caio&lt;br /&gt;porque me seguro no ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Humberto Ak'abal&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-1470269050887784950?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/1470269050887784950/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=1470269050887784950' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/1470269050887784950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/1470269050887784950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2008/09/pssaro-sem-asas.html' title='Pássaro sem asas'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-1649847477916419559</id><published>2008-09-13T08:49:00.000-07:00</published><updated>2008-09-13T08:58:36.192-07:00</updated><title type='text'>A jangada</title><content type='html'>Te vejo&lt;br /&gt;Linda, simples, vela estirada pelo vento,&lt;br /&gt;exibindo singelo desenho: mulher em vermelho.&lt;br /&gt;É teu descanso e na praia permaneces.&lt;br /&gt;Cheiras a mar, madeira, suor dos homens que te manejam.&lt;br /&gt;Te abres para mim e me surpreendo com o exíguo espaço&lt;br /&gt;em que descansam teus marinheiros:&lt;br /&gt;tosco, suficiente apenas para um sono rápido&lt;br /&gt;antes da volta ao trabalho, a busca pelo peixe&lt;br /&gt;-de vigília fica sempre um  jangadeiro&lt;br /&gt;a zelar pelo sono dos companheiros.&lt;br /&gt;Descansam confiantes,  &lt;br /&gt;pois já leram o céu, as nuvens e as estrelas.&lt;br /&gt;Depois é revezar, voltar a pescar,&lt;br /&gt;reparar, remendar,  trabalho árduo, solidário,&lt;br /&gt;protegido pela reza das namoradas ou companheiras.&lt;br /&gt;Sei que quando chegam e os peixes descarregam&lt;br /&gt;agradecem a Deus a  sobrevivência,&lt;br /&gt;a boa pesca,  e o seu quinhão nas vendas,&lt;br /&gt;pois a jangada, com amor guiada mar adentro&lt;br /&gt;quase sempre não lhes pertence...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fim de tarde,&lt;br /&gt;Vela com destreza enrolada, &lt;br /&gt;Mãos rudes, pele maltratada&lt;br /&gt;Não sei o que mais me toca&lt;br /&gt;Se o pescador ou a jangada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-1649847477916419559?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/1649847477916419559/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=1649847477916419559' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/1649847477916419559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/1649847477916419559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2008/09/jangada.html' title='A jangada'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-113493903005649778</id><published>2008-09-12T15:17:00.000-07:00</published><updated>2008-09-12T15:19:17.057-07:00</updated><title type='text'>Promessa</title><content type='html'>Leves, alegres, hoje atraímos o belo,&lt;br /&gt;o luminoso, o que dá sentido à vida.&lt;br /&gt;Sorrimos e, como reflexo,&lt;br /&gt;rostos à nossa volta estampam&lt;br /&gt;sorrisos de simpatia, compreensão e afeto.&lt;br /&gt;O coração, mais enternecido,&lt;br /&gt;se desdobra então em sentimentos puros;                                        &lt;br /&gt;e se não dá para de imediato endireitar o mundo,&lt;br /&gt;que amostra, que promessa, nesta manhã de sol,&lt;br /&gt;em que lépidos e leves estamos juntos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-113493903005649778?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/113493903005649778/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=113493903005649778' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/113493903005649778'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/113493903005649778'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2008/09/promessa.html' title='Promessa'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-8033407696188446938</id><published>2008-09-04T07:20:00.000-07:00</published><updated>2008-09-04T07:23:51.388-07:00</updated><title type='text'>Movimento</title><content type='html'>Ando para a frente,&lt;br /&gt;para os lados,&lt;br /&gt;para dentro&lt;br /&gt;em direção ao meu centro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ando às vezes distraidamente;&lt;br /&gt;outras, tão concentrada,&lt;br /&gt;que nem sinto o passar do tempo.&lt;br /&gt;E então me sinto espoliada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ando também em círculo,&lt;br /&gt;para preservar meu espaço,&lt;br /&gt;como animal, a vigiar sua caça...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ando mesmo, quando penso estar parada.&lt;br /&gt;O tempo passa, me arrasta,&lt;br /&gt;e o espelho mostra um certo ar de cansaço,&lt;br /&gt;pois estafante é a caminhada,&lt;br /&gt;mesmo se tudo se mostra favorável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cansa o corpo, cansa a alma,&lt;br /&gt;ainda mais, se houver intensidade.&lt;br /&gt;Mas não param ( corpo e alma )&lt;br /&gt;pois ali na frente,&lt;br /&gt;parece estar sempre a Felicidade,&lt;br /&gt;ou simplesmente,&lt;br /&gt;uma nova e estimulante fase...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Dr. Luís e Eleonora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecilia&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-8033407696188446938?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/8033407696188446938/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=8033407696188446938' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/8033407696188446938'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/8033407696188446938'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2008/09/movimento.html' title='Movimento'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32399141.post-8087053288630899316</id><published>2008-09-04T07:13:00.000-07:00</published><updated>2008-09-04T07:20:33.062-07:00</updated><title type='text'>A empregada</title><content type='html'>A casa parecia pequena, mas enganava - o terreno era estreito, mas comprido - e ela se estendia quase até o muro dos fundos. Tínhamos escritório, sala de música, de jantar e três quartos, um dos quais não era ocupado, pois ficava um tanto isolado, depois da copa, banheiro e cozinha. Localizava-se num bairro privilegiado, rodeada de casas bonitas, perto de uma praça e do Ginásio. Alegrava-a um pequeno jardim e o céu sempre claro da cidade; também o movimento da família, as músicas ouvidas no rádio, o som do piano, as escalas. Além da família circulava pela casa uma empregada, ajudando minha mãe, sempre atarefada. Meu irmão pequeno, o Fábio, ainda dava muito trabalho.&lt;br /&gt;     Tinha eu naquela época cerca de dez anos e minha irmã mais velha doze e começávamos a perceber as diferenças de classe. Os adultos trabalhavam, nós crianças estudávamos, mas parece que tínhamos retorno: futuro, bens, conforto, o que não era o caso das empregadas. Lembro que mamãe era exigente, as substituía com freqüência e assim elas iam passando. Com o tempo, rostos e identidades apagados.&lt;br /&gt;   Assim foi com uma delas, que se empregou, pedindo para ocupar o quarto dos fundos, pois sua família residia num sítio distante da cidade. Como era jovem e tinha namorado, lhe foi permitido sair à noite, mediante a condição de ser silenciosa e não voltar muito tarde  (meu irmão tinha sono leve, e qualquer ruído o acordava). Ela respeitou o trato.Mesmo assim, todas as noites eu e minha irmã Helina ouvíamos os seus passos no corredor externo e o girar da chave.&lt;br /&gt;   Uma manhã, bem cedinho, fui até seu quarto - não me lembro o motivo: só sei que todos ainda dormiam - e deparei com uma cena inesquecível, que muito me perturbou: na cama bem junto dela, aconchegada,  havia uma criança, provavelmente da idade do meu irmão pequeno. Pega de surpresa, a moça me olhou com olhos assustados, mas não disse e não me pediu nada. Eu também nada falei e saí rápido, fugindo do constrangimento e sentindo muita pena. Apesar da pouca idade, compreendi instantaneamente suas saídas e o que aquela criança significava. &lt;br /&gt;Naquela época havia muito preconceito em relação às mães-solteiras e às empregadas - seus defeitos eram o assunto predileto das comadres.&lt;br /&gt;   Guardei segredo do que vira, pensando na criança e na mãe que ternamente a abraçava, na minha própria mãe e no Fábio. Sentia que a ninguém traía, afinal havia em casa aquele quarto desocupado.&lt;br /&gt; Hoje vejo que em meu longo silêncio, quase até os dias de hoje, havia não somente pena, mas também pudor: não queria mostrar generosidade à custa da coitada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecilia&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32399141-8087053288630899316?l=exataspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://exataspalavras.blogspot.com/feeds/8087053288630899316/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32399141&amp;postID=8087053288630899316' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/8087053288630899316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32399141/posts/default/8087053288630899316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://exataspalavras.blogspot.com/2008/09/empregada.html' title='A empregada'/><author><name>cecilia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06557547951315051303</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TVF12GyRoAY/TEEcraqme0I/AAAAAAAAACw/qgG7JCcbv0E/S220/DSC00189.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
